Menos cortes e alta no mesmo dia? Veja como funciona o lifting facial endoscópico
3 Oct, 2026
Foto: Reprodução / Freepik A busca por procedimentos estéticos que valorizem os traços naturais e ofereçam resultados compatíveis com as características individuais tem impulsionado mudanças na cirurgia plástica facial. Entre as técnicas utilizadas está o lifting facial endoscópico, abordagem que permite ao cirurgião visualizar estruturas da face com o auxílio de uma câmera introduzida por pequenas incisões. A técnica pode ser indicada para pacientes que apresentam alterações relacionadas à flacidez e ao posicionamento dos tecidos, especialmente nas regiões superior e média do rosto. Diferentemente de procedimentos mais tradicionais, o acesso endoscópico utiliza incisões menores e permite uma visualização ampliada das estruturas durante a cirurgia. Além da técnica empregada, outro aspecto que desperta interesse é o planejamento da recuperação. Em pacientes selecionados, o procedimento pode ser realizado em sistema de day clinic, modalidade em que a pessoa recebe alta no mesmo dia, sem necessidade de permanecer internada por uma noite. Segundo a cirurgiã plástica Dra. Maiéve Corralo, em determinados casos, a cirurgia pode acontecer pela manhã e o paciente receber alta em menos de 12 horas de internação. COMO FUNCIONA O LIFTING ENDOSCÓPICO Foto: Pacientes que aprovaram os resultados do lifting facial endoscópico. Reprodução/Dra. Maiéve Corralo O lifting facial endoscópico utiliza um equipamento com câmera para auxiliar a visualização das estruturas internas da face. Por meio de pequenas incisões, geralmente posicionadas em regiões estratégicas, o cirurgião consegue acessar e reposicionar tecidos, conforme a necessidade identificada no planejamento cirúrgico. A abordagem pode ser considerada em situações específicas, principalmente quando há necessidade de reposicionamento dos tecidos da região superior e média do rosto. A escolha depende de fatores como anatomia, grau de flacidez, qualidade da pele e expectativas do paciente. Entre os aspectos associados à técnica estão a possibilidade de incisões menores e uma abordagem direcionada das estruturas faciais. No entanto, isso não significa que o procedimento seja indicado para todos os pacientes ou que esteja livre de riscos. A avaliação individualizada é indispensável para definir qual técnica apresenta maior compatibilidade com cada caso. Também é importante compreender que o lifting não interrompe o processo natural de envelhecimento, embora possa promover mudanças no posicionamento dos tecidos. ALTA NO MESMO DIA: QUANDO É POSSÍVEL? Uma das características que chama atenção no procedimento é a possibilidade de uma permanência hospitalar reduzida. De acordo com a Dra. Maiéve Corralo, em casos selecionados, o lifting pode ser realizado pela manhã, com alta no mesmo dia e menos de 12 horas de internação. “O lifting facial endoscópico permite uma abordagem mais precisa e, em casos selecionados, pode ser realizado pela manhã com alta no mesmo dia, dentro de um sistema de day clinic, com menos de 12 horas de internação. No pós-operatório, também temos recursos para tornar essa fase mais confortável, como o taping, uma técnica que utiliza bandagens para auxiliar na drenagem linfática e na redução do inchaço”, explica. Dra. Maiéve Corralo / Foto: Reprodução/Star Medical Clinic Apesar da possibilidade de alta antecipada, a permanência no hospital depende de critérios médicos e das condições apresentadas pelo paciente após a cirurgia. A liberação não significa que a recuperação esteja concluída. O acompanhamento continua sendo necessário, inclusive para identificar possíveis intercorrências. TAPING E OUTROS CUIDADOS NO PÓS-OPERATÓRIO O taping é uma técnica que utiliza bandagens elásticas aplicadas sobre a pele. No contexto da recuperação cirúrgica, pode ser empregado como recurso complementar para auxiliar no controle do edema, conhecido popularmente como inchaço. A aplicação deve considerar a região operada, a condição da pele e o momento adequado do