CD Fiocruz debate temas estratégicos durante reunião no Instituto Aggeu Magalhães (IAM) | Portal Fiocruz
10 Sep, 2026
O Conselho Deliberativo (CD) da Fiocruz esteve reunido, de 31 de agosto a 2 de setembro, no Instituto Aggeu Magalhães (IAM/Fiocruz Pernambuco), acompanhando também a solenidade pelos 76 anos da unidade anfitriã. Em mais uma etapa de debate e análise sobre o processo de reposicionamento institucional da Fundação, o Conselho decidiu pela publicação de uma carta à comunidade da Fiocruz que destaca a construção coletiva e democrática da proposta e reafirma a garantia das cláusulas pétreas da Fiocruz. O encontro também tratou da Política de Ações Afirmativas da Fundação, voltada à promoção da equidade e da inclusão, e acompanhou o processo de acreditação em serviços ambulatoriais da Fiocruz, incluindo a certificação recente do Serviço de Referência Nacional em Filarioses da Fiocruz Pernambuco. A pauta também contou com a apresentação da nova fase do processo de reestruturação das marcas institucionais e do Programa Fiocruz Cerrados. Em votação unânime, foi aprovada a concessão do título de pesquisadora emérita a Aldina Maria Prado Barral, do Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia). A programação incluiu, ainda, o compartilhamento das ações de enfrentamento à violência contra a mulher e de mobilização pela agenda Feminicídio Zero, além de visita às instalações e apresentação das atividades da Fiocruz Pernambuco. | Confira os destaques: Boas-vindas do IAM: Fiocruz Pernambuco salienta a importância da interação entre o CD nacional e o Conselho da Unidade Reposicionamento institucional: atualização sobre as tratativas junto ao Governo Federal Políticas afirmativas: balanço das ações, do impacto institucional e diretrizes para o fortalecimento da equidade na Fiocruz Pesquisadora emérita: aprovação do título a Aldina Maria Prado Barral Marcas da Fiocruz: nova fase do projeto de fortalecimento da identidade visual da instituição Feminicídio zero: a agenda da Fiocruz para o enfrentamento da violência contra as mulheres Programa Fiocruz Cerrados: aproximação da Fundação com universidades, órgãos públicos, organizações da sociedade civil e povos e comunidades tradicionais | Boas-vindas do IAM Na abertura da reunião, o diretor da Fiocruz Pernambuco, Pedro Miguel dos Santos Neto, salientou a importância da interação entre o CD nacional e o Conselho da Unidade, com a perspectiva de troca de experiências e de oportunidade de novas cooperações entre as unidades da Fundação. Na sequência, os departamentos científicos do IAM foram apresentados pelas respectivas lideranças. A infraestrutura, parcerias internacionais, formação de recursos humanos, desafios e visão de futuro foram alguns dos temas em pauta. Os integrantes do CD também tiveram oportunidade de visitar os espaços laboratoriais da Fiocruz Pernambuco, além de biobanco, plataformas tecnológicas, biblioteca, ambulatório e o Centro Âncora Nordeste do Genoma SUS. Reposicionamento institucional O diretor-executivo da Fiocruz, Juliano Lima, compartilhou uma atualização sobre as tratativas junto ao Governo Federal em torno da proposta de reposicionamento institucional da Fundação. Em fase de construção coletiva no contexto do X Congresso Interno, a proposta está consolidada no formato de um Anteprojeto de Lei (PL) [clique para acessar]. “Com o início do processo eleitoral no país, a expectativa é de que o cronograma das tratativas se estenda no âmbito do Poder Executivo. Como a reunião prevista com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) ainda não foi realizada, a avaliação é de que, embora seja necessário manter o trabalho em andamento no contexto da Fiocruz, são reduzidas as perspectivas de o processo avançar dentro do mês de setembro”, comentou Juliano. No Conselho, a pauta teve foco na necessidade de fortalecer o diálogo interno junto à comunidade Fiocruz. “A proposta é assegurar uma comunicação transparente, sem antecipar decisões ou alterar o curso do diálogo em andamento junto ao Governo Federal”, disse o diretor-executivo, reforçando que o Conselho segue em prontidão, na expectativa de andamentos sobre os trâmites junto ao Governo Federal. Como em reuniões anteriores do Conselho, mais uma vez foi registrada a expectativa dessas pactuações para convocação de uma plenária extraordinária do X Congresso Interno, que estará dedicada ao debate e à votação sobre a proposta de reposicionamento institucional expressa no Anteprojeto de Lei compartilhado com a comunidade da Fiocruz. O CD deliberou pela elaboração de uma carta à comunidade Fiocruz, com o objetivo de manifestar o posicionamento do colegiado sobre o tema e afastar questionamentos em relação à garantia das cláusulas pétreas da Fundação. “Diante da circulação de informações que colocam em dúvida a capacidade