MP apura ingressos acima do limite em setores do Maracanã e suspeita de receita fora dos borderôs em jogos de Flamengo e Fluminense
11 Sep, 2026
Uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apura se Flamengo e Fluminense disponibilizaram ingressos acima do limite permitido em setores específicos do estádio e se parte das entradas efetivamente comercializadas deixou de aparecer corretamente nos borderôs das partidas. As novas informações foram publicadas pelo jornalista Diogo Dantas, de O Globo, nesta sexta-feira (11). Segundo a publicação, autoridades trabalham com a suspeita de que bilhetes excedentes comercializados não estejam sendo contabilizados da forma adequada nos documentos financeiros dos jogos. A estimativa levantada pela investigação aponta que a eventual diferença poderia abrir margem para um desvio de aproximadamente R$ 1 milhão por mês. O caso ainda está em apuração e, até o momento, não há conclusão do Ministério Público sobre a ocorrência de irregularidade ou responsabilização dos clubes. Flamengo e Fluminense administram o estádio por meio da Fla-Flu Serviços S.A.. O inquérito civil foi instaurado pelo Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (GAEDEST/MPRJ) em 26 de agosto e analisa partidas realizadas entre dezembro de 2025 e agosto de 2026. O ponto central não é necessariamente o número total de pessoas dentro do estádio. O Ministério Público identificou partidas nas quais há indícios de que a quantidade de ingressos emitidos para determinados setores superou a capacidade oficial dessas áreas. Isso explica situações em que o público geral de um jogo pode permanecer abaixo da capacidade total do Maracanã e, ainda assim, existir suspeita de superlotação. Cada setor possui um limite próprio, que precisa ser respeitado independentemente de haver lugares disponíveis em outras partes do estádio. Para entender as diferenças encontradas, o MPRJ solicitou a relação completa de ingressos emitidos em cada partida investigada. O levantamento precisa discriminar, setor por setor, bilhetes vendidos, cortesias e gratuidades, além do total efetivamente utilizado pelos torcedores nos acessos ao estádio. As autoridades também querem saber se existe alguma justificativa técnica para casos nos quais o número de entradas disponibilizadas ou de pessoas autorizadas a entrar tenha ficado acima da capacidade prevista para determinado setor. Além da segurança provocada por uma eventual superlotação, a investigação passou a observar como os ingressos excedentes aparecem — ou deixam de aparecer — nos borderôs das partidas. O borderô reúne as principais informações financeiras de um jogo, incluindo receitas com bilheteria e despesas da operação. A suspeita investigada é de que entradas efetivamente comercializadas acima das cargas regulares possam não estar sendo registradas de maneira correspondente nesses documentos. É justamente a comparação entre carga disponibilizada, ingressos emitidos, público que efetivamente entrou no estádio e valores declarados que poderá indicar se existe apenas uma divergência operacional ou uma irregularidade financeira. Vale destacar que receitas ligadas a programas de sócio-torcedor e outras fontes podem ter tratamento diferente no borderô. Em explicações anteriores sobre a operação do Maracanã, a própria administração do estádio já havia ressaltado que o documento não representa necessariamente toda a movimentação financeira existente em uma partida. Além de Flamengo, Fluminense e da Fla-Flu Serviços, o Ministério Público enviou ofícios ao Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe), à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) e às empresas FutebolCard e Cognitive Ruptix Solution, responsáveis por etapas da comercialização e logística dos ingressos. O objetivo é cruzar os registros de diferentes agentes envolvidos na operação para determinar quantos bilhetes foram gerados, quantos foram comercializados e quantos torcedores efetivamente passaram pelos acessos. LEI PREVÊ PUNIÇÃO PARA EXCESSO DE INGRESSOS A Lei Geral do Esporte determina que arenas com mais de 20 mil lugares tenham sistemas eletrônicos capazes de controlar o público e a movimentação financeira das partidas. A legislação também prevê sanções caso uma organização coloque à venda ingressos em quantidade superior à capacidade da arena ou permita público acima do limite autorizado.