Grande ABC terá 6.385 urnas eletrônicas operando no domingo
2 Oct, 2026
Grande ABC terá 6.385 urnas eletrônicas operando no domingo Especialista da UFABC garante que sistema utilizado pelo TSE é seguro; o equipamento não liga caso haja tentativa de adulteração de software Especial para o Diário Neste domingo (4), primeiro turno das eleições de 2026, cerca de 2,1 milhões de eleitores do Grande ABC estão aptos a ir às urnas. Segundo o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo), serão 6.385 equipamentos em operação na região – mesmo número de seções –, além de outros 6% mantidos como reserva para substituição em caso de eventual falha. O número de urnas é 0,6% maior que o utilizado no pleito de 2024, com 6.347. De acordo com o TRE-SP, as sete cidades têm 84,7% dos eleitores – cerca de 1.785.286 pessoas – com biometria cadastrada na Justiça Eleitoral, o que, segundo a Corte regional, reforça a segurança do processo eleitoral. A segurança da urna eletrônica começa pelo funcionamento do equipamento. “Durante a votação, a urna não é conectada à internet, Wi-Fi ou Bluetooth. Ela opera de forma isolada, sem permitir acesso externo ao sistema”, garante o TRE. Os programas utilizados passam por mecanismos de proteção, como assinaturas digitais, criptografia e verificações de integridade. Os equipamentos também recebem lacres físicos, que permitem identificar eventual tentativa de violação. Uma das principais premissas da urna eletrônica é garantir, ao mesmo tempo, o sigilo do voto e a possibilidade de conferência do resultado. O TRE esclarece que “os votos são registrados no RDV (Registro Digital do Voto) de forma a impedir a identificação de quem fez determinada escolha. Já o resultado da seção é público”. Mario Alexandre Gazziro, professor da UFABC (Universidade Federal do ABC), especialista em sistemas digitais e que já participou de estudos relacionados à urna eletrônica, explica que as características apontadas pelo TRE-SP dificultam uma eventual fraude centralizada na totalização dos votos. Isso ocorre porque cada equipamento produz seu próprio resultado, registrado no BU (Boletim de Urna). “Não tem como se fazer uma fraude centralizada lá em Brasília, porque os boletins de urna estão ali”, afirma. Gazziro resume essa lógica comparando o voto a uma operação bancária. “Na transação bancária, o conteúdo é sigiloso e a autoria é pública. No voto é o contrário. A autoria é sigilosa. Não sabemos quem fez o voto, e o conteúdo é público.” O BU é impresso ao fim do período de votação e apresenta os votos registrados naquela seção. Uma via é afixada no local, permitindo que o resultado seja conhecido antes da totalização nacional e possa ser posteriormente conferido. Gazziro ressalta que, em segurança digital, não se costuma falar em impossibilidade absoluta. Porém, considera extremamente difícil uma fraude capaz de alterar o resultado nacional. “É improvável que se consiga fazer uma coisa dessa (nas urnas) no Brasil inteiro”, diz. O professor explica que, embora a urna não esteja conectada à internet, o software utilizado precisa ser distribuído para os equipamentos de todo o País antes da eleição. Essa etapa também conta com mecanismos de segurança e assinaturas digitais. Uma eventual tentativa de adulteração teria ainda de passar pelas verificações internas da própria urna. “Se o software for modificado sem as assinaturas e mecanismos de segurança correspondentes, o equipamento identifica a alteração e não inicia o funcionamento. A urna nem liga”, explica. “É a mesma dificuldade de alguém pegar um Pix que você está mandando para seu filho e desviar automaticamente para o dele.” TESTES A segurança do sistema eleitoral também é submetida a testes e auditorias. O TPS (Teste Público de Segurança), realizado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), permite que especialistas procurem vulnerabilidades nos sistemas eleitorais. “Antes da eleição, os programas passam por processos de assinatura digital e lacração”, diz o TRE. No dia da votação, segundo o Tribunal, são realizados testes de autenticidade e integridade. Neste último, votos preenchidos previamente em cédulas de papel são digitados em urnas eletrônicas e os resultados são posteriormente comparados aos registrados pelos equipamentos. Há também o Teste de Integridade com Biometria. Para reforçar a segurança dos resultados, o TRE afirma que, antes do primeiro voto, a urna emite um boletim chamado Zerésima. O documento comprova que não há votos registrados previamente naquele equipamento, ou seja, que ele está zerado. Ainda segundo o TRE, se uma urna apresentar falha durante a votação, a equipe técnica tenta solucionar o problema. “Persistindo a ocorrência, o equipamento pode ser substituído por uma urna de contingência sem a paralisação do pleito”, complementa. No Grande ABC, a reserva corresponde a 6% do total de urnas preparadas para o pleito, permitindo a substituição de equipamentos que apresentem problemas. LEIA TAMBÉM Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.