França anuncia toques de recolher após violência em protestos

admin
19 Oct, 2026
O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou nesta segunda-feira (19) ter solicitado aos prefeitos que "decretassem uma série de toques de recolher". A medida acontece após os distúrbios e os saques registrados em protestos ocorridos nas grandes cidades neste fim de semana. "Pedi aos prefeitos que decretassem vários toques de recolher nesta noite, toques de recolher parciais", anunciou o chefe de Governo de centro-direita após uma reunião de crise. A lista de cidades afetadas pela medida deve ser anunciada depois que representantes do governo nos diversos departamentos franceses conversarem com os prefeitos. Algumas medidas já foram anunciadas. Em Marselha, foram proibidas manifestações entre 12h e 20h desta segunda-feira, e a cidade de Denain, perto da fronteira com a Bélgica, já decretou um toque de recolher noturno até domingo. O governo está sob pressão para conter os distúrbios e os saques que ofuscaram neste sábado (17) os grandes protestos contra o aumento do custo de vida, que se repetiram na noite de domingo (18). O presidente francês, Emmanuel Macron, reconheceu nesta segunda-feira "falhas" na gestão policial dos distúrbios e pediu "novos modos operacionais" para "acabar com aos fenômenos de barricadas e saques". O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que os toques de recolher não afetarão o jogo da Liga dos Campeões, previsto para terça-feira, entre Paris Saint-Germain e Barcelona na capital francesa. Lecornu descartou, no momento, decretar o estado de emergência, como pediu o líder do partido conservador Os Republicanos, Bruno Retailleau, por considerar os toques de recolher mais adequados. Bloqueio ao Louvre Manifestantes bloquearam nesta segunda-feira (19) o acesso ao Louvre, em Paris, em apoio ao movimento estudantil e para denunciar "a repressão policial". A informação foi confirmada por sindicatos e pela direção do museu, o mais visitado do mundo. O museu não abriu, como estava previsto, às 9h00 (4h00 no horário de Brasília) devido a um protesto organizado por estudantes da Escola do Louvre, informou a direção da instituição. Um panfleto distribuído na área afirma: "Estamos orgulhosos de anunciar que bloqueamos o maior museu do mundo". Há várias semanas, estudantes do Ensino Médio estão mobilizados na França para exigir melhores condições em sua educação. A direção do Louvre afirmou que o bloqueio desta segunda-feira, liderado por quase 50 estudantes da Escola do Louvre, não está diretamente vinculado ao museu, utilizado como "caixa de ressonância" do movimento. O sindicato CFDT destacou que estudantes de Belas Artes também se uniram à ação desta segunda-feira. Em seu panfleto, os alunos mobilizados não citam as jornadas de protesto do fim de semana, mas apoiam "a luta pelo direito de estudar, de trabalhar, de viver livremente em boas condições". Localizada dentro do museu, a Escola do Louvre é um centro de Ensino Superior que oferece cursos de História da Arte, Arqueologia, Epigrafia, Antropologia e Museologia.