Sabe o efeito na bola de futebol? Ele também acontece no reino quântico
1 Sep, 2026
Redação do Site Inovação Tecnológica - 01/09/2026 Efeito Magnus quântico Jogadores de tênis de mesa são craques em redirecionar suas bolinhas em alta velocidade. Eles conseguem colocar um efeito preciso que faz com que a pequena bola voe em linha reta em direção à borda da mesa, mas, no último instante, faça uma curva acentuada para o canto esquerdo. O jogador brasileiro Roberto Carlos também é presença constante nas aulas de física por sua capacidade de fazer a bola de futebol descrever trajetórias inusitadas. O fenômeno físico por trás desse comportamento inusitado das bolas é conhecido como efeito Magnus, e ele não ocorre apenas nos esportes, já tendo sido explorado em sistemas de geração de eletricidade usando balões e nos inovadores navios com velas rotativas. Agora, uma equipe internacional de físicos comprovou que o efeito Magnus é ainda mais geral do que se imaginava, documentando pela primeira vez um "efeito Magnus quântico". O fenômeno inesperado é o equivalente óptico do efeito da mecânica clássica, só que agora ele também se torna relevante para inúmeros outros casos, incluindo a computação quântica, onde promete garantir o controle preciso dos qubits, as unidades fundamentais da informação quântica. Controle de qubits No efeito Magnus óptico não há um átomo voando ao longo de uma trajetória curva. O que acontece é que, quando um feixe de laser é focalizado sobre um único átomo eletricamente carregado - um íon - o ponto de interação máxima da luz com a matéria é deslocado lateralmente. O que seria de se esperar é que a interação mais forte ocorresse onde o feixe de laser é mais intenso, que é em seu centro. No entanto, o foco preciso do laser também altera a estrutura espacial do seu próprio campo eletromagnético. Como resultado, a interação com o íon é mais forte não exatamente no centro do feixe de laser, mas ligeiramente deslocada para um dos lados. Esse deslocamento lateral é o equivalente óptico do efeito Magnus observado na trajetória de uma bola, de pingue-pongue, de futebol ou qualquer outra. Nos computadores quânticos, a luz laser é usada para controlar os qubits. Assim como um desvio nos esportes pode fazer a diferença entre a bola indo parar na torcida ou marcando um gol histórico, nos computadores quânticos esse desvio pode significar a perda de controle e do dado no qubit. O efeito Magnus óptico certamente interfere nesse controle, e muitos dos erros verificados hoje podem simplesmente se dever a ele, que não era levado em consideração até agora. E, claro, dá para pensar em usar o efeito Magnus quântico de modo útil. "As forças que ele gera podem ser usadas para acoplar qubits uns aos outros, possibilitando cálculos mais complexos," explicou Philip Leindecker, do Instituto Federal de Tecnologia (ETH) de Zurique, na Suíça.