Dossiê Toyota: novo Corolla muda tudo e família terá até picape rival da Toro
29 Sep, 2026
Lançada na virada da década, a geração atual do Corolla já não é exatamente uma novidade no mundo e já mostra os sinais de idade comparada aos seus novos rivais. Mas a espera tem um motivo, e dos grandes: a próxima encarnação do modelo mais famoso da Toyota irá mudar tudo para tentar continuar a ser referência em sua categoria, marcando a maior ruptura em toda a sua história. Segundo novas informações publicadas pela Car and Driver, a 13ª geração deverá estrear globalmente em 2027 com uma evolução profunda da atual plataforma e uma estratégia multienergia inédita na família. Dependendo do mercado, haverá espaço para versões a combustão, híbridas, híbridas plug-in e até uma configuração 100% elétrica. O mais diferentão da história A própria Toyota já mostrou o caminho que pretende seguir ao apresentar, durante o Japan Mobility Show de 2025, um conceito do Corolla que pouco lembra o sedã atual. A carroceria ficou mais baixa, larga e afilada, com proporções próximas às de um cupê e uma dianteira praticamente sem grade. Os faróis principais foram deslocados para as extremidades do para-choque, enquanto uma faixa de LED atravessa a parte superior da dianteira e lembra o que já está presente hoje no Prius e no RAV4. De perfil, aparecem rodas de 21", puxadores embutidos e janelas sem moldura, enquanto a traseira combina forte queda do teto, tampa curta, pequeno spoiler integrado e lanternas estreitas interligadas. Foto de: Motor1 Brasil Esse tipo de ruptura visual acompanha uma mudança que a marca vem promovendo há alguns anos, inclusive em modelos que tradicionalmente nunca tiveram o desenho como principal argumento de venda. A japonesa vem tentando abandonar aos poucos a fama de fazer carros excessivamente conservadores e racionais, colocando uma dose maior de ousadia até em produtos que precisam continuar atendendo um público bastante amplo. Foto de: Motor1 Brasil O Prius talvez seja um dos maiores exemplos dessa virada, já que, depois de quatro gerações reconhecidas muito mais pela tecnologia híbrida e pela eficiência do que pela aparência, o modelo atual ganhou carroceria bem mais baixa, larga e esportiva, sem abandonar justamente as características que construíram sua reputação. A mudança de imagem foi tamanha que o híbrido passou a chamar atenção também pelo desenho, algo que a Toyota parece querer repetir agora com seu sedã mais famoso. Mesmo assim, não espere que o Corolla de produção chegue às ruas exatamente como o conceito apresentado no Japão, já que algumas soluções típicas de show cars deverão ser simplificadas para produção em grande escala. O teto praticamente todo envidraçado, as enormes rodas de 21" e detalhes menos práticos para o uso cotidiano estão entre os candidatos naturais a desaparecer ou ganhar versões mais convencionais. Ideia é que sedã seja ainda mais esportivo que o atual Prius Foto de: Toyota As maçanetas embutidas também podem sofrer alterações, principalmente diante das novas exigências de segurança que começam a restringir soluções totalmente retráteis em alguns mercados. Ainda assim, a expectativa é que proporções, assinatura luminosa e postura mais esportiva sobrevivam. Plataforma será preparada para tudo, inclusive versão elétrica Por baixo da carroceria, a transformação deverá ser igualmente profunda, com uma evolução bastante modificada da atual arquitetura TNGA-C preparada desde o início para receber diferentes tipos de propulsão. A ideia é permitir que a Toyota adapte o mesmo Corolla às necessidades de cada região sem criar projetos completamente diferentes para mercados que avançam em ritmos distintos na eletrificação. A gama atual ainda parte de uma receita relativamente tradicional, especialmente no Brasil, onde convivem o conhecido 2.0 aspirado e o híbrido flex 1.8, ainda herdado das gerações