Está faltando carro: busca por elétricos dispara e espera chega a 4 meses
16 Oct, 2026
Resumo Quem tenta comprar um Geely EX2 hoje entra em uma lista de reservas, com entrega prevista só para dezembro. As filas de espera para carros elétricos no Brasil, entretanto, também valem para outros modelos e outras marcas. A falta de estoque ajuda a explicar a queda de 18,1% nas vendas de carros 100% elétricos no Brasil em setembro. O tombo não reflete falta de interesse do consumidor: foi puxado por dois modelos importados da China com oferta curta, em um momento em que faltam navios para levar carros chineses a diferentes países do mundo. O que aconteceu As vendas de carros 100% elétricos caíram 18,1% em setembro, de 27.166 para 22.246 unidades, segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico). Foi a primeira queda após sete meses seguidos de alta. Os híbridos cresceram 2,2% no mesmo período. Dois modelos explicam o tombo. O Geely EX2 caiu 53,1%, de 5.804 para 2.724 unidades, e o BYD Dolphin recuou 38,7%, de 6.740 para 4.132. Juntos, são 5.688 emplacamentos a menos, mais do que a queda de todo o segmento (4.920). Sem os dois, o mercado teria crescido. Os demais elétricos somaram alta de 5,3%, puxados pelo BYD Dolphin Mini, montado em Camaçari (BA), que bateu recorde com 9.385 unidades. Lista de reservas Em nota ao UOL Carros, a Geely afirmou que, "devido à alta demanda, os pedidos do Geely EX2 em determinadas cores e versões estão sendo atendidos por meio de lista de reservas, seguindo a ordem de chegada, com as entregas previstas para começar em dezembro". A fila não é nova: em maio, concessionárias já falavam em esperas de até 90 dias. Em fevereiro, os emplacamentos do EX2 também marcaram forte redução, justamente pela falta de unidades disponíveis. A expectativa é que, a partir de dezembro, a situação melhore com a produção nacional do hatch em São José dos Pinhais (PR), em parceria com a Renault. A reportagem ainda constatou filas para o BYD Dolphin, também importado da China, com concessionários dando prazos de entrega na casa de 30 dias. A montadora credita a situação a uma "demanda maior do que o previsto" para o Dolphin GS. "No final do mês chegou mais um lote de carros e a marca espera ver os resultados se normalizarem de outubro para a frente", disse a BYD ao UOL Carros. Os dados da Abeifa (Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores) mostram o peso dos navios para o abastecimento do mercado: em setembro, os veículos importados das associadas, entre elas a BYD, caíram 28,2%, enquanto a produção nacional subiu 15,4%. Falta navio A própria BYD admite o gargalo. Em teleconferência com analistas sobre o primeiro semestre, a montadora disse que a falta de navios do tipo ro-ro, que transportam os carros, limitou o crescimento de suas exportações, segundo o site The Loadstar. A demanda por esses navios explodiu. A China exportou 571 mil veículos elétricos e híbridos plug-in em setembro (cinco vezes os 111 mil de setembro de 2024), segundo a associação das montadoras chinesas (CAAM). No ano, já são 4 milhões, alta de 130%. O aluguel dos navios quase dobrou. Afretar um ro-ro para cerca de 6.500 carros custa US$ 95 mil por dia, ante US$ 50 mil em fevereiro, segundo a consultoria Clarksons. Estaleiros receberam 29 encomendas desses navios no primeiro semestre, contra duas um ano antes. Para depender menos dos ro-ro, também cabe inovação: a Leapmotor, marca chinesa parceira da Stellantis, passou a trazer carros em flat racks, plataformas metálicas embarcadas como contêineres. A estreia, em junho, no terminal de Sepetiba, em Itaguaí (RJ), trouxe 700 veículos em 270 estruturas. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.