da proposta de reposicionamento jurídico e administrativo de assegurar a manutenção do caráter público e estatal da Fiocruz, a carta reafirma dois pontos fundamentais. O primeiro é o papel do Congresso Interno como espaço legítimo, democrático e soberano de deliberação da instituição. O segundo é o compromisso do Conselho Deliberativo de que o reposicionamento institucional seja um instrumento de fortalecimento da missão pública e da capacidade estatal da Fundação”, destacou. A carta está em fase de finalização. Os demais documentos relacionados ao X Congresso Interno e ao processo de reposicionamento institucional da Fiocruz estão disponíveis neste https://congressointerno.fiocruz.br/ Políticas afirmativas A coordenadora de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas, Hilda Gomes, apresentou um balanço das ações, do impacto institucional e diretrizes para o fortalecimento da equidade na Fiocruz. Ela citou iniciativas como a qualificação dos processos seletivos e das comissões de ações afirmativas, além das oficinas sobre letramento racial, anticapacitismo, gênero, sexualidade e diversidade. As atividades foram desenvolvidas pela Coordenação de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas (Cedipa), em parceria com diversas instâncias da Fundação. Hilda destacou, ainda, o Selo Pró-Equidade de Gênero e Raça – reconhecimento que a Fiocruz recebeu pela terceira vez em 2026 –, o Projeto Meninas Negras na Ciência e as ações de fomento à saúde integral no território da Maré, no Rio de Janeiro. Outras ações estão previstas ainda para 2026: a segunda edição do REDEquidade, atividades de letramento e levantamento sobre a acessibilidade nos campi. Aprovação do título de pesquisadora emérita Durante o encontro, o CD Fiocruz aprovou, por unanimidade, a concessão do título de pesquisadora emérita a Aldina Maria Prado Barral. A trajetória da pesquisadora foi apresentada por Alda Maria da Cruz, vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB). Pesquisadora titular do Laboratório de Imunoparasitologia da Fiocruz Bahia, Aldina tem uma trajetória marcada pela pesquisa em protozoologia parasitária humana, especialmente em leishmaniose, Leishmania e imunologia aplicada. Médica pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde também fez residência, é doutora em Patologia Humana e realizou pós-doutorado nos Estados Unidos. Pelo trabalho desenvolvido na área de parasitologia, recebeu o título de Pesquisadora Emérita do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Entre suas principais contribuições estão o uso pioneiro do interferon-gama em casos de leishmaniose visceral resistente ao tratamento, a identificação de Leishmania amazonensis como agente da forma visceral da doença e estudos voltados ao diagnóstico precoce da leishmaniose tegumentar, doença infecciosa que pode causar feridas na pele e nas mucosas. A atuação científica da pesquisadora se estende ainda a temas como chikungunya, Covid longa, autoanticorpos, dinâmica de transmissão e resposta imunológica. “Ela é uma mulher que teve e continua tendo uma ciência ativa e multiplicadora, contribuindo para a melhoria da saúde e para o avanço do conhecimento científico”, ressaltou Alda durante a defesa. Nova etapa para as marcas da Fiocruz A nova fase do projeto de fortalecimento da identidade visual da Fiocruz também foi pauta da reunião. A ação integra o desdobramento da Política de Comunicação da Fiocruz, publicada em 2016. A reformulação da marca da Fiocruz aconteceu em 2024. Agora, o Grupo de Trabalho (GT) da Marca, criado na Câmara Técnica de Informação e Comunicação, apresentou a proposta técnica de reestruturação das marcas institucionais das Unidades e escritórios. O trabalho foi desenvolvido coletivamente entre as equipes de comunicação da Fiocruz em parceria com o GT, com o objetivo de fortalecer a marca da Fiocruz, exaltar a diversidade e identidade das unidades e criar conexão e pertencimento entre as marcas institucionais. Participaram do projeto piloto apresentado quatro unidades e um escritório. A apresentação técnica do tema foi realizada por Cláudia Souza e Silva, membro do GT e designer da Casa de Oswaldo Cruz (COC). “A proposta foi desenvolvida para atender às necessidades de cada unidade, área e escritório, considerando suas características e especificidades, sem perder de vista a integração com a marca Fiocruz”, explicou Cláudia. Em outra frente de trabalho, também está em andamento a reformulação da família de marcas da Diretoria Executiva – o que compreende, por exemplo, a Coordenação-geral de Gestão de Pessoas (Cogepe) e a Coordenação-geral de Gestão da Tecnologia da Informação (Cogetic). O processo de criação e atualização das marcas está previsto para acontecer de forma descentralizada e colaborativa, com diálogo junto aos setores de