Tecpar submete à Anvisa pedido de registro da vacina contra varicela
27 Oct, 2026
4–6 minutos O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) avança no projeto para a produção nacional da vacina contra a varicela para fornecimento ao Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, o instituto submeteu o registro do imunizante à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para que a vacina possa ser comercializado e utilizado no País. Assim que o registro for aprovado, o Tecpar programará o primeiro fornecimento para o Ministério da Saúde. A previsão é que 7 milhões de doses sejam fornecidas já em 2027. O pedido de registro de uma vacina à Anvisa é a etapa em que o laboratório fornece todos os dados de testes científicos para a agência avaliar a segurança, a qualidade e a eficácia do produto, antes que ele possa ser vendido ou aplicado na população. SELEÇÃO – Em 2025, o Tecpar foi selecionado como o único laboratório público fornecedor de vacinas contra varicela e raiva humana para o Ministério da Saúde. O abastecimento dos imunizantes se dará por meio da parceria com a biofarmacêutica chinesa Sinovac, dentro do programa de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP). Acompanhe nossa página do Jornal do Oeste no Instagram Entre no canal de notícias do Jornal do Oeste no Telegram Mantenha-se atualizado no grupo de WhatsApp do Jornal do Oeste “Como o registro da vacina será feito em nome do Tecpar, o instituto será o responsável pela liberação do produto no Brasil. Nesta etapa da PDP, o produto finalizado com a embalagem e marca Tecpar será importado da China. Ao chegar ao Brasil passará pelas verificações de temperatura e qualidade e, depois, será enviado ao Ministério da Saúde”, explica a gerente do Centro de Transferência de Tecnologia do Tecpar, Carolina Perottoni. O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, ressalta este é um projeto de grande relevância para a saúde pública, porque visa a aumentar a soberania nacional na fabricação de imunobiológicos essenciais, reduzindo a dependência de importações para campanhas de vacinação. “O objetivo central da parceria com a Sinovac é garantir a transferência de tecnologia, a absorção de conhecimento técnico e a capacitação produtiva no Brasil. Com isso, a meta é que futuramente possamos iniciar a produção local da vacina para suprir integralmente as necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS)”, ressalta. PARCERIA – Para o cientista-chefe da Sinovac no Brasil, Dimas Covas, a submissão do pedido de registro representa um passo importante na parceria com o Tecpar e no projeto de transferência de tecnologia para o País. “A transferência de tecnologia envolve compartilhar conhecimento, capacitar equipes e trabalhar em conjunto na implementação e na validação das etapas produtivas. É essa construção com o Tecpar que buscamos desenvolver, combinando a experiência tecnológica da Sinovac com as competências brasileiras para fortalecer a capacidade de produção de vacinas e contribuir para o atendimento às necessidades do SUS”, afirma. SUBMISSÃO – Durante o processo de submissão são avaliados diversos documentos técnicos sobre o desenvolvimento da vacina: as células que são utilizadas, equipamentos envolvidos, os testes clínicos, etapas de processo de fabricação e controle de qualidade, e também as licenças que o Tecpar e Sinovac possuem. Por se tratar de análise minuciosa, a submissão deve levar cerca de seis meses a um ano para ser concluída. O Tecpar e Sinovac já assinaram acordos de qualidade e iniciaram a discussão do contrato de fornecimento entre as duas empresas. O acordo de qualidade é um dos documentos necessários para a submissão do registro, que apresenta como o Tecpar obtém as informações de qualidade do produto junto à empresa farmacêutica. Também está em avaliação a primeira minuta do acordo de fornecimento, documento que descreve como será a relação entre o Tecpar e a Sinovac para o fornecimento da vacina. O acordo registra informações relacionadas à importação, distribuição e como se dará a relação comercial entre as partes envolvidas. COMPLEXO LABORATORIAL – A intenção é que as duas vacinas contempladas na PDP – contra raiva humana e contra varicela – tenham seu processo produtivo no complexo laboratorial do Tecpar que está sendo construído em Maringá. A obra de implantação da infraestrutura do Parque Tecnológico Industrial da Saúde do Instituto na cidade já alcançou 65% de execução, com expectativa de ser finalizada até o final deste ano. Para acompanhar o avanço das obras, uma comitiva com engenheiros da biofarmacêutica chinesa, acompanhados pela equipe técnica do Tecpar, fez uma visita técnica ao Parque Tecnológico de Maringá. Após conhecer a infraestrutura do local, eles apresentaram ao gestor do Parque as adequações necessárias para a instalação da fábrica, que serão encaminhadas à prefeitura de Maringá. Os representantes da Sinovac apresentaram o primeiro layout das plantas da futura fábrica de vacinas, que está sendo avaliado pela equipe de engenharia do Tecpar, para verificar se atende à legislação e exigências regulatórias do Brasil. Na sequência, inicia-se a etapa de custeio, que vai definir custos aproximados do projeto básico, executivo e da obra, e da operação da fábrica. Acompanhe nosso canal de notícias do Jornal do Oeste no YouTube Siga nosso canal do Jornal do Oeste no TikTok Curta nossa página do Jornal do Oeste no Facebook PREVENÇÃO – A varicela, também conhecida como catapora, é uma infecção viral altamente contagiosa, bastante comum no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2017 e 2026, o Brasil registrou média anual de 11.515 casos. Os sintomas da varicela incluem manchas vermelhas e bolhas na pele e muita coceira, acompanhadas de febre e mal-estar. A transmissão ocorre por meio de tosse, espirros ou contato com o líquido das bolhas. Embora se apresente de forma mais leve em crianças, a doença pode ser grave em adultos, gestantes e pessoas com imunidade baixa. No Brasil, a prevenção contra a varicela é feita por meio da aplicação da vacina tetraviral, que protege contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela, e faz parte do Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde. Atualmente a vacina monovalente contra a varicela utilizada no País é fabricada por laboratórios estrangeiros e importada.