Digitalização alcança 94 milhões de leitores e transforma hábitos

admin
6 Sep, 2026
Digitalização alcança 94 milhões de leitores e transforma hábitos Debater o acesso à cultura por meios eletrônicos pode ser uma estratégia para participantes da 20a edição do Desafio de Redação O tema da 20a edição do Desafio de Redação propõe uma reflexão sobre como seria a vida sem os recursos digitais. Com a provocação O mundo em silêncio digital por um dia. E agora?, o concurso convida os participantes a discutirem a intensa evolução tecnológica e os impactos provocados por ela na sociedade. Desde a abertura do concurso, o Diário ouviu pedagogos, psicólogos e outros especialistas para apresentar possíveis abordagens e reflexões que podem ajudar os participantes a colocar as ideias no papel. Apesar de questões como a dependência tecnológica, alunos e professores também trazem diferentes perspectivas que vão além da crítica à digitalização e mostram parte das oportunidades geradas por esse processo. Uma delas é a transformação dos hábitos proporcionada pela praticidade dos recursos tecnológicos. A empresa Nielsen BookData apontou que o hábito de leitura vem mudando no País e pode ser aprimorado pela internet. De acordo com a pesquisa, 94 milhões de brasileiros já utilizam celulares, notebooks ou outros dispositivos para ler. A pesquisa Perfil e Hábito do Leitor Digital Brasileiro buscou identificar o modelo de consumo dos habitantes e desmistificar a percepção de que o território nacional não explora a literatura. Esse é o caso da contadora de Santo André, Cassandra Fernandes, 30 anos, que utiliza o popular aparelho do setor literário, Kindle, desde 2022. Apesar de gostar muito dos livros físicos, a leitora contou que se apaixonou pela praticidade de carregar um universo de opções em apenas um dispositivo. “Entendi que o formato digital poderia complementar esse hábito, principalmente pela facilidade de incorporar a leitura a diferentes momentos da rotina. Acabou se tornando meu principal meio de leitura”, comentou. Moradora do bairro Campestre, Cassandra contou que não sai de casa sem seu Kindle. “Com o livro físico, normalmente precisava me organizar para levá-lo comigo, além do medo de rasgar ou molhar fora de casa. No digital, passei a aproveitar pequenos intervalos do cotidiano para ler, por exemplo, no trajeto entre casa e trabalho e em momentos de espera. Isso tornou a leitura mais presente na minha rotina e mostrou que a tecnologia não afasta necessariamente as pessoas dos livros, também pode aproximá-las.” E a digitalização pode ajudar na leitura de diversas vertentes. O estudante de Relações Públicas da UFABC (Universidade Federal do ABC), Paulo Henrique Beserra, 20, começou há cinco anos a consumir histórias em quadrinhos pelo celular. Além de o valor ser mais acessível, o são-bernardense acredita que foi uma mudança necessária. “Gosto da história que um livro físico pode carregar, só que, com o celular, consigo levar milhares de livros comigo, é muito mais simples”, comentou. Para ele, também ajudou nos estudos universitários. “Hoje, leio muitos artigos e livros acadêmicos que são difíceis de encontrar na versão física ou não estão disponíveis no Brasil. Com o celular, consigo encontrar esses exemplares e ainda ler com mais facilidade no ônibus, por exemplo”, relatou o estudante. REFLEXÃO Para a Gestora da Escola de Formação de Professores e Inovação Pedagógica da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Marinalva de Jesus Almeida, o vilão da digitalização desfreada não é o aparelho por si, mas plataformas feitas para viciar o usuário. “A pesquisa serviu para desmontar a falsa oposição entre livro e tela. O meio digital também ampliou o acesso ao conhecimento, tornando-o mais inclusivo para diferentes públicos, como pessoas que utilizam leitores de tela e aquelas que possuem pouco dinheiro ou espaço físico para armazenar livros”, comentou. Marinalva destacou ainda que o tema deste ano do concurso literário dialoga de forma harmônica com o cenário apresentado na pesquisa. “Ler é uma ação que demanda concentração, paciência, insistência e exatamente o que a economia da atenção das redes sociais tenta tornar insuportável”, concluiu. Neste ano, o Desafio bateu o recorde de inscrições com 401 escolas e distribuição de R$ 2,5 milhões em prêmios. A cerimônia de premiação será realizada no dia 11 de novembro, no Cenforpe (Centro de Formação dos Profissionais da Educação), no bairro Planalto, em São Bernardo.