pós-operatório. Por isso, não é recomendado reproduzir a técnica por conta própria, especialmente após uma cirurgia facial. A literatura científica também aponta que os resultados do taping podem variar conforme o tipo de cirurgia e o protocolo utilizado. Uma revisão sistemática publicada em 2020 identificou resultados positivos em parte dos estudos sobre redução de edema pós-operatório, mas destacou limitações metodológicas e a necessidade de pesquisas mais consistentes. Além das bandagens, o acompanhamento pode envolver orientações específicas sobre higiene, repouso, retorno gradual às atividades e cuidados com as incisões. Cada recomendação deve ser definida pela equipe responsável, considerando a evolução individual. Outro ponto mencionado pela cirurgiã é o uso de faixas compressivas. Segundo ela, diferentemente do lifting facial clássico, a técnica endoscópica não exige necessariamente o uso das faixas tradicionalmente associadas ao pós-operatório. Quando utilizados, os pontos costumam ser retirados por volta de dez dias. “Cada paciente tem uma indicação e uma evolução diferentes, por isso não existe um único protocolo de recuperação. O objetivo é sempre planejar a cirurgia de acordo com a anatomia e as necessidades daquela pessoa e, ao mesmo tempo, acompanhar de perto o pós-operatório para que essa recuperação aconteça da maneira mais adequada possível”, completa a médica. O QUE FAZER EM CASA PARA CUIDAR DA PELE? Imagem: Magnific Embora os cuidados domiciliares não substituam uma cirurgia de lifting, existem medidas acessíveis que podem contribuir para a saúde da pele e para uma rotina de prevenção. A proposta é manter hábitos consistentes, sem associar produtos cosméticos a resultados equivalentes aos de um procedimento cirúrgico. A proteção solar é uma das principais medidas. O uso diário de protetor solar, com reaplicação conforme a exposição, ajuda a proteger a pele dos efeitos da radiação ultravioleta, relacionada ao envelhecimento precoce e ao surgimento de manchas. Outra alternativa econômica é investir em uma rotina simples, sem a necessidade de adquirir diversos produtos. Uma limpeza adequada ao tipo de pele, hidratação e proteção solar já formam uma base de cuidados. A escolha de hidratantes pode considerar características como oleosidade, sensibilidade e ressecamento. Também é possível priorizar hábitos que favoreçam a saúde geral, como alimentação equilibrada, hidratação adequada, sono regular e evitar o tabagismo. Essas medidas não reposicionam tecidos nem eliminam a flacidez, mas fazem parte dos cuidados com a pele ao longo do tempo. Após uma cirurgia, entretanto, a rotina precisa ser adaptada. Produtos com ácidos, esfoliantes, massagens faciais e procedimentos estéticos devem ser evitados até a liberação médica. Mesmo técnicas aparentemente simples podem interferir na cicatrização quando realizadas antes do momento adequado. INDICAÇÃO EXIGE AVALIAÇÃO INDIVIDUAL Apesar das possibilidades oferecidas pela técnica, a escolha do lifting facial endoscópico não deve considerar apenas o tamanho das incisões ou o tempo de internação. A indicação depende de uma análise detalhada da anatomia, das condições clínicas e dos objetivos de cada pessoa. Como qualquer cirurgia, o procedimento envolve riscos, que devem ser discutidos previamente com o profissional responsável. Entre os pontos avaliados estão as condições de saúde, o planejamento anestésico, as expectativas de resultado e a estrutura disponível para acompanhamento. A evolução das técnicas de cirurgia plástica facial também amplia a discussão sobre o período posterior à operação. Além do resultado estético, planejamento, segurança, preservação das características individuais e qualidade da recuperação são aspectos considerados na escolha da abordagem. O lifting endoscópico representa uma das possibilidades disponíveis para pacientes com indicação específica, enquanto os cuidados cotidianos com a pele permanecem importantes para quem busca preservar a saúde e a aparência facial sem recorrer necessariamente a intervenções cirúrgicas.