Google entra no coro pela desaceleração da IA
14 Sep, 2026
Resumo O Google aderiu neste domingo ao pedido de desaceleração feito por Dario Amodei, completando o apoio das quatro maiores empresas ocidentais de inteligência artificial. Demis Hassabis, cofundador e presidente do conselho da Google DeepMind, disse que os detalhes ainda precisam ser acertados, mas que a direção é a correta diante do momento. Era o único nome do pelotão de frente que havia ficado em silêncio — e o fato de todos estarem agora do mesmo lado do argumento é, em si, razão para examinar o que exatamente está sendo combinado. O dinheiro anda em direções opostas. A Anthropic prepara a maior abertura de capital da história, avaliada acima de US$ 2 trilhões, e deve iniciar em breve a divulgação a investidores, segundo o Guardian. Sam Altman, por sua vez, disse à revista Fortune que a OpenAI não abrirá capital em 2026 — e deu como motivo justamente a segurança: seria um momento mal aconselhado para ir ao mercado. Assessor de Trump rebate o pedido de autorização. David Sacks, copresidente do conselho de assessores de ciência e tecnologia da Casa Branca, respondeu que ninguém precisa de permissão de terceiros para desacelerar — e apontou o interesse próprio por trás do gesto: as empresas respondem civilmente se seus produtos viabilizarem um ataque cibernético grave. Do outro lado do espectro, o pesquisador David Krueger, ex-diretor fundador do instituto britânico de segurança em IA, observou que o plano não reduz o risco a um patamar aceitável — e que Amodei toma o cuidado de não afirmar que reduziria. O relatório que antecedeu o ensaio. Na quinta-feira, dias antes do texto de Amodei, a própria Anthropic publicou relatório descrevendo como atores na China, na Rússia, no Irã e no Iêmen usaram seus modelos Claude para montar ataques cibernéticos, vigiar dissidentes e projetar mísseis, bombas e drones — além de possíveis tentativas de engenharia de armas biológicas. A empresa diz ter bloqueado ou frustrado boa parte dos casos. Segundo o New York Times, foi esse documento que deu urgência às manifestações no Congresso — reúne beligerantes estrangeiros e alvos americanos, a combinação que costuma mover Washington. Não moveu até aqui." No Congresso, projetos não saem do papel. O New York Times documenta a distância entre o alarme e a reação. Mais de 1.300 cientistas da computação assinaram um apelo à desaceleração, em eco deliberado à carta de Einstein a Roosevelt sobre a bomba atômica. Barack Obama pediu reservadamente a líderes democratas um plano claro sobre os riscos. Bernie Sanders defende proibir a superinteligência. Ted Cruz — que acusa os críticos de querer entregar a liderança à China e ao mesmo tempo diz temer o risco — negocia com Amy Klobuchar e John Thune um projeto restrito a ameaças biológicas e nucleares. Nada disso vira lei a dois meses da eleição. O decreto assinado por Trump no início do verão americano criou apenas uma revisão de segurança voluntária de 30 dias, da qual estão fora os modelos de código aberto: exatamente os que a China exporta. O obstáculo de fundo é de verificação. Diferentemente do controle de armas nucleares, o cumprimento de um acordo de IA seria praticamente impossível de fiscalizar. É uma das razões que o New York Times aponta para a paralisia: a corrida com a China funciona como um dilema do prisioneiro — os dois países estariam melhor cooperando, e nenhum confia que o outro cumpriria. Xi Jinping chega a Washington em menos de duas semanas. Questionado sobre o assunto, Trump disse que os EUA lideram com folga e passou a falar do jantar de Estado que vai oferecer ao líder chinês. Fora do circuito. O rei Charles recebe nesta semana, na Escócia, executivos das principais empresas de IA para perguntar como a tecnologia pode ser desenvolvida em benefício da humanidade. Estão previstos Jensen Huang, da Nvidia, Hassabis e Paolo Benanti, assessor do papa para ética e tecnologia. Organiza o encontro a Fundação Ditchley, que preparou um rascunho de carta de princípios. O cerco ao petróleo se fecha pelos dois lados Um cargueiro iraniano foi atingido na madrugada deste domingo perto da ilha de Qeshm, no estreito de Hormuz. A agência estatal iraniana Irna fala em um morto e quatro feridos e cita o governador da província atribuindo o ataque a um "inimigo terrorista", sem apresentar provas; os Estados Unidos não se manifestaram. A agência marítima britânica UKMTO registrou um navio atingido por projétil no estreito, com incêndio e evacuação da tripulação — não ficou claro se é o mesmo caso. O quadro mais amplo Os houthis, aliados do Irã, tomaram na sexta-feira a ilha de Perim (também chamada Mayun), na entrada do mar Vermelho, e a cidade portuária de Mocha. Avançam agora em direção a Marib, no norte, sob bombardeios sauditas. Dezenas de milhares de iemenitas deixaram suas casas. No mesmo dia, drones lançados a partir do Iraque desativaram o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, de 1.200 km — a rota que servia justamente para escoar petróleo sem passar por Hormuz. Ninguém assumiu o ataque; Trump apontou Teerã. Riad tem estoque no porto de Yanbu para sustentar exportações por cinco a sete dias, segundo