Nissan Kicks chega à Europa só como híbrido; e por aqui?

admin
17 Sep, 2026
Ainda arrumando sua casa após a crise financeira e operacional de 2024, a japonesa Nissan vem expandindo sua linha com foco nos modelos de maior volume de vendas em todo o mundo, caso do Kicks. Importantíssimo para a operação brasileira, o SUV compacto também tem papel relevante em mercados da Ásia e, agora, ganhará passaporte europeu. Por lá, até então, a marca vinha apostando no polêmico Juke como seu principal SUV compacto, modelo menor e que já contava com eletrificação desde 2022. O Kicks também chegará à Europa apostando em um sistema híbrido, o e-Power de terceira geração, e será produzido no Reino Unido para reforçar a busca da Nissan por volume no segmento. Kicks ganha importância global Criado na década passada para focar em mercados emergentes, como México, Brasil e outros países da América Latina, e já tendo somado cerca de 1,8 milhão de unidades vendidas em todo o mundo, o SUV agora passa a ocupar um espaço mais importante dentro dessa reorganização, inclusive com grandes chances de acabar assumindo também o papel do Juke no futuro. A produção para o mercado europeu ficará em Sunderland, no Reino Unido, onde a fabricante investirá 170 milhões de libras para preparar a linha. A fábrica já concentra parte importante da produção eletrificada da Nissan na Europa e também monta modelos como o médio Qashqai. Sistema e-Power surgiu primeiro na Ásia Apresentada mundialmente em março de 2024, a nova geração do Nissan Kicks com sistema e-Power surgiu há pouco no Japão, terra natal da marca. Para recuperar o tempo perdido, a fabricante tratou de trazer novidades há muito pedidas em outros mercados para alinhá-lo aos seus rivais. Tal como acontece com o Sentra - chamado por lá de Sylphy -, o Kicks híbrido faz uso do sistema de eletrificação que inverte a lógica dos concorrentes ao mover o carro exclusivamente por meio de motores elétricos, sendo o motor a gasolina utilizado para gerar eletricidade, e não para impulsionar o veículo. É quase a mesma ideia dos REEVs, os elétricos com extensor de autonomia de algumas marcas chinesas. No Kicks, há um propulsor-gerador 1.4 que produz eletricidade para alimentar um motor elétrico de 140 cv. Opcionalmente, pode ser encomendado também com tração nas quatro rodas e sistema e-4ORCE, o que significa um segundo motor no eixo traseiro que adiciona 67 cv. Ao menos por enquanto, não há números oficiais para a configuração destinada à Europa. A terceira geração do e-Power também reúne motor elétrico, gerador, inversor, redutor e multiplicador em uma única unidade, chamada pela Nissan de 5-in-1. A solução é mais compacta e leve que a anterior e faz parte do esforço da fabricante para ampliar a tecnologia híbrida para mais modelos e mercados. E por aqui? Independentemente da versão, quem escolher hoje levar um Kicks novo para casa levará sempre o mesmo motor 1.0 turbo herdado do primo Renault Kardian. Diferente da geração anterior, que utilizava um propulsor 1.6 16V aspirado aliado a um câmbio CVT, o novo modelo aposta em um motor de 125 cv (E) e 22,4 kgfm (E), aliado a um câmbio automatizado de dupla embreagem. O sistema também abandonou a tradicional alavanca e é operado por meio de um seletor eletrônico de marchas por botões (e-Shifter). Segundo o Inmetro, o consumo fica na casa dos 8,3 km/l (E) e 11,7 km/l (G) na cidade e 9,9 km/l (E) e 14,3 km/l (G) na estrada. Como ficou maior e mais refinado que o anterior, acabou ficando também mais caro que seu antecessor. Nas vendas, tem tido desempenho bem tímido, vendendo 22.473 unidades durante os meses de janeiro a agosto de 2026, números bem mais baixos que VW T-Cross ou Hyundai Creta, por exemplo, que fizeram 61.934 e 49.163 emplacamentos no mesmo período. Uma nova versão híbrida certamente ajudaria a dar mais argumentos ao SUV, principalmente após a chegada de novos rivais eletrificados na faixa dos R$ 150 a R$ 200 mil no mercado. Resta saber se a Nissan pensa da mesma forma. Leia mais Nissan brinca com Nave da Xuxa em campanha comercial; veja vídeo Nissan faz o Pixo: antes era um Suzuki Alto, agora será um Twingo Nissan Kicks Advance: os Prós e Contras da versão intermediária do SUV Flagra: Nissan NX8 já roda camuflado em São Paulo e mira BYD e GWM