Em quem a inteligência artificial aposta para o Nobel?
30 Sep, 2026
A DW perguntou a nove chatbots quem receberá os Prêmios Nobel em 2026. São eles Africa GPT, ChatGPT, Claude, Copilot, DeepSeek, Gemini, Grok, Meta AI e Mistral. Além do prestígio, a famosa distinção concede cerca de 1 milhão de euros e uma medalha de ouro com a imagem de Alfred Nobel. Os Prêmios Nobel são concedidos em cinco categorias: Medicina, Física, Química, Literatura e Paz. Nesse contexto, costuma-se mencionar também o Prêmio em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, que não faz parte dos Nobéis originais. Perguntamos a nove chats de IA a quem eles concederiam os Prêmios Nobel deste ano e por quê. Em algumas áreas, os modelos de IA apresentaram claras preferências. É o caso do Prêmio Nobel de Medicina. Nessa categoria, a maioria escolheu as descobertas e pesquisas relacionadas ao GLP-1. A sigla refere-se a um hormônio intestinal produzido naturalmente pelo organismo que sinaliza ao cérebro que estamos saciados. A partir dessas descobertas surgiram medicamentos contra diabetes e obesidade, como a semaglutida, conhecida pelas canetas emagrecedoras, como o Ozempic. Seis dos chats de IA consultados apontaram esse tema como digno do prêmio. Cinco concordaram em conceder o Nobel a três pesquisadores por seus trabalhos relacionados ao GLP-1: Daniel J. Drucker, da Universidade de Toronto; Jens Juul Holst, da Universidade de Copenhague; e Svetlana Mojsov, da Universidade Rockefeller, em Nova York. "Este é o prêmio mais óbvio desde a vacina de mRNA", afirmou um chat de IA. Outro declarou que os três cientistas são "a aposta mais segura dos últimos anos". Um terceiro observou que "a obesidade e o diabetes tipo 2 mataram mais pessoas do que a maioria das guerras". Favoritos claros em Literatura e Química Os Nobéis podem ser concedidos a até três pessoas, mas o de Literatura é tradicionalmente atribuído a um único indivíduo. Nessa categoria, cinco das IAs consultadas veem a escritora chinesa Deng Xiaohua, que escreve sob o pseudônimo Can Xue, como a próxima vencedora do Nobel de Literatura. Nascida em 1953, ela já vinha sendo apontada como favorita nos últimos anos. Em Química, cinco dos chats de IA apostam no pesquisador David R. Liu, da Universidade Harvard. O cientista de 53 anos desenvolveu, com sua equipe, métodos que permitem reescrever seletivamente letras específicas do DNA. Por meio das técnicas conhecidas como edição de bases ("base editing") e edição prime ("prime editing"), poderá ser possível, no futuro, modificar o material genético de plantas e também de seres humanos. Na Física, o resultado foi menos conclusivo. Ainda assim, a principal menção foi à pesquisadora britânica Nicola A. Spaldin, da ETH Zurique. Especialista em ciência dos materiais, ela trabalha nos fundamentos dos chamados multiferroicos, materiais que podem apresentar simultaneamente propriedades magnéticas e elétricas. Dá para confiar nas previsões da IA? Os sistemas não chegaram a um consenso sobre o Nobel da Paz. As sugestões variaram desde a Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (Ican) até a organização russa de direitos humanos Memorial, passando pela ativista climática Greta Thunberg. Isso também mostra os limites da tecnologia e a forma como os sistemas de IA obtêm suas informações. Tanto a Ican quanto a Memorial já receberam o Nobel. Thunberg, por sua vez, foi agraciada com o chamado Nobel Alternativo. Isso demonstra como a IA procura padrões em resultados anteriores e como pode ser pouco confiável. Em suas respostas, ela frequentemente se baseia em indícios disponíveis publicamente, como número de citações científicas, prêmios acadêmicos, reportagens da mídia ou listas de previsões. Há poucas informações disponíveis para prever o Nobel da Paz de 2026, mas as ciências naturais contam com ampla visibilidade. Uma fonte importante é a lista da empresa de análise de dados Clarivate, que anualmente aponta pesquisadores altamente citados como possíveis candidatos ao Nobel. Muitos dos favoritos apresentados pelos chats de IA também aparecem nessa lista. A IA comete muitos erros Os chatbots das IAs também cometeram alguns erros. O ChatGPT, por exemplo, incluiu um vencedor para o Nobel de Matemática, que não existe. Já o Copilot quis conceder um prêmio a um candidato que já morreu. Pelas regras da Fundação Nobel, isso só é possível se o vencedor morrer após o anúncio oficial. Mas a escolha –ainda bem– é feita por humanos, não por chats de IA. Quem será incluído no seleto grupo no qual já estão Marie Curie, Madre Teresa, Albert Einstein, Barack Obama, Robert Koch e Max Planck começará a ser anunciado a partir da próxima segunda (5).