BYD pausa produção do King no Brasil e culpa é do Atto 2
30 Oct, 2026
De Camaçari (BA) — Um ano após inaugurar sua fábrica de automóveis no Brasil, a chinesa BYD interrompeu temporariamente a montagem do King. O motivo não é a falta de compradores, visto que o sedã chegou a superar o Toyota Corolla e liderou a categoria nos últimos dois meses, mas a alta demanda por seu mais recente lançamento, o Atto 2. A informação foi confirmada por integrantes da engenharia da marca durante uma visita técnica com jornalistas ao complexo industrial. A linha está quase totalmente dedicada ao novo SUV híbrido flex, que já acumulou cerca de 7 mil reservas desde a abertura da pré-venda, mas a empresa afirma ter estoque suficiente do King para abastecer as concessionárias até a retomada de sua montagem. Teste BYD King (BR) 48 Como é o King atual Lançado no Brasil em 2024, o King é um sedã médio híbrido plug-in de 4.780 mm de comprimento, 1.837 mm de largura, 1.495 mm de altura e 2.718 mm de entre-eixos. O porta-malas comporta 450 litros, enquanto o tanque leva 48 litros de gasolina. A linha é dividida entre as versões GL, mais focada para frotistas, e a GS, topo de linha, ambas equipadas com um motor 1.5 aspirado a gasolina e outro elétrico dianteiro. Na configuração de entrada, o conjunto entrega 209 cv e utiliza uma bateria Blade de 8,3 kWh, enquanto a mais cara chega aos 235 cv e recebe um pacote de 18,3 kWh. O King foi um dos primeiros carros da marca a ser nacionalizado em Camaçari, em outubro de 2025, ao lado do Dolphin Mini e do Song Pro. O Atto 2 foi acrescentado posteriormente à mesma linha de montagem final, permitindo que a fabricante altere a proporção de cada modelo conforme a demanda. Foi justamente essa flexibilidade que permitiu concentrar quase toda a operação atual no SUV sem retirar o sedã do catálogo. Fotos de: Mario Villaescusa / Motor1.com Sedã conseguiu quebrar hegemonia do Corolla Embora tenha demorado a ganhar volume após a estreia, o King conseguiu superar o Toyota Corolla em agosto e setembro, tornando-se líder entre os sedãs médios por dois meses consecutivos. No primeiro deles, foram 1.432 unidades do BYD contra 855 do rival, enquanto setembro terminou com uma diferença ainda maior, de 1.666 contra apenas 475 carros. Parte desse resultado, vale dizer, foi favorecida pela produção pausada do Corolla sedã durante a transferência de sua linha entre as fábricas de Indaiatuba e Sorocaba, ambas no interior de São Paulo. Ainda assim, o desempenho do King não dependeu apenas do problema enfrentado pela Toyota, visto que seus emplacamentos de setembro cresceram 66,4% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado dos nove primeiros meses, o Corolla ainda conservava a liderança com 16.018 unidades, contra 12.906 do King. A vantagem, porém, caiu consideravelmente em relação aos anos anteriores e ajuda a afastar qualquer possibilidade de que a interrupção em Camaçari tenha sido motivada pela falta de interesse no sedã. Flagra: BYD testa novo King renovado no Brasil 3 King pode voltar já flex e de cara nova A grande questão é se quando voltar ela ainda será oferecido como está disponível nas lojas hoje, visto que a marca já testa no país protótipos de sua linha reestilizada, vendida no exterior como Seal 05 DM-i, e que teve grandes modificações tanto na parte externa quanto na interna. Também não é exagero dizer que a pausa pode dar um tempo para que a marca já o adapte para a tecnologia flex. Segundo executivos ouvidos por Motor1.com Brasil, o plano é adaptar gradualmente os híbridos produzidos em Camaçari ao etanol, seguindo o caminho aberto pelo Song Pro e pelo próprio Atto 2. A mudança é facilitada pelo uso de uma arquitetura semelhante nos três modelos, sempre combinando um motor 1.5 aspirado a um propulsor elétrico, embora existam diferenças de potência, bateria e calibração. O King oferecido atualmente, lembramos, continua abastecido somente com gasolina, sendo o único híbrido na planta a ainda não contar com a possibilidade de ser abastecido com etanol. A fabricante não relacionou a paralisação ao início da produção do modelo renovado ou flex, portanto ainda seria precipitado afirmar que a mudança acontecerá antes da retomada. Por enquanto, a única razão confirmada para a pausa é a necessidade de abrir espaço ao Atto 2 e atender mais rapidamente às reservas acumuladas pelo SUV. Leia mais Teste: BYD Atto 2 GS PHEV aposta em economia para enfrentar SUVs compactos BYD faz sedã maior que o King custar menos que Kwid e Mobi na China BYD já testa novo Dolphin híbrido flex no Brasil mirando Chevrolet Onix e Volkswagen Polo Vale a pena comprar o novo BYD Atto 2? Veja onde ele acerta e erra