Conversível: MG Cyberster transforma cada passeio em espetáculo
14 Oct, 2026
Conversível: MG Cyberster transforma cada passeio em espetáculo Roadster elétrico de dois lugares custa R$ 529,8 mil e combina 510 cv, capota elétrica, portas verticais e experiência diferenciada de condução O trânsito costuma ser um ambiente quase insalubre. Estresse, buzinas, deslocamentos repetitivos e muita pressa. Mas há carros capazes de mudar a relação do motorista com o caminho. O MG Cyberster é um deles. Conversível de dois lugares, o esportivo elétrico transforma qualquer saída em uma experiência que mistura desempenho, estilo e, principalmente, exclusividade. Durante uma semana, o Diário teve a oportunidade de conhecer de perto o modelo, que custa R$ 529.800 e ocupa um espaço bastante particular no mercado brasileiro. O Cyberster recupera a tradição da MG - marca britânica fundada em 1924 e hoje pertencente ao grupo chinês Saic - na produção de esportivos de dois lugares. A proposta, entretanto, está longe de simplesmente reproduzir os roadsters do passado. Com 4,54 metros de comprimento, 1,91 metro de largura e apenas 1,33 metro de altura, o modelo combina proporções clássicas com soluções que parecem saídas de um conceito futurista. Estética Não tem como começar a falar desse carro sem destacar o desenho. Com carroceria baixa e silhueta alongada, o Cyberster tem dianteira avantajada, com vincos marcantes. As lanternas traseiras (toda a iluminação é full LED) com formato de setas são um charme, e fogem da aparência convencional. Tem, ainda, rodas de liga leve de 20 polegadas e detalhes escurecidos por toda parte. Nem é preciso dizer que chama atenção. Por todos os lados tem gente olhando, tirando fotos, ou perguntando sobre o carro. O espetáculo continua no momento de entrar na cabine. Ao acionar o comando das portas elétricas, por meio de botão, as duas peças se elevam (estilo tesoura), transformando um gesto banal em uma pequena apresentação que sempre rende uma pausa de quem está por perto. O mecanismo, no entanto, exige atenção em garagens com teto baixo, ou quando se estaciona perto da parede. Porém, nesses casos, um sensor impede a abertura. A capota de lona também tem acionamento elétrico e é um dos elementos centrais do carro. Em aproximadamente 15 segundos, o teto pode ser recolhido. Nessa hora, o ambiente externo passa a fazer parte da viagem com mais força, porém, é preciso aceitar algumas particularidades. O vento se torna presença constante e, conforme a velocidade aumenta, o ruído aerodinâmico pode incomodar os ocupantes. Seja como for, a bordo do Cyberster, até trajetos curtos ganham outro significado, e o motorista passa a ter um motivo a mais para dirigir. Depois de acomodado, o motorista encontra posição baixa e cabine voltada para si. Os bancos esportivos envolvem o corpo. O painel reúne três telas digitais, cada qual com sua função. O acabamento é irretocável e a disposição dos comandos facilitam a vida a bordo. Mas, antes, é bom testar tudo para não se "embananar" na hora de dirigir. Até mesmo ações simples, como acionar o ar-condicionado, ou ativar/desativar o sistema One Pedal (freio e acelerador no pedal da direita), exigem certa familiaridade com a tecnologia. A lista do modelo tem desde sistema de som Bose, com oito alto-falantes, até compatibilidade com Apple CarPlay e Android Auto. Mas, por incrível que pareça, a conexão exige uso de fio. O pacote conta, ainda, com iluminação ambiente personalizável, bancos com ajustes elétricos e aquecimento, volante revestido com couro e climatização de duas zonas. Motorização Sob a carroceria, o Cyberster apresenta números que justificam a aparência esportiva. São dois motores elétricos, um em cada eixo, que entregam potência combinada de 510 cv e torque de (brutos) 73,9 mkgf. A tração integral ajuda a distribuir a força entre as rodas, enquanto a transmissão de marcha única dispensa as trocas convencionais dos automóveis a combustão. Claro que há quem reclame da falta de ronco. Mas, em meio a tantos atributos, isso vira apenas um detalhe. Na prática, a segurança nas curvas agrada e a resposta imediata dos motores até assusta. De acordo com a ficha técnica, aceleração de 0 a 100 km/h é feita em apenas 3,2 segundos. No Cyberster, não tem essa de esperar pelas reduções de marcha nem pela subida de giro do motor. Basta pressionar o pedal da direita e se divertir. Mas, nada de exaltações, afinal, a velocidade máxima é limitada a 200 km/h. Autonomia O conversível tem bateria de 77 kWh que fica instalada no assoalho - contribui para manter o centro de gravidade baixo. A autonomia declarada pelo Inmetro é de 342 quilômetros, número que coloca o planejamento de recarga entre os aspectos importantes do uso cotidiano. Mas é sempre bom lembrar que o alcance real depende das condições de uso, como o peso do pé do motorista, o solo em que se trafega e até a temperatura. A suspensão independente do Cyberster, com braços duplos na dianteira e multilink na traseira, vai bem no (péssimo) asfalto do Brasil. Bate seco, às vezes, mas não dá para esperar milagre, pois mesmo com propulsão elétrica, trata-se de um carro esportivo. O Cyberster pesa cerca de duas toneladas (1.985 kg) e, para frear todo esse ímpeto, a MG contou com a Brembo. Em um carro com tanta potência, contudo, explorar a capacidade dos motores significa consumir mais energia. Em corrente contínua, a recarga de 10% a 80% leva cerca de 38 minutos, segundo a fabricante, em condições adequadas e com carregador compatível de até 150 kW. Prós e contras Como todo roadster, o Cyberster privilegia a experiência a bordo em detrimento da praticidade. São apenas dois lugares e o porta-malas tem capacidade para apenas 249 litros. Ou seja, definitivamente, não é um carro para famílias ou longas viagens. Contudo, não abre mão de recursos como câmeras com visão de 360 graus, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro e sistemas ADAS, como controle de velocidade adaptativo, monitoramento de ponto cego, alerta de colisão frontal e frenagem autônoma de emergência, por exemplo. Tem certas limitações, exige investimento elevado para tê-lo na garagem, mas vale a pena. Daqueles carros que deixam gostinho de "quero mais". LEIA MAIS: