[Rodrigo Vessoni] Saída de Paz do Corinthians tem fritura política, falta de autonomia e fraqueza di
21 Oct, 2026
Para entender a demissão de Marcelo Paz do Corinthians a sete rodadas do fim do Campeonato Brasileiro e com real possibilidade de rebaixamento, é preciso entender os meandros do Parque São Jorge e do CT Joaquim Grava. A saída abrupta foi típica de um profissional que acabou engolido pela política do clube, pelos problemas administrativos e pela falta de dinheiro que tanto atrapalha a instituição nos últimos meses. O executivo de futebol chegou no começo do ano e se deparou com uma série de obstáculos, que cresceram com o passar dos meses diante dos maus resultados e do enfraquecimento de Stabile perante a torcida, os jogadores e demais funcionários do CT. A começar pela função de fortalecer o elenco. Dos quase dez meses em que permaneceu no Corinthians, Marcelo Paz passou cerca de seis sem poder registrar jogadores por causa de mais de um transfer ban. Na janela do início do ano, que ficou aberta ao clube por algumas semanas, contratou jogadores sob as condições impostas pela presidência: sem direitos econômicos, vínculos curtos, salários menores do que aqueles que saíram e, claro, livres ou por empréstimo. Assim vieram Mateus Pereira, Allan, Labyad e Pedro Milans. A falta de autonomia ficou evidente em outras negociações que acabaram sem desfecho positivo. Tanto de saída, como foi a de André para o Milan, rechaçada pelo presidente na última hora pela pressão da torcida, quanto nas chegadas. E não foram poucas. O centroavante Renê, então na Portuguesa, foi um bom exemplo. Paz havia acertado um empréstimo por apenas R$ 700 mil, com o aval de Dorival Júnior, mas Stabile não autorizou a contratação. O jogador acabou no Vitória, onde hoje faz sucesso. O volante Alisson foi outro caso. A negociação estava acertada entre o executivo e o estafe do jogador, mas, na última hora, o presidente também vetou. O mesmo aconteceu com os atacantes Arthur Cabral, do Botafogo, e Artur, hoje no São Paulo. Eram contratações acertadas pelo executivo que, novamente, esbarraram na decisão de Stabile de não seguir adiante. A interferência política também pesou. Pessoas próximas presidente davam palpites e interferiam no trabalho. Exemplo disso foi a decisão, em determinados momentos, de mudanças de funcionários e demissões em algumas áreas que acabaram sendo barradas por pessoas influentes do Parque São Jorge com anuência da presidência. A falta de dinheiro foi um dos principais complicadores do trabalho de Marcelo Paz. Além de limitar as contratações, os atrasos nos pagamentos e premiações afetaram diretamente sua relação com o elenco corinthiano. O executivo já não tinha justificativas para apresentar aos jogadores que, neste momento, têm três meses de direitos de imagem a receber, além de premiações e férias. A relação de confiança entre Stabile e o elenco está estremecida há algum tempo, e Marcelo Paz, no meio de todo esse desgaste, não conseguiu blindar o CT do Parque São Jorge. Para piorar, a decisão de contratar Clarence Seedorf, que não trabalhava há sete anos, desagradou diversas pessoas próximas ao presidente. A escolha aumentou os questionamentos internos ao trabalho do executivo. A gota d’água foi a cobrança pública das torcidas organizadas pela saída de Marcelo Paz. Osmar Stabile, como costuma fazer, cedeu à pressão das pessoas próximas e dos torcedores e acabou demitindo o executivo. Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão. Veja mais posts do Rodrigo Vessoni - Cuidado, Corinthians! A aproximação do Flamengo vai ajudá-lo em quê? - O aviso está claro: pra debaixo do tapete no Parque São Jorge nunca mais! - Entenda por que o Corinthians (e outros times) não fez amistoso nem jogo-treino na parada - Futebol não começou em 2023! Recordar é viver e reviver Adenor... - O adeus e o legado de Ramón Díaz no Corinthians - Falas do treinador do Corinthians são preocupantes. Bem preocupantes, Ramón Díaz!