comunicação das Unidades e escritórios. Novas etapas do processo serão retomadas em CD. Agenda em prol do feminicídio zero A coordenadora de Estratégias de Integração Regional e Nacional, Zélia Profeta, abordou a agenda da Fiocruz para o feminicídio zero e o enfrentamento da violência contra as mulheres. Zélia ressaltou a construção coletiva envolvendo diferentes setores e unidades da Fundação e a ampliação da integração e parceria com outras instituições. Ela explicou as ações realizadas na primeira fase e as iniciativas previstas para a segunda etapa, com a implementação, monitoramento e avaliação da Agenda da Fiocruz no tema. Uma das atividades previstas é a campanha do laço branco – movimento mundial que visa desconstruir o machismo e mostrar que o combate à violência de gênero é responsabilidade de toda a sociedade. Programa Fiocruz Cerrados O Programa Fiocruz Cerrados já faz parte da atuação da Fiocruz no bioma. Os avanços foram apresentados por Valcler Rangel, vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz (VPAAPS), e Guilherme Franco Netto, coordenador do Programa Institucional de Saúde, Ambiente e Sustentabilidade (FioProsas). O programa mapeou mais de 150 instituições e ampliou a aproximação da fundação com universidades, órgãos públicos, organizações da sociedade civil e povos e comunidades tradicionais. “O Cerrado é um território estratégico para o país e enfrenta um cenário de mudanças climáticas e de aquecimento global que exige respostas articuladas. A Fiocruz está inserida nesse conjunto de iniciativas e pode contribuir de forma efetiva para enfrentar os impactos dessas transformações”, destacou Valcler. “A Fiocruz tem um papel importante na articulação de diferentes áreas e instituições e na produção de conhecimento capaz de apoiar ações e fortalecer as respostas aos desafios do território”, ressaltou Guilherme. Recobrindo mais de 23% do território nacional, o Cerrado reúne aproximadamente 25 milhões de pessoas e concentra as nascentes de oito das 12 regiões hidrográficas brasileiras. O bioma também mantém conexões ecológicas com a Amazônia, o Pantanal, a Caatinga e a Mata Atlântica e abriga uma rica sociobiodiversidade, marcada pela relação histórica entre natureza, povos originários e comunidades tradicionais. Alojamento estudantil O CD abriu espaço na programação para participação da estudante Sara Maria Xavier da Cruz, que falou do perfil dos estudantes e a situação do alojamento estudantil localizado no Centro de Referência Professor Hélio Fraga, em Jacarepaguá. Diante do cenário de violência urbana na região, a Fundação vem conduzindo, de forma dialogada, a transição do apoio por meio de alojamento para uma política de apoio à moradia, buscando oferecer alternativas mais adequadas e seguras. Em reuniões da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic) e da Diretoria Executiva (DE) com os estudantes, foi criado um grupo de trabalho (GT) – que inclui vice-diretores de Unidades – e apresentado o plano de desocupação gradual do alojamento, ressaltando que o Centro de Apoio aos Discentes (CAD/Vpeic) oferecerá todo o suporte aos residentes atuais na busca por alternativas de moradia. Como parte desse apoio, será ofertado um auxílio moradia no valor de R$ 800. O benefício terá duração de um ano, podendo ser prorrogado por mesmo período, caso o(a) estudante permaneça com matrícula ativa. O presidente Mario Moreira agradeceu a presença e afirmou dar continuidade ao diálogo com os estudantes por meio da Vpeic e da Diretoria-Executiva (DE). Informes Como tem ocorrido na rotina das reuniões do Conselho, o presidente Mario Moreira compartilhou um conjunto de ações institucionais recentes. Entre os destaques, esteve a agenda de interlocução com o Ministério da Saúde (MS) sobre o avanço do processo de integração entre o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) e ao Hospital da Lagoa. A outorga do título de pesquisador emérito ao professor Romeu Gomes, em cerimônia realizada no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), também foi pontuada. Foi destacada a reunião com a Fundação bioMérieux, que tratou da proposta de transformar o Centro de Pesquisa e Inovação em Diagnósticos, em Jacarepaguá, por meio de Bio-Manguinhos, em um polo de pesquisa e desenvolvimento de insumos e kits diagnósticos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS) – além da possibilidade de novos projetos de transferência de tecnologia. Outro destaque foi a assinatura de um protocolo de intenções com a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), cujo objetivo é estabelecer bases para uma cooperação técnica estratégica entre as instituições. Com vigência de 36 meses, o acordo prevê o intercâmbio de conhecimentos e o desenvolvimento conjunto de projetos nas áreas de pesquisa, ensino, extensão e inovação.