anteriores do Prius. Na próxima geração, esse cardápio deverá crescer bastante para incluir motores puramente a combustão, híbridos convencionais, inéditos híbridos plug-in e uma versão totalmente elétrica. Entre as novidades está uma nova família de motores de quatro cilindros desenvolvida pela Toyota para trabalhar em diferentes tipos de sistemas eletrificados. Um 1.5 deverá servir de base para o novo conjunto híbrido, com potência combinada na casa dos 134 cv e expectativa de melhorar a eficiência entre 10% e 20% diante da tecnologia atual, enquanto o mesmo projeto foi concebido para receber sobrealimentação em outras aplicações. Entre as possibilidades está uma configuração 100% elétrica que, caso seja oferecida nos EUA, colocaria o Corolla numa faixa de preço mais acessível do que modelos como o Tesla Model 3, segmento que ainda encontra poucos concorrentes desse tipo entre marcas tradicionais. Já em países como o Brasil, a tendência é que a marca foque nos híbridos, inclusive nos plug-in, adaptados também para rodar com etanol. Família Corolla vai crescer e multiplicar Apesar de conhecido aqui principalmente por sua versão sedã, o Corolla tradicionalmente teve também opções de perua e hatchback em outros mercados. Na nova encarnação, a ideia é que isso continue acontecendo com a chegada de uma nova geração para o SUV Corolla Cross e até uma inédita picape com porte de Ford Maverick e Fiat Toro. O Corolla Cross ganhará uma segunda geração por volta de 2028 e deverá crescer em porte, aproveitando o espaço aberto pelo atual RAV4, que ficou bem maior, mais sofisticado e mais caro do que em suas primeiras versões. Entre as mudanças previstas para o SUV está uma inédita configuração de sete lugares, criada a partir de um entre-eixos aproximadamente 15 cm maior e com comprimento próximo dos 4,65 m. Projeção: novo Toyota Corolla Cross 2028 Foto de: BestCar Japão Essa variante permitiria à Toyota disputar um espaço semelhante ao ocupado hoje por modelos como Jeep Commander e CAOA Chery Tiggo 8, especialmente em mercados como Brasil e Índia, onde SUVs familiares de três fileiras têm peso no volume. Já na motorização, espere pelas mesmas mudanças do sedã. A Toyota ainda trabalha em uma inédita picape monobloco associada a essa nova fase da família, com porte próximo ao de modelos como Fiat Toro, abrindo espaço para o nome Corolla disputar uma categoria na qual nunca esteve presente dessa forma. Ainda há poucos detalhes sobre esse projeto, mas a proposta reforça como a fabricante pretende extrair muito mais de uma de suas denominações mais conhecidas. Flagra: nova picape da Toyota derivada do Corolla Foto de: BlogAuto O hatchback também deverá continuar existindo em mercados onde ainda encontra público, especialmente na Europa, enquanto o GR Corolla faz seu papel de esportivo e opção mais emocional da gama, quase uma grife. A Toyota, inclusive, já desenvolve uma nova geração de motores de alto desempenho, incluindo um 2.0 turbo de quatro cilindros capaz de chegar perto dos 400 cv em suas aplicações mais extremas. No Brasil, com o fim da fábrica de Indaiatuba (SP), caberá à planta de Sorocaba produzir o sedã, o SUV e também a inédita picape. O complexo ganhará uma nova estrutura em novembro deste ano, já preparada tanto para receber o Corolla quanto para ampliar a capacidade necessária à picape e às futuras gerações da família. Por isso, a picape é esperada para 2027 ou, no máximo, 2028, dependendo do processo de desenvolvimento e homologação, enquanto os demais integrantes dessa nova fase devem ficar mais próximos da virada da década. Leia mais Teste Toyota RAV4 SX HEV: 22,8 km/l e acelera como esportivo, mas preço pesa Toyota retoma produção de motores um ano após fábrica ser destruída Sentiu a concorrência? Toyota dá até R$ 55 mil de desconto em Hilux e SW4 BYD e Toyota trocam provocações após King superar Corolla em agosto