Cade dá aval a investimento da American Airlines na Azul

admin
7 Oct, 2026
Brasília O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou por unanimidade a operação societária entre a Azul e a American Airlines, que prevê um investimento milionário da companhia americana na área brasileira. A operação ocorreu em um contexto de reestruturação financeira da Azul. A área técnica do Cade não encontrou motivos para reprovar ou sugerir restrições ao negócio. A companhia norte-americana vai investir US$ 100 milhões (R$ 500 milhões) na Azul. Em troca, vai deter 8,66% do capital social da aérea brasileira e terá direito a indicar um membro ao conselho de administração da Azul e outro para um comitê estratégico da companhia. Para mitigar riscos concorrenciais, as empresas firmaram compromissos com o Cade, principalmente no compartilhamento de informações de rotas nas quais as duas empresas operam. A depender da discussão, caso envolva negócios nos quais as empresas são concorrentes, o representante nos órgãos de governança deverá se retirar da sessão. Isso terá de ser registrado em ata pela Azul. O negócio prevê participação em decisões sobre plano de negócios, expansão da malha, investimentos e parcerias comerciais. O negócio havia sido aprovado pela área técnica do Cade, mas foi contestado pela Abra, controladora da Gol. A preocupação da concorrente é que o estreitamento da relação entre Azul e American possa afetar a disputa entre as empresas em mercados em que elas atuam de forma concorrente. Um dos argumentos utilizados pelo Cade para aprovar o negócio é que a Azul não é a principal rival da American Airlines. A Azul tem uma maior concentração no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), enquanto a operação da empresa americana é concentrada em no aeroporto de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Os dois aeroportos ficam a mais de 100 km de distância um do outro. Em seu voto, a conselheira Camila Alves, que foi relatora do caso, entendeu que há lógica econômica no investimento realizado pela American na Azul. O IBCI (Instituto Brasileiro de Concorrência e Inovação) e o IPSConsumo (Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo) também questionaram a operação. Qualquer alteração no contrato de negócios deverá ser comunicado ao Cade pelas empresas.