Membros das últimas quatro gestões do Corinthians acumulam problemas no clube e na Justiça
24 Sep, 2026
Membros das últimas quatro gestões do Corinthians acumulam problemas no clube e na Justiça O Corinthians vive uma de suas maiores crises da história, com implicações institucionais e financeiras que levaram diversos dirigentes do clube a ser investigados e denunciados em diversas ocasiões, tanto na esfera interna quanto na Justiça. Diante da sucessão de notícias negativas nos últimos anos, resumir o alcance dessas implicações nas últimas gestões do Parque São Jorge torna-se um desafio, mas o Meu Timão decidiu fazer esse levantamento. Nos últimos dias, a reportagem resgatou dezenas de fatos noticiados sobre os presidentes e vice-presidentes que estiveram à frente do Timão desde 2015, resumindo nessa matéria o que cada um deles teve que responder nos órgãos internos do clube ou perante a Justiça. O resumo considera acusações, investigações, denúncias e processos em andamento ou arquivados contra todos os 12 gestores eleitos para comandar o Corinthians entre 2015 e 2026, separando os casos em três categorias: problemas na Justiça, problemas internos no Corinthians e outras controvérsias. Confira: Andrés Sanchez (presidente entre 2018 e 2020) Problemas na Justiça Andrés Sanchez é réu em uma ação movida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por apropriação indébita relacionada ao uso do cartão corporativo do Corinthians para despesas pessoais. O processo foi suspenso pela Justiça em dezembro de 2025, mas permaneceram medidas cautelares, como a proibição de deixar o país sem autorização e de manter contato com dirigentes e testemunhas, além de um bloqueio de até R$ 480 mil. Outra denúncia do órgão, por lavagem de dinheiro e crime tributário, foi rejeitada em primeira instância em março de 2026; o MP recorreu da decisão. No passado, porém, Andrés também já havia respondido por outras acusações. Em 2015, por exemplo, o Supremo Tribunal Federal recebeu uma ação contra ele (à época deputado federal) e outros dirigentes por supostos crimes fiscais depois de o Corinthians quitar R$ 15 milhões em tributos à Receita Federal. A investigação, porém, não resultou em condenação. Outra frente de investigações foi a Operação Lava Jato, que apurou suspeitas relacionadas às obras da atual Neo Química Arena e a supostos pagamentos da Odebrecht. O inquérito que analisava o caso, porém, acabou arquivado definitivamente em 2024, concluindo que os repasses eram, na verdade, doações à campanha eleitoral do ex-dirigente corinthiano. Problemas no Corinthians O primeiro grande problema de Andrés enquanto dirigente do Corinthians foi a reprovação das contas de 2019, analisadas pelo Conselho Deliberativo (CD) apenas em 2021 e rejeitadas por 132 votos contra 130. O caso abriu uma discussão sobre eventual punição interna ao ex-presidente, como um processo de impeachment, mas as tentativas da oposição, à época, foram arquivadas devido ao fato de seu mandato já ter se encerrado quando a reprovação ocorreu. Anos depois, Andrés voltou a ser alvo de um processo interno no clube, desta vez por causa do uso do cartão corporativo. O caso passou pelas Comissões de Justiça e Ética, e esta última recomendou sua expulsão. Em 25 de maio desse ano, o CD aprovou sua expulsão do quadro associativo por 112 votos a 49, com seis abstenções. Duilio Monteiro Alves (presidente entre 2021 e 2023) Problemas na Justiça O primeiro problema de Duilio com a Justiça ocorreu em 2023, quando a Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito contra o ex-dirigente, a pedido do MP, para apurar uma suposta operação de lavagem de dinheiro no Corinthians. A investigação, que também envolveu outros dirigentes e empresários, buscava verificar possíveis irregularidades em negociações e no uso de recursos do clube. Em novembro daquele ano, a Polícia Civil concluiu que as acusações não possuíam materialidade suficiente e encaminhou à promotoria um pedido de arquivamento do caso. Em março de 2026, porém, Duílio acabou por tornar-se réu, quando a Justiça recebeu uma denúncia do MP por apropriação indébita devido ao uso do cartão corporativo do Corinthians para despesas pessoais durante sua gestão, incluindo gastos em free shops, restaurantes, hotéis e outros estabelecimentos sem relação com as atividades do clube. Pouco antes, em janeiro, a promotoria havia instaurado outro inquérito contra ele, para investigar possível desvio de dinheiro e utilização de notas fiscais falsas durante a gestão do ex-dirigente. A apuração partiu de informações sobre despesas em dinheiro vivo e notas de um estabelecimento que, segundo investigação, não funcionaria no endereço indicado nos documentos. O caso segue tramitando, sem apresentação