Presidente do cegonheiros garante que setor está preparado para atender produção de 3 milhões de veículos em 2026
17 Oct, 2026
Presidente do cegonheiros garante que setor está preparado para atender produção de 3 milhões de veículos em 2026 Setor descarta falta de mão de obra para acompanhar o crescimento da indústria automobilística e prepara investimento de R$ 20 milhões para Centro de Formação de profissionais em São Bernardo, como revelado pelo Diário O presidente do Sinaceg (Sindicato Nacional do Cegonheiros), José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, garantiu que não faltará mão de obra para transportar os cerca de 3 milhões de veículos que a indústria automobilística brasileira prevê produzir em 2026. Segundo a entidade, o setor reúne 5.000 profissionais responsáveis pelo transporte de veículos zero-quilômetro no país. “Não existe motivo para imaginar que os carros vão ficar parados nos pátios das montadoras por falta de cegonheiros. Temos profissionais, experiência e capacidade de atender à produção. A indústria pode crescer com a tranquilidade de que o transporte está preparado para acompanhar esse movimento”, afirmou Boizinho. A avaliação ocorre em meio ao debate sobre a escassez de motoristas no transporte rodoviário de cargas. Embora o problema afete diferentes atividades, a entidade ressaltou que o segmento de veículos novos possui características próprias, com operações especializadas e planejamento integrado às linhas de produção das montadoras. O transporte de automóveis exige uma logística que começa antes mesmo de os veículos deixarem as fábricas. A programação das viagens, a disponibilidade de caminhões-cegonha e a distribuição das entregas precisam acompanhar o ritmo da produção, evitando atrasos que possam comprometer o abastecimento das concessionárias. Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg, chama a atenção para um aspecto frequentemente deixado em segundo plano nas discussões sobre a capacidade de transporte: a infraestrutura necessária para que a operação funcione. “Ter motorista disponível é fundamental, mas não resolve tudo. Um caminhão parado em uma estrada congestionada ou enfrentando problemas de infraestrutura deixa de transportar, mesmo com um profissional pronto para trabalhar. O crescimento da indústria precisa ser acompanhado por condições que permitam ao transporte ganhar eficiência”, afirmou. INVESTIMENTO A perspectiva de expansão da produção também reforçou a necessidade de preparar o setor para os próximos anos. Como revelado pelo Diário no dia 27 de setembro, o Sinaceg trabalha na implantação de um centro nacional de formação profissional, com investimento estimado em R$ 20 milhões, em terreno de 95 mil metros no bairro Batistini em São Bernardo. O local será voltado à capacitação de novos trabalhadores e ao aperfeiçoamento dos que já atuam na atividade. A iniciativa busca facilitar a entrada de novos profissionais em uma ocupação que exige habilidades específicas. Além da condução de veículos de grande porte, o trabalho envolve procedimentos técnicos de carregamento, distribuição de peso, fixação e descarregamento dos automóveis. Para Boizinho, a formação profissional deve ser tratada como um investimento estratégico, e não como uma resposta emergencial à eventual escassez de trabalhadores. “Não estamos criando um centro de formação porque faltam cegonheiros hoje. Estamos investindo porque queremos que a profissão continue forte daqui a dez ou vinte anos. Uma atividade que movimenta parte importante da produção industrial brasileira precisa pensar na renovação de seus profissionais”, afirma. Márcio Galdino acrescenta que a qualificação também tem impacto direto sobre a segurança e a produtividade das operações. “Transportar veículos novos exige muito mais do que saber dirigir um caminhão. Cada etapa tem procedimentos próprios, e um erro pode comprometer a carga, o equipamento e a segurança de quem está na estrada. Formar bem um profissional é proteger toda essa operação”, diz. A expectativa de crescimento da indústria automobilística é vista pela categoria como um sinal positivo para a economia e para a cadeia de serviços ligada à produção nacional. “Cada veículo produzido representa trabalho em diferentes etapas, da fábrica até a concessionária. O transporte é parte dessa engrenagem. Queremos uma indústria brasileira cada vez mais forte, produzindo mais e movimentando a economia. E estamos preparados para fazer essa produção chegar ao seu destino”, conclui Boizinho.