compradores ouvidos pela Reuters. Passado esse prazo, até 4% da oferta mundial entra em risco. O petróleo superou US$ 100 na semana passada, pela primeira vez desde julho. O diesel no varejo americano bateu novo recorde neste domingo, acima de US$ 6,20 o galão (3,8 litros). Nesta segunda-feira, o Irã se reúne com países do Golfo em Omã para apresentar um entendimento sobre o tráfego no estreito. Apenas o Iraque confirmou presença; o Bahrein disse que não vai, por não ter relações com Teerã; o próprio Omã não anunciou publicamente a reunião. E o governo iraniano já avisou: acordo com Omã não significa reabertura — o estreito só abre quando os EUA suspenderem o bloqueio aos portos iranianos. O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, telefonou a Trump na quinta-feira pedindo ajuda militar contra os houthis. Recebeu apoio de inteligência e cerca de 100 assessores militares, segundo CNN e Reuters. Um ex-assessor do governo saudita diz que Riad nunca pediu bombardeios americanos, só informação. Análise da CNN: a Arábia Saudita ficou sem saídas boas. Escalar significa entrar na guerra EUA-Irã como combatente e reabrir um conflito que já produziu a pior crise humanitária do mundo — 22 milhões de iemenitas dependendo de ajuda. Negociar, nas palavras de um analista ouvido pela rede, equivaleria a capitulação. E Washington, às vésperas da eleição e com Hormuz em chamas, não tem ambiente político para abrir mais uma frente. EUA: quem organiza a eleição teme agora o governo federal Reportagem do Washington Post mostra autoridades eleitorais se preparando para cenários que até pouco tempo pareciam absurdos: agentes do ICE nas seções de votação, tropas apreendendo urnas, mudança de regras por decreto na véspera, recusa em homologar resultados. A justificativa seria a fraude de estrangeiros, que os números desmentem — na Geórgia, não cidadãos eram 0,002% dos eleitores registrados. Um professor de direito ouvido pelo jornal resume o risco: a tese de que o presidente pode mudar regras eleitorais por decreto não sobrevive nos tribunais, mas pode produzir efeitos enquanto se vota. Está em jogo a Câmara — e, disse Trump em comício no mês passado, o próprio impeachment. América Latina Venezuela. Oito meses depois da captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, Delcy Rodríguez segue no poder. Em entrevista ao El Nacional, o dirigente do Vente Venezuela Omar González — primeiro do grupo asilado na embaixada argentina a voltar ao país, em 28 de agosto — chama o arranjo de experimento estranho e afirma que o chavismo apenas ganha tempo, apostando numa derrota de Trump nas eleições de meio de mandato. São avaliações de um opositor, não fatos verificados; ele próprio diz não saber quando nem por onde María Corina Machado voltará. A segunda rodada de negociação entre oposição e governo está marcada para 15 de setembro, com inabilitações, novo tribunal superior, cronograma eleitoral e presos políticos na mesa. González também questiona a legalidade do acordo petrolífero assinado com Washington: ninguém conhece as cláusulas, diz, nem quanto fica com os venezuelanos. Argentina. Joaquín Morales Solá escreve no La Nación que a inflação em queda já não compra popularidade para Javier Milei. As pesquisas mostram algo incomum: a avaliação da gestão está de 5 a 10 pontos acima da avaliação pessoal do presidente — cerca de 40 a 42 pontos contra 32 a 34. E, pela primeira vez, um opositor cresce: Axel Kicillof. A negociação com o PRO emperrou — Karina Milei ofereceu apenas os três distritos que o partido já governa, e Mauricio Macri respondeu não —, enquanto a vice-presidente Victoria Villarruel caminha para candidatura própria. Somados, os votos dos dois levariam Milei a um segundo turno em 2027. Enquanto isso, o presidente reacendeu a bandeira das Malvinas, depois de declarações de Trump que o próprio Trump já relativizou ao se oferecer como mediador. Outras notícias Turquia. Pelo menos 162 pessoas foram detidas num fim de semana de operações contra bares, clubes e associações LGBTQ+ em 15 províncias, em ação batizada de "Minha Família Está Segura". O ministro da Justiça fala em investigações por prostituição e obscenidade envolvendo nove associações e 13 empresas; o grupo Kaos GL afirma que dezenas de sites e perfis também foram bloqueados. A campanha integra a "Década da Família" de Recep Tayyip Erdogan, que atribui a queda da natalidade a costumes — enquanto os dados apontam crise econômica, preço da moradia, falta de creche e mais escolaridade das mulheres. A taxa de fecundidade caiu de 2,11 para 1,51 entre 2013 e 2023, aproximando a Turquia da média dos países desenvolvidos. Carros elétricos. A Tesla voltou a ter mais da metade do mercado americano de elétricos: 52% no ano até agosto, contra 43% um ano antes. Não é sinal de força. As vendas da Tesla caíram 16%; o mercado inteiro encolheu 30%, com as montadoras tradicionais abandonando modelos elétricos depois do fim do crédito fiscal federal. O que sustenta a empresa é um único carro, o Model Y — um em cada três elétricos vendidos nos EUA neste ano. O Model 3 caiu 34%; a picape Cybertruck vendeu 9.769 unidades. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.