Associação garante vitória definitiva para cultivo de cannabis medicinal

admin
23 Sep, 2026
A Associação Brasileira de Acesso à Cannabis Medicinal do Rio de Janeiro (AbraRio), sediada em Niterói, assegurou na Justiça o direito definitivo para o cultivo da planta voltado ao tratamento de saúde. O encerramento oficial da ação ocorreu após a publicação da certidão de trânsito em julgado na última segunda-feira (21), inviabilizando a apresentação de novos recursos. A confirmação valida a deliberação unânime da 6a Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2a Região (TRF2), proferida em março de 2025, que manteve a decisão inicial proferida pela 3a Vara Federal de Niterói. Com o parecer final, a instituição ganha respaldo legal para realizar pesquisa, plantio, manipulação, transporte, extração e distribuição de compostos derivados do cânhamo estritamente para os seus filiados munidos de receita médica. A entidade é a pioneira no estado do Rio de Janeiro e a segunda no território nacional a obter essa autorização em caráter definitivo. O advogado da instituição, Ladislau Porto, destaca que a conclusão do litígio inaugura uma fase de estabilidade e segurança jurídica para a continuidade das operações. Criada em 2020 por Marilene Oliveira, a AbraRio contabiliza hoje o atendimento a mais de 4,5 mil cadastrados. O desfecho do caso coincide com a consolidação do novo panorama regulatório nacional. Em 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) normatizou o cultivo e o processamento de cannabis para aplicações medicinais e científicas, criando critérios específicos para entidades comunitárias sem fins lucrativos. A diretriz exige padrões rigorosos de rastreabilidade, controle sanitário e segurança operacional, além de proibir expressamente a comercialização dos itens, limitando a entrega aos membros das próprias associações. A medida regulatória atende a uma determinação proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no final de 2024. SOBRE A ABRARIO Criada em 2020 por Marilene Esperança (Marilene Oliveira), após o sucesso do tratamento com cannabis de seu filho Lucas, diagnosticado com Síndrome de Rasmussen e crises epilépticas severas, a associação oferece suporte terapêutico, acolhimento, assessoria e acesso a produtos medicinais acessíveis para patologias de difícil controle. Os pacientes são atendidos mediante apresentação de laudo e prescrição médica. Estimulada pela atuação da Abrace, Marilene fundou a AbraRio e passou a travar também uma batalha jurídica. Desde julho de 2021, ela possui autorização individual para cultivar cannabis e produzir o óleo usado no tratamento do filho. Liminares já permitiram que a associação distribuísse o medicamento aos seus integrantes. A produção mensal chega a 500 a 600 frascos de óleo de 30 ml, extraídos de aproximadamente duas mil plantas. O processo envolve uma equipe técnica composta por engenheiro agrônomo, engenheiro químico e farmacêutico. Cada frasco custa entre R$ 150 e R$ 220, valor muito inferior ao do produto importado, que pode chegar a R$ 5 mil. A duração varia conforme a prescrição: em alguns casos, o frasco pode ser suficiente por até três meses. Para Lucas, o filho de Marilene, dura dois meses — e é atualmente o único medicamento utilizado por ele. Segundo a fundadora, 25% dos associados da AbraRio recebem o óleo gratuitamente. Ela afirma que existem cerca de 150 associações no país dedicadas ao apoio de pacientes que utilizam medicamentos à base de cannabis, mas apenas sete possuem autorização para produzir o óleo. O atendimento a novos associados e dúvidas ocorre por meio do portal oficial Associação AbraRio ou pela página no Instagram @abrariooficial.