NASA testa robôs para trabalhar ao lado de astronautas

admin
2 Oct, 2026
Shaun Azimi, líder da equipe Dexterous Robotics, realiza uma demonstração com o robô humanoide Valkyrie da NASA Foto: NASA A imagem de um robô humanoide caminhando ao lado de um astronauta ainda parece saída de um filme de ficção científica. Para a NASA , porém, essa parceria já faz parte dos testes para as próximas etapas da exploração espacial . No Johnson Space Center, em Houston , a equipe Dexterous Robotics trabalha no desenvolvimento de robôs capazes de realizar tarefas manuais em ambientes extremos e atuar ao lado de seres humanos. A proposta não é substituir astronautas . Segundo Shaun Azimi, líder da equipe , a ideia é usar robôs para tornar as missões mais seguras e permitir que os humanos concentrem esforços naquilo que fazem melhor. "Se pudermos enviar robôs mais capazes, podemos reduzir os riscos e tornar as pessoas mais eficazes naquilo que fazem de melhor", afirmou Shaun Azimi em texto publicado no portal da NASA. Uma equipe de 16 pessoas A equipe de Robótica Destreza tem 16 integrantes e faz parte da Divisão de Tecnologia de Sistemas Robóticos da NASA . O grupo reúne profissionais com experiência em eletrônica, mecânica e desenvolvimento de software. Os trabalhos são divididos principalmente entre mecatrônica e software, embora as áreas se cruzem em diferentes projetos. Parte desse conhecimento vem de dois robôs humanoides que já fizeram parte da história da agência: o Robonaut 2 , que realizou demonstrações de tecnologia durante sete anos na Estação Espacial Internacional , e o Valkyrie, primeiro robô humanoide bípede da NASA . Profissionais que participaram desses projetos agora integram a equipe e continuam desenvolvendo tecnologias a partir dessa experiência. Robôs preparados para a Lua Um dos principais focos atuais é o desenvolvimento de tecnologias que possam apoiar uma presença humana sustentada na superfície lunar. Para isso, a equipe participa de projetos relacionados à construção da Base Lunar e trabalha com sistemas que podem auxiliar em tarefas como logística, manutenção e pesquisa científica. Mas o trabalho não fica restrito aos projetos da NASA . A equipe também colabora com empresas privadas e outros parceiros que enfrentam desafios semelhantes em ambientes hostis. A ideia é testar tecnologias em situações nas quais robôs podem assumir atividades de maior risco. Laboratório que simula desafios do espaço É nesse contexto que entra a plataforma integrada de testes móveis para avaliação de operações robóticas (iMETRO) , uma instalação criada no Johnson Space Center . A estrutura combina software de código aberto, recursos de simulação, maquetes de veículos e habitats espaciais, robôs e até uma área externa com rochas. Na prática, pesquisadores podem testar desde um robô completo até componentes específicos de hardware ou software. O objetivo é reduzir a distância entre quem desenvolve um robô e quem projeta o ambiente onde ele será usado. "Eles podem aprender sobre como os robôs percebem o mundo e interagem com objetos e o que é difícil para um robô em comparação com um humano", explicou Azimi em publicação da NASA . Isso também pode gerar mudanças aparentemente simples. Uma alça maior ou uma iluminação melhor, por exemplo, pode facilitar uma tarefa tanto para um robô quanto para uma pessoa. Robô já testa abertura de escotilha Um dos projetos realizados no iMETRO mostra como esses testes podem funcionar na prática. Uma equipe da PickNik usou a instalação para testar um software capaz de fazer um braço robótico reconhecer uma escotilha de espaçonave, girar sua trava, segurar a maçaneta e abrir a porta. Depois, o braço conseguiu transferir bolsas de carga entre a escotilha e um compartimento. Outro projeto utilizou um braço robótico comercial e uma câmera para testar um sistema de inspeção e manutenção de um freezer de armazenamento refrigerado, semelhante aos equipamentos encontrados na Estação Espacial Internacional . São tarefas simples quando realizadas por uma pessoa. Para um robô, porém, exigem que diferentes sistemas consigam perceber o ambiente, identificar objetos e executar movimentos com precisão. De olho em Marte Embora a Lua seja a prioridade mais próxima, a tecnologia desenvolvida pela equipe também pode servir para missões futuras a Marte . Azimi afirma que a equipe já trabalha com outras áreas da NASA em um próximo desafio que pretende convidar o público a apresentar ideias de soluções tecnológicas para a exploração do planeta. A lógica ajuda a explicar por que a agência mantém uma equipe especializada em robôs humanoides no Johnson Space Center . "Trata-se realmente dos elementos humanos – seja trabalhando em ambientes projetados para humanos ou trabalhando ao lado de humanos. Esse é o nosso nicho", disse Azimi . A aposta, portanto, não é simplesmente colocar mais máquinas no espaço. É criar robôs capazes de entender o ambiente construído para pessoas, executar tarefas que apresentam riscos e dividir o trabalho com os astronautas. Se as futuras missões levarem seres humanos cada vez mais longe, essa parceria pode deixar de ser uma experiência de laboratório e passar a fazer parte da rotina da exploração espacial.