de denúncia até o momento. Problemas no Corinthians Duílio também sofreu consequências no Corinthians devido ao caso dos cartões corporativos, sendo alvo de nove representações apresentadas por sócios e conselheiros solicitando sua expulsão do clube. A Comissão de Justiça do CD chegou a investigar a conduta do ex-presidente, mas em 28 de maio de 2026, ele optou por renunciar ao seu título de sócio remido, ao cargo de conselheiro vitalício e à participação no Conselho de Orientação (Cori), antes de que um processo interno resultasse em seu desligamento. Augusto Melo (presidente entre janeiro de 2024 e maio de 2025) Problemas na Justiça Augusto foi indiciado pela Polícia Civil no chamado "caso VaideBet", envolvendo o repasse indevido de uma comissão pela assinatura de patrocínio entre a casa de apostas e o Corinthians a uma empresa laranja ligada ao crime organizado. O MP concordou com o indiciamento, denunciando o ex-dirigente à Justiça, que recebeu a denúncia e tornando-o réu por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e furto qualificado pelo abuso de confiança. Uma investigação específica sobre o uso de cartões corporativos, entretanto, teve outro desfecho. Depois de examinar as faturas da gestão entre janeiro de 2024 e maio de 2025, o MP solicitou o arquivamento por não identificar uso indevido da ferramenta por Augusto. Problemas no Corinthians Augusto também teve contas rejeitadas no Corinthians, assim como Andrés. No seu caso, a reprovação por parte do CD ocorreu em 2025, relativa à prestação financeira do ano anterior, por 130 votos a 73, com seis abstenções. Conselho Fiscal (CF) e Cori haviam recomendado a medida, em meio a diversas críticas sobre ausência de documentos, números financeiros negativos e ausência de transparência. Além disso, durante seu mandato, foram protocolados quatro pedidos de impeachment. Um deles, relacionado ao caso VaideBet foi admitido pelo CD, que aprovou sua admissibilidade e aprovou a medida, afastando Augusto cautelarmente do cargo em maio de 2025. Pouco depois, em agosto, os associados aprovaram sua destituição definitiva por 1413 votos contra 620. Durante seu afastamento, o ex-presidente protagonizou uma tentativa de invasão à sala da presidência no Parque São Jorge, em 31 de maio de 2025, em meio a um conluio com aliados para tentar retornar ao poder. Mesmo não conseguindo sucesso na empreitada, o caso transformou-se em um procedimento disciplinar na Ética, que acabou culminando em sua expulsão do quadro associativo do Corinthians, em junho desse ano. Osmar Stabile (1º vice de Augusto Melo e presidente desde agosto de 2025) Problemas na Justiça No último dia 15, Stabile foi denunciado pelo MP por apropriação indébita qualificada. Segundo a promotoria, o Corinthians gastou R$ 721,2 mil para pagar, entre julho de 2025 e agosto de 2026, a empresa Bear Security para fazer a segurança pessoal do presidente e, possivelmente, de seus familiares. O caso aguarda análise da Justiça. Além disso, o dirigente também é considerado investigado em outra apuração do órgão, sobre a contratação de outra empresa de segurança, a Mega Assessoria Operacional, que seria ligada a um funcionário do Corinthians. A investigação aponta uma contratação de R$ 676,6 mil e busca esclarecer o papel do presidente na operação. Problemas no Corinthians No Parque São Jorge, Stabile é alvo de três pedidos de impeachment, todos protocolados em 2026. O primeiro questiona o suposto uso indevido da sede alvinegra como garantia em um acordo firmado com a PGFN para renegociação das dívidas tributárias; o segundo trata das contratações de empresas de segurança investigadas pelo MP, e o terceiro contesta sua atuação em questões relacionadas às investigações contra o vice-presidente Armando Mendonça, relativas a possíveis desvios de material esportivo do clube. As contas de 2025 também foram alvo de controvérsia. O motivo guarda relação com a aprovação dos números pelo CD, após recomendação nesse sentido por parte de Cori e CF, ainda que com ressalvas, e pedido de reprovação da Comissão de Finanças do Conselho, devido aos diversos questionamentos feitos pela auditoria da Parker Russel, sobre principalmente a utilização do deságio obtido com o acordo feito junto à PGFN nesse exercício financeiro. Armando Mendonça (2º vice de Augusto Melo) Problemas na Justiça Armando tornou-se réu em junho de 2026 por conta do chamado "caso Nike". A Justiça recebeu denúncia do MP e o passou a processar o dirigente por apropriação indébita agravada continuada, tentativa de apropriação indébita, furto qualificado pelo abuso de confiança e coação no curso do processo devido a um suposto desvio de materiais esportivos fornecidos pela Nike ao Corinthians. Problemas no Corinthians O caso