BYD quer produzir 600 mil carros por ano no Brasil e mira liderança do mercado

admin
25 Oct, 2026
A BYD quer dobrar a capacidade planejada de sua fábrica em Camaçari, na Bahia, para 600 mil veículos por ano. A fabricante chinesa já iniciou o processo de obtenção das licenças necessárias para ampliar o complexo industrial, inaugurado em outubro de 2025, e pretende transformar a unidade em uma base de produção para o Brasil e outros mercados da América Latina. A informação foi revelada por Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, em entrevista à agência Reuters. O anúncio representa mais um passo na estratégia de crescimento da empresa, que chegou ao mercado brasileiro de automóveis em 2022 e passou a disputar posições entre as maiores marcas do país. Em 2023, a BYD registrou 17.937 emplacamentos. O volume saltou para 76.713 unidades em 2024 e alcançou 112.814 veículos em 2025. A expansão foi impulsionada principalmente pelos lançamentos do Dolphin, Dolphin Mini e dos híbridos da família Song, que ampliaram a presença da fabricante em diferentes faixas de preço. O ritmo continuou acelerado em 2026. Somente em setembro, a BYD registrou 22.209 emplacamentos, equivalentes a 8,5% do mercado brasileiro, segundo números apresentados pela empresa. Baldy também informou à Reuters que a operação nacional estava prestes a alcançar 200 mil veículos faturados no acumulado do ano. A meta da fabricante é chegar à liderança do mercado brasileiro em volume de vendas até 2030, posição atualmente disputada por marcas tradicionais como Fiat, Volkswagen e Chevrolet. Demanda supera capacidade e BYD prepara exportações O plano de expansão de Camaçari acompanha o aumento da demanda por veículos da marca. Segundo Baldy, a BYD recebe pedidos equivalentes a aproximadamente 30 mil carros por mês, enquanto pretende alcançar um ritmo de produção de 25 mil unidades mensais até o fim de 2026. Essa diferença representa, de acordo com o executivo, entre 5 mil e 6 mil veículos que a empresa deixa de faturar mensalmente por limitações de atendimento. Foto de: BYD A fábrica baiana foi projetada inicialmente para produzir 150 mil veículos por ano, com uma segunda etapa prevista para elevar a capacidade a 300 mil unidades. Agora, a fabricante trabalha para ampliar esse potencial até 600 mil veículos anuais. Baldy não estabeleceu um prazo para a conclusão dessa nova expansão, que ainda depende de autorizações e investimentos adicionais. Parte dessa capacidade será destinada às exportações. A BYD informou ter recebido encomendas de 50 mil veículos da Argentina e outras 50 mil do México, com expectativa de começar a atendê-las em 2027. Para isso, pretende superar 50% de componentes nacionais em seus automóveis no início do próximo ano, ampliando a participação de fornecedores locais e atendendo às exigências aplicáveis à produção e ao comércio regional. Foto de: Motor1 Brasil A nacionalização é uma etapa importante do projeto. Desde o início das operações, a BYD enfrenta questionamentos de representantes da indústria brasileira sobre a utilização de componentes importados e as condições de concorrência com fabricantes que já possuem cadeias produtivas estabelecidas no país. O avanço das instalações industriais em Camaçari deverá aumentar a quantidade de processos realizados localmente. Como está a fábrica da BYD em Camaçari? Um ano após a inauguração, o complexo industrial da BYD avança na preparação das áreas responsáveis pela soldagem e pintura das carrocerias. Em comunicado divulgado em 23 de outubro, a fabricante informou que as obras civis dessas estruturas foram concluídas e que os equipamentos estão na fase final de testes operacionais. Mais de 1.100 profissionais já foram contratados e estão em treinamento para trabalhar nas novas unidades. Paralelamente, a empresa mantém as obras do galpão de estamparia, responsável pela fabricação de peças metálicas da carroceria. A expectativa é avançar para uma produção mais nacionalizada no início de 2027, reduzindo a dependência de conjuntos e componentes trazidos do exterior. A fábrica já realiza a montagem de modelos como Dolphin Mini, King e Song Pro, que estão entre os principais produtos da BYD no mercado brasileiro. Foto de: Motor1.com O complexo ocupa uma área de 4,65 milhões de metros quadrados, no antigo polo industrial da Ford, e é a maior instalação da BYD fora da China. O investimento inicialmente anunciado foi de R$ 5,5 bilhões, valor que, segundo Baldy, já foi superado. Atualmente, a operação emprega cerca de 9 mil trabalhadores diretos, dos quais 90% são baianos. A fabricante prevê contratar mais 500 profissionais até o fim de 2026 para reforçar as áreas de soldagem, pintura e estamparia. A meta é encerrar o ano com pelo menos 10 mil funcionários diretos. Considerando também os postos indiretos, o projeto prevê a geração de até 20 mil empregos quando estiver em plena operação. A ampliação para 600 mil veículos anuais ainda depende de novas etapas de implantação, mas deixa mais clara a dimensão dos planos da BYD para o Brasil. Depois de conquistar espaço com modelos importados e acelerar suas vendas nos últimos três anos, a fabricante prepara uma operação industrial capaz de atender ao mercado interno e disputar encomendas de outros países da região. Mais sobre a BYD BYD oferece Song Pro GL híbrido com R$ 28.500 de desconto no preço para o modelo 2026 BYD contrata mais 1.100 empregados para soldagem e pintura em Camaçari (BA) rumo à produção nacional Novo BYD Dolphin Mini estreia na China por menos de R$ 50 mil e deve chegar ao Brasil em 2028 BYD lançará Dolphin híbrido no Brasil em fevereiro de 2027 com outro nome, diz colunista