Estudo reconstitui quatro séculos de transformações do Forte São Luís
15 Sep, 2026
Uma pesquisa desenvolvida por pesquisadores da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) apresentou a reconstituição das transformações históricas e espaciais do Forte São Luís entre os anos de 1612 e 2025. O estudo resultou na elaboração de três mapas inéditos que registram as alterações do marco fundacional da capital maranhense ao longo de mais de quatro séculos de intervenções urbanas. O artigo, intitulado “Do Forte à Avenida: transformações da cultura material no marco fundacional de São Luís (1612-2025)”, é de autoria do professor Érico Peixoto Araujo e da arquiteta e urbanista Ana Beatriz Pinheiro e Pinho. O trabalho foi publicado no volume 34 dos Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material. Evolução histórica e alterações estruturais A fortificação foi erguida em 1612 por franceses e indígenas tupinambás durante a ocupação da França Equinocial. Com o domínio português a partir de 1615, o espaço passou por reformas em pedra e cal para atuação na defesa territorial, servindo também como referência para o planejamento urbano inicial projetado pelo engenheiro Francisco Frias de Mesquita. As alterações na estrutura original intensificaram-se nos séculos seguintes devido a projetos de modernização da cidade. A análise documental destaca momentos como o desarmamento das instalações em 1883, a demolição do portão em 1886 e o seccionamento de suas muralhas na década de 1940, processos que culminaram no traçado atual incorporado à Avenida Beira-Mar. Impacto na paisagem urbana De acordo com os autores, o conjunto de intervenções fez com que a fortificação perdesse a visibilidade e a função militar original, transformando a percepção do espaço na paisagem e na memória cotidiana do município. Para mapear as etapas de modificação, os pesquisadores utilizaram acervos bibliográficos, registros de presidentes da Província e documentos de historiadores e memorialistas.