Diamantino: Criado um diamante poroso

admin
24 Sep, 2026
Redação do Site Inovação Tecnológica - 24/09/2026 Diamantino Tanto o diamante quanto o grafite dos lápis são formados pelo mesmo elemento químico, o carbono. A diferença entre os dois está na estrutura cristalina, no modo como os átomos de carbono se organizam - o diamante tem uma estrutura cristalina cúbica, enquanto no grafite os átomos de carbono se organizam em uma estrutura hexagonal em camadas. Agora, Yizhou Yang e colegas da Universidade de Gotemburgo, na Alemanha, criaram uma nova estrutura tridimensional de carbono, uma espécie de diamante poroso, batizado de diamantino. Durante muito tempo, os alótropos físicos do carbono se limitavam ao diamante, ao grafite e aos três materiais de carbono produzidos artificialmente: Fulereno, grafeno e nanotubos de carbono. Os desenvolvimentos do grafeno e do fulereno foram reconhecidos com Prêmios Nobel, em grande parte porque a própria ideia de que esses materiais poderiam existir era inovadora. Nos últimos anos, porém, foram criados muitos outros novos alótropos do carbono, mas ninguém até agora havia conseguido produzir um com estrutura tridimensional. "Agora vamos investigar as propriedades do diamantino e como ele pode ser usado. Um aspecto interessante da estrutura porosa é que várias estruturas de diamantino podem ser entrelaçadas através dos poros umas das outras", disse o professor Karl Borjesson, coordenador da equipe. Estruturas covalentes A equipe estava interessada inicialmente em outro material também ganhador do Nobel, as estruturas metal-orgânicas, ou MOFs. São compostos híbridos resultantes da junção de elementos metálicos e orgânicos, com uma porosidade extrema - a descoberta dessas cerâmicas ultraporosas rendeu o Nobel de Química de 2025. A ideia era criar materiais porosos sem precisar de íons metálicos, nos quais moléculas à base de carbono se ligam para formar o que é conhecido como estruturas orgânicas covalentes (COFs). Foi durante esse trabalho que Yang conseguiu ligar átomos de carbono uns aos outros por meio de ligações triplas, criando o alótropo de carbono diamantino pela primeira vez no mundo - o diamantino, este inédito alótropo tetraédrico do carbono, foi descrito teoricamente pela primeira vez há 35 anos. "Os dois primeiros anos envolveram mais tentativas frustradas do que consigo me lembrar. Explorei muitas condições de reação diferentes. A química em si era relativamente simples. O principal desafio era obter um produto cristalino," contou Yang. Diamante com estrutura porosa O diamantino foi criado usando equipamentos relativamente simples e baratos, com o material se formando como uma película fina onde dois líquidos se encontram. A nova estrutura porosa se cristaliza com os átomos de carbono dispostos em tetraedros conectados entre si em todas as três dimensões. "A estrutura cria vazios entre os tetraedros. O alótropo de carbono pode, portanto, ser comparado a um diamante poroso. Mas, ao contrário dos diamantes, o diamantino não requer alta pressão para que os átomos de carbono se liguem uns aos outros," detalhou Borjesson. A estrutura cristalina foi confirmada por microscopia eletrônica, embora apenas em áreas específicas da superfície do filme. "Pelo menos conseguimos produzir padrões repetitivos de diamantino em um volume de 10 nanômetros de cada lado, 10-9 x 10-9 metros, e as imagens dos padrões correspondem bem com os modelos teóricos," disse o pesquisador. Embora continuem tentando melhorar o processo, para fabricar amostras de diamantino maiores, a equipe já pensa em estudar o novo material usando as minúsculas amostras que estão conseguindo produzir.