Herdeiras de Marta passam por teste duplo contra a Argentina
9 Oct, 2026
Sem a "Rainha" Marta, o Brasil disputa no sábado (10) o primeiro de dois amistosos contra a Argentina, na contagem regressiva para se tornar, em 2027, o primeiro país da América do Sul a sediar a Copa do Mundo feminina. Aos 40 anos, Marta Vieira da Silva continua nos planos do técnico Arthur Elias para o Mundial, mas, ao mesmo tempo, está em curso a busca por herdeiras da lendária jogadora. A partida de sábado será disputada no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, e, três dias depois, as duas seleções voltarão a se enfrentar na Arena Pernambuco, no Recife. Essas são duas das oito cidades que receberão a Copa do Mundo do próximo ano, entre 24 de junho e 25 de julho. Assim, a rodada dupla de amistosos não será apenas um teste esportivo para Arthur Elias e suas jogadoras, mas também uma prova logística. Há tempos o treinador vem abrindo espaço para a renovação. Marta protagonizou momentos cruciais na Copa América conquistada pelo Brasil no ano passado, no Equador, mas teve sua participação controlada, com média de 49 minutos por partida no torneio. Ela é a maior artilheira da história da Copa do Mundo, com 17 gols em seis edições. O título, porém, ainda não veio. Kerolin atrai os holofotes Recém-contratada pelo Barcelona, Kerolin é apontada como uma das principais esperança na nova fase da seleção brasileira. "Ela tem tudo para ser uma das principais jogadoras do mundo", afirmou Arthur Elias sobre a atacante de 26 anos. "Precisamos de outras, não apenas da ‘Rainha’, e ela tem condições." Ela só poderá disputar uma das partidas marcadas contra a alviceleste. Ao lado da atacante Bia Zaneratto (Palmeiras) e da zagueira Tarciane (Lyon), Kerolin é uma das três convocadas que cumprem suspensão no sábado, após terem sido expulsas no amistoso em que o Brasil perdeu por 1 a 0 para os Estados Unidos, em junho, na cidade de Fortaleza. Ela está em plena adaptação ao Barça, que fez dela a jogadora brasileira mais cara da história ao pagar € 1,2 milhão (R$ 6,7 milhões) por sua transferência do Manchester City. Kerolin já marcou seu primeiro gol pelo clube catalão no fim de setembro, na vitória por 5 a 2 sobre o Paris FC pela Liga dos Campeões da Europa, mas ainda alterna entre a titularidade e o banco de reservas. Caso Marta não chegue ao Mundial, Kerolin é a principal candidata a vestir a emblemática camisa 10. "Várias Martas" Coordenadora de seleções femininas da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Cris Gambaré elogiou a evolução de jogadoras como Kerolin. "Hoje temos várias Martas", comentou a dirigente. "Arthur Elias e sua comissão técnica confiam nos novos talentos", afirmou Gambaré. Entre as convocadas para esta rodada dupla do clássico sul-americano, Luany (Atlético de Madrid) e Priscila (América do México) são expoentes das novas gerações. E, entre as jovens promessas, estão Kaylane (Flamengo), de 17 anos, e Tainá Maranhão (Palmeiras), de 21. "Saímos de uma Copa do Mundo sub-20 direto para a seleção principal, e isso é muito importante para nós", comemorou Kaylane, que destacou o exemplo de nomes como a própria Marta, Formiga e Sissi. Desta vez, a artilheira Amanda Gutierres, decisiva na última Copa América, não está presente. Ela soma nove gols e duas assistências em 26 partidas nesta temporada pelo Boston Legacy, da NWSL, nos Estados Unidos. A concorrência no ataque é feroz. O lado negativo Nem tudo são flores. Destaque na campanha que levou o Brasil à medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, Gabi Portilho caiu de rendimento. A jogadora de 31 anos não marcou gols nem deu assistências em 21 partidas por sua nova equipe na NWSL, o San Diego Wave. Ela havia sido campeã com o Gotham FC em 2025. Sua ausência na lista de Arthur Elias, portanto, não surpreende, embora muitos ainda se lembrem dela. "Onde estão Marta e Gabi Portilho?", comentou um torcedor em uma publicação com a convocação no perfil da seleção brasileira no Instagram. "Marta joga vôlei?", questionou outro. O Brasil encerrará o ano com dois amistosos contra o Japão, em 29 de novembro, em Hiroshima, e em 5 de dezembro, em Okayama.