O que você precisa saber antes de usar máscaras de LED na rotina de skincare
14 Oct, 2026
Você já deve ter cruzado com algum vídeo de influenciadora ou famosa usando uma máscara tecnológica que cobre todo o rosto e emana luzes coloridas. Parece até coisa de filme de terror. São máscaras de LED, que emitem luzes de cor e comprimento de onda específicos para diferentes funções, como estimular a produção de colágeno e reduzir a inflamação da pele. O aparelho tem respaldo científico. Trata-se de fotobiomodulação, processo no qual a luz entra na pele e estimula as células. As partículas de luz são absorvidas pelas células e estimulam a produção de oxigênio e cálcio, explica Marcia Linhares, coordenadora do departamento de laser da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). "Clinicamente, observamos a melhora gradual da textura, da qualidade da pele e de linhas finas", afirma Linhares. Mas ressalva: "Não significa que o LED produza colágeno instantaneamente; precisa de dose adequada e repetição". A tecnologia traz viço à pele e pode ajudar na recuperação após procedimentos a laser, acrescenta Thiago Cunha, dermatologista do Espaço Arquétipo. A cor da luz não é detalhe estético. As cores que têm comprovação científica são vermelha, azul e infravermelho próximo*. A azul atua mais superficialmente e é usada para tratar acne leve a moderada. A vermelha tem efeito anti-inflamatório, e o infravermelho próximo penetra mais profundamente na pele PARA QUEE, explica a coordenadora do SBD. Revisão sistemática publicada em 2025 no Jama Dermatology apontou que LEDs domésticos azul e vermelho reduziram lesões inflamatórias e não inflamatórias de acne em 45,3% e 47,7%, ante o grupo controle. Os ensaios envolveram 216 pessoas de 12 a 50 anos com acne leve a moderada, que usaram o aparelho de 2 a 15 minutos duas vezes ao dia, por 2 dias a 12 semanas. Os especialistas destacam que há diferença entre os aparelhos usados por profissionais em clínicas dermatológicas e as máscaras comercializadas para uso doméstico. Estas têm potência mais baixa e não há tantas pesquisas sobre sua eficácia. Os efeitos da luz dependem, entre outros fatores, do comprimento da onda, irradiância e fluência, explicam os dermatologistas. O comprimento da onda, que define a profundidade de penetração na pele, varia de 630 a 660 nanômetros na luz vermelha e fica na casa dos 400 nanômetros no caso da azul. "Um aparelho bonito ou com dezenas de luzes coloridas não é necessariamente um equipamento eficaz. Mais potência não significa necessariamente mais resultado", diz Linhares. Máscaras caseiras não substituem tratamentos e devem servir de complemento aos cuidados com a pele, dizem os especialistas. Os resultados são modestos e graduais, afirmam. Além da qualidade do equipamento, os resultados dependem da frequência do uso. É preciso ter constância, diz Cunha. Os efeitos costumam surgir a partir de 8 a 12 semanas, afirma Menos intensa que o laser, a terapia com LED se popularizou com máscaras e outros dispositivos domésticos a partir dos anos 2010, impulsionada pelo k-beauty. Recentemente, ganhou fôlego nas redes sociais. COMO COMPRAR Existem poucas marcas brasileiras certificadas que produzem máscaras de LED. Na hora de comprar, Cunha recomenda procurar produtos com registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) —ou em órgãos como FDA, no caso das compradas fora— e que tragam informações técnicas sobre o comprimento de onda, potência e irradiância. "Isso é relevante porque existem muitos produtos falsificados, que não vão ter nenhum tipo de efeito", diz. Evite produtos que informam apenas a cor da luz e tenha cautela com aparelhos muito baratos, acrescenta Linhares. A marca brasileira Lalume tem uma máscara de R$ 2.889, com promessa de funções anti-idade, calmante e iluminadora. O dispositivo tem 220 lâmpadas, comprimento de ondas de 470 nm a 850 nm e quatro modos de cores. Outra marca nacional, a HTM fabrica máscaras para o rosto e pescoço com a proposta de melhorar acne, melasma, hidratação e produção de colágeno. O aparelho tem cinco cores e ondas de 590 nm. Ele custa R$ 1.690 e é vendido apenas para profissionais da área. Entre as estrangeiras certificadas que entregam no Brasil estão a Project E Beauty (a partir de R$ 1.090) e a Jovs (R$ 4.999). COMO USAR Antes de usar a máscara, limpe a pele e não aplique produtos, orienta o dermatologista do Espaço Arquétipo. O acessório tem buracos para os olhos e a boca e geralmente é fixado com tiras. O tempo de uso costuma ser de dez a 15 minutos. Cunha sugere usar ao menos três vezes por semana. Em seguida, o dermatologista indica aplicar um sérum e seguir com a rotina de skincare. Ele recomenda não aplicar ácidos, pois a pele pode ficar sensível. LEDs de baixa potência são seguros, desde que utilizados corretamente com equipamentos confiáveis, ressalta a coordenadora da SBU. É importante proteger os olhos, sobretudo da luz azul. Os aparelhos costumam vir com proteção. O acessório não é recomendado para todos. Pessoas com doenças fotossensíveis, epilepsia, sensibilidade à luz ou que usam medicamentos fotossensibilizantes devem evitá-lo, indica. Efeitos laterais são incomuns, dizem os especialistas. Entre os que podem surgir, Linhares lista vermelhidão, sensação de calor, ressecamento, irritação ou desconforto. A manutenção correta inclui higienização com álcool 70% após o uso, diz Cunha, e evitar o contato com água. Além disso, fique atento a mudanças no brilho da luz.