Corinthians prevê impacto de quase meio bilhão de reais com restrição de bets; valor pode aumentar
26 Sep, 2026
Corinthians prevê impacto de quase meio bilhão de reais com restrição de bets; valor pode aumentar O Corinthians se prepara para um impacto pesado após a medida provisória (MP) do Governo Federal, na última sexta-feira, que restringe o funcionamento das casas de apostas no país. O clube trata como certa uma perda de arrecadação de ao menos R$ 480 milhões junto à Esportes da Sorte, patrocinadora máster do clube desde 2024. Segundo soube o Meu Timão, o valor é referente aos próximos três anos válidos do contrato: 2027, 2028 e 2029. Em fevereiro deste ano, vale lembrar, a diretoria liderada por Osmar Stabile chegou a um acordo pela renovação do vínculo, com R$ 150 milhões fixos, além de demais entregas, mas o montante poderia chegar a R$ 200 milhões anuais com bônus por metas. Antes, o vínculo da empresa junto ao Timão era de R$ 309 milhões por três anos (R$ 103 milhões por temporada). O número, porém, é tratado com temor, uma vez que a quantia pode subir. Uma das razões são as variáveis em caso de título, por exemplo, que elevaria o faturamento anual pré-estabelecido no contrato. Sem o patrocínio da bet, o clube já calcula um possível impacto maior, apesar de variável ano a ano. Além disso, a medida governamental pode respingar em outros acordos firmados pelo Corinthians. Em maio de 2024, ainda sob a gestão do ex-presidente Augusto Melo, o clube alvinegro elevou o contrato com a Brax para a exploração das placas de publicidade da Neo Química Arena em jogos do Brasileirão. A nova negociação aumento em R$ 90 milhões o valor repassado ao Timão, que igualou o Flamengo e tinha direito a R$ 330 milhões até 2029. De acordo com apuração do Meu Timão, estes números ainda não são vistos como garantidos como uma perda de receita. No entanto, há o receio de um "efeito rebote" devido à presença das bets nas placas de publicidade, gerando diminuição de faturamento para a detentora da exploração de patrocínio. Outro ponto diz respeito à cota de televisão. A assinatura junto ao Futebol Forte União (FFU), em 2024, rende ao Corinthians pouco mais de R$ 1 bilhão pelos direitos de transmissão até 2029 (cerca de R$ 210 milhões por ano, mas com possibilidade de chegar a R$ 250 milhões a depender do desempenho esportivo). Ao olhar para todos os detentores do Brasileiro, quatro casas de apostas (Betano, Bet365, Betnacional e Superbet) figuravam com ações de publicidade ao longo dos jogos. A Copa do Brasil, por sua vez, possuía o naming right da Betano desde 2023 — a empresa tem vínculo com o Brasileirão até o fim desta temporada. No mata-mata nacional, a premiação pelo tetracampeonato corinthiano foi de quase R$ 98 milhões. No Brasileirão, os números não foram divulgados à época, mas o Meu Timão antecipou que o término na 13ª colocação virou desperdício de quase uma folha salarial do ano passado. Na Série A do Brasileirão, 14 dos 20 clubes possuem empresas de apostas como patrocinadoras máster. Segundo levantamento da Sports Value, as bets pagaram R$ 1,145 bilhão em patrocínios aos 20 times de maior receita do país no último ano. Antecipação até o fim do ano Apesar do fim iminente da parceria, o Corinthians já chegaria ao final do ano em situação delicada. Segundo soube o Meu Timão, a diretoria pegou um adiantamento das receitas com a Esportes da Sortes referentes a outubro, novembro e parte de dezembro. O valor ao qual o clube teria direito no restante de 2026 gira em torno de R$ 20 milhões. O clube do Parque São Jorge tem recorrido a outras fontes. Como trouxe o portal, o Corinthians receberá R$ 10 milhões em outubro como antecipação de uma parcela dos valores referentes aos direitos de transmissão negociados pelo clube com o FFU. O pagamento faz parte de uma decisão tomada nesta quarta-feira pelos clubes que integram o bloco e representa uma antecipação de receitas previstas para o fim da temporada. A preocupação com o fim da arrecadação junto à Esportes da Sorte vem em um contexto de crescimento da dívida geral do Corinthians. O clube encerrou o primeiro semestre com déficit de R$ 246 milhões e dívida total de R$ 2,8 bilhões, segundo o balancete no site oficial da instituição. O Corinthians ainda possui dois meses de direitos de imagem em atraso com o elenco masculino de futebol, além de premiações da Libertadores e do Brasileirão.