iPhone Duo: Apple chegou atrasada, mas pode dominar celulares dobráveis?
13 Sep, 2026
Resumo Enquanto a concorrência passou anos aperfeiçoando grandes vincos na tela, dobradiças frágeis e sistemas adaptados, Cupertino assistia a tudo da arquibancada. Finalmente, a Apple entrou em campo com o iPhone Duo. A apresentação do primeiro iPhone dobrável reforça uma estratégia antiga: a marca raramente inaugura uma categoria. Prefere esperar o mercado amadurecer e entrar só quando acredita ter encontrado uma maneira própria e madura de oferecer aquela tecnologia. A Maçã costuma observar durante anos o que funciona, o que dá errado e, principalmente, o que ainda impede uma tecnologia de chegar ao grande público. Foi assim que nasceu a fama de que a Apple chega atrasada, mas, "quando faz, faz melhor". Esse "melhor" merece muitas aspas. Nem sempre significa ter a melhor câmera, a maior bateria, a tela mais avançada ou ser tecnologicamente superior aos concorrentes. No caso do iPhone Duo, vemos a Apple pegar uma ideia que já existe, simplificar a experiência, integrar hardware e software —com muitos pontos positivos aqui— e usar o enorme poder da sua marca para transformar esse formato em algo que milhões de pessoas desejem. A categoria de dobráveis evoluiu absurdamente nos últimos anos, mas ainda é nichada. Para a maioria das pessoas, esses aparelhos são mais uma curiosidade tecnológica: interessante, cara e possivelmente desnecessária. Mas é aí que o iPhone Duo, com a força do marketing da Apple, pode ter um impacto bem maior do que simplesmente ser mais um dobrável nas lojas. Se o mercado repetir o comportamento que vimos em outras categorias, a chegada da Apple pode funcionar como uma espécie de validação: se até ela decidiu que chegou a hora de dobrar o iPhone, talvez os dobráveis finalmente tenham deixado de ser vistos como um experimento. E isso coloca pressão sobre todo mundo. Tem ainda um efeito importante: uma parcela enorme de consumidores que vive praticamente dentro do ecossistema da Apple agora será apresentada ao formato dobrável pela primeira vez. Isso amplia a vitrine da categoria. A concorrência vai responder ao produto da Apple. Desenvolvedores ganham mais motivos para adaptar seus aplicativos a diferentes tamanhos e formatos de tela. Fabricantes de componentes recebem mais pedidos. A produção aumenta. E tecnologias que hoje ainda são caras podem ganhar escala. Porém, existe um bom motivo para não tratar esse "efeito Apple" como uma regra: o Vision Pro, óculos de realidade mista da marca. A Apple também passou anos observando o mercado antes de apresentar sua própria interpretação, mais sofisticada (e cara), integrada ao seu ecossistema e rebatizada sob o guarda-chuva da "computação espacial". Mas nem isso, nem o peso da marca, foram suficientes para transformar a categoria em um fenômeno de massa. Assim, talvez a pergunta mais interessante agora não seja se o iPhone Duo vai ditar os rumos dos dobráveis, mas se ele vai conseguir fazer o que o Vision Pro não fez: convencer o grande público de que precisa de um produto que, até então, parecia perfeitamente dispensável. No outro extremo, está o Apple Watch. A Apple não inventou o smartwatch e chegou a um mercado em que Samsung, Pebble e outras fabricantes já navegavam há anos. Mas sua entrada ajudou a amadurecer e popularizar a categoria, que deixou de ser vista apenas como um acessório para entusiastas e agora está no pulso de muita gente. Fato é que a Apple observou muito bem a seção de celulares dobráveis antes de fazer sua aposta. E, se a história se repetir, pode acontecer um fenômeno aparentemente injusto, mas nada surpreendente: marcas que passaram anos construindo o mercado podem acabar vendo a Apple chegar atrasada e colher boa parte dos louros. Nas redes sociais, concorrentes logo alfineteram a Maçã. A Samsung publicou algumas frases provocativas, incuindo "A imitação é a forma mais sincera de elogio" e "Avise-nos quando terminar de reaquecer nossas sobras". Já a Motorola soltou um vídeo relembrando sua trajetória com celulares dobráveis, desde o clássico V3 até a linha razr, com o título "O que eles chamam de novidade, nós chamamos de legado"; no final do vídeo, um spoiler: a silhueta de um novo modelo, aparentemente no formato de passaporte. iPhones em oferta Celulares dobráveis em oferta Escolhemos cada produto de forma independente e checamos os preços na data da publicação (ou seja, podem variar!). Ao comprar pelos nossos links, ganhamos uma comissão, mas você não paga nada a mais por isso. O UOL não participa da comercialização dos produtos destacados neste conteúdo e não se responsabiliza pela compra. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.