Nike também gerou um processo disciplinar interno. Primeiramente, a Comissão de Justiça do CD concluiu que havia indícios de violações ao estatuto e recomendou o encaminhamento do caso à Ética. Um procedimento chegou a ser aberto, mas foi anulado pela Justiça, devido a supostos "vícios estruturais" no seu rito de implementação. Um novo processo já foi aberto, segundo soube o Meu Timão, com relator designado nas últimas semanas. Elie Werdo (1º vice de Duilio Monteiro Alves) Não foram encontradas acusações, investigações, denúncias ou processos em andamento ou arquivados contra o ex-dirigente por conta de sua atuação no cargo. Luiz Wagner Alcântara (2º vice de Duilio Monteiro Alves) Não foram encontradas acusações, investigações, denúncias ou processos em andamento ou arquivados contra o ex-dirigente por conta de sua atuação no cargo. Edna Murad Hadlik (1ª vice de Andrés Sanchez) Não foram encontradas acusações, investigações, denúncias ou processos em andamento ou arquivados contra a ex-dirigente por conta de sua atuação no cargo. Alexandre Husni (2º vice de Andrés Sanchez) Problemas na Justiça Em 2020, uma investigação do Ministério Público Federal envolvendo o juiz Leonardo Safi de Melo, denunciado por corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, chegou ao clube na época em que Husni era vice de Andrés Sanchez. O chamado "caso Corinthians" envolveu um suposto pedido de propina, por parte do grupo criminoso do qual Safi fazia parte, para proferir uma decisão que suspendesse a cobrança de débitos tributários do clube. Dirigentes da gestão, incluindo Andrés, foram ouvidos e confirmaram a oferta de propina, mas negaram ter aceitado. Husni chegou a confessar o pagamento de R$ 17 mil à organização criminosa, mas afirmou que a propina tinha relação com um processo particular de seu escritório, e não com atividades do clube. O ex-dirigente não chegou a ser denunciado na peça criminal apresentada pelo MPF contra Safi e os outros integrantes do esquema. Problemas no Corinthians Husni é alvo, desde o último dia 19, de uma representação de associados do Corinthians que desejam a sua investigação na Ética, devido à conduta contra a reforma estatutária do clube. O conselheiro vitalício, em conjunto com os também vitalícios Guilherme Strenger e Ademir Benedito, buscou a Justiça por meio de diversas ações nos últimos meses para impedir a realização da Assembleia Geral que permitiria aos associados modificar as normas do clube, a partir de alterações votadas pelo CD em abril e maio. Duas liminares foram conseguidas pelo grupo, sendo uma delas para barrar a AG que seria realizada no Parque São Jorge, justamente no último sábado. Roberto de Andrade (presidente entre 2015 e 2018) Problemas na Justiça Em 2016, durante o início de seu mandato à frente do Corinthians, Roberto de Andrade teve um inquérito contra si aberto pela Polícia Civil, a fim de apurar possível falsidade ideológica relacionada a documentos da atual Neo Química Arena assinados por ele antes de sua posse. O caso terminou arquivado judicialmente em março de 2017. Problemas no Corinthians O mesmo caso que levou ao inquérito da Polícia Civil também foi utilizado para solicitar o impeachment de Roberto no Parque São Jorge. Ao todo, 63 conselheiros pediram a abertura do procedimento, em novembro de 2016, mas o caso sequer chegou a ter o mérito analisado pelo CD, pois na votação do caso, em fevereiro de 2017, o órgão rejeitou a admissibilidade do pedido, por 183 votos contra 81. André Luiz de Oliveira, o André Negão (1º vice de Roberto de Andrade) Problemas na Justiça Antes de ser eleito vice-presidente do Corinthians, André Negão foi alvo das mesmas investigações da Lava Jato que miraram em Andrés. Ele foi conduzido para depor sobre uma suspeita de recebimento de R$ 500 mil relacionados às obras do estádio alvinegro em Itaquera, mas acabou sendo beneficiado pelo arquivamento do caso, sem sofrer nenhum tipo de denúncia. O ex-dirigente também foi alvo de outra controvérsia judicial, na mesma época. Após depor à polícia na investigação citada acima, ele acabou preso em flagrante por posse ilegal de armas, após a apreensão de duas pistolas em sua residência. Foi liberado após pagar fiança de R$ 5 mil. Problemas no Corinthians Após as suspeitas levantadas pela Lava Jato, a Ética do Corinthians chegou a abrir um procedimento disciplinar para analisar a situação de André, buscando documentos sobre o caso na Justiça Federal e recebendo sua defesa sobre as apurações. O caso não resultou em consequências internas, na prática. Jorge Agle Kalil (2º vice de Roberto de Andrade) Não foram encontradas acusações, investigações, denúncias ou processos em andamento ou arquivados contra o ex-dirigente por conta de sua atuação no cargo