Binance diz que cobriu 90% das perdas após ataque hacker de US$ 6 bilhões
31 Oct, 2026
Resumo Alvo de ataque hacker que levou a um roubo de mais de US$ 6 bilhões, a corretora de criptomoedas Binance anunciou hoje que cobriu 90% da quantia perdida. Por meio de comunicado divulgado em seus perfis nas redes sociais, a empresa afirmou que a meta é recompor 100% dos ativos afetados sem que nenhum usuário seja prejudicado financeiramente. A Binance ainda informou que o "próximo objetivo prioritário" é a retomada dos saques para os clientes, prevista para este domingo (1º). Segundo a Binance, os dez principais tipos de criptomoedas roubadas pelos criminosos, incluindo bitcoin (BTC) e ether (ETH), já tiveram 100% dos valores cobertos. Os 10% restantes são referentes a tokens menos negociados no mercado, o que dificulta a compra de grandes quantidades desses ativos e pode atrasar a reposição. Como Binance pretende repor o dinheiro roubado A Binance informou que, para cobrir as perdas, está utilizando recursos de um fundo de emergência criado para proteger os clientes, além de parte de um fundo de seguro destinado a operações com criptomoedas e dinheiro do próprio caixa da empresa. Entre os mecanismos anunciados, está o Safu (Fundo de Ativos Seguros para Usuários), criado em 2018 para proteger investidores em situações excepcionais, como ataques hackers. A corretora pretende recompor seu saldo para aproximadamente US$ 1 bilhão. A empresa também utilizou parte de um fundo de seguro para operações com criptomoedas, afirmando que a retirada não compromete a proteção dos investidores. Embora os dez principais ativos, já estejam com 100% de cobertura, a Binance explicou que o acionamento parcial do Safu é necessário para adquirir os 10% de tokens restantes, que possuem menor liquidez no mercado. A Binance anunciou, ainda, uma atualização de suas reservas, com dados de 31 de outubro. Segundo a corretora, os clientes poderão verificar se seus investimentos estão integralmente respaldados por ativos mantidos pela plataforma a partir de terça-feira (3), quando está prevista a conclusão de uma verificação técnica. Como aconteceu o ataque hacker? Segundo informações da Deutsche Welle, a Binance informou que, até o momento, não há evidências de que as chaves privadas das carteiras tenham sido comprometidas. Em vez disso, os investigadores estão examinando se a infraestrutura utilizada para autorizar transações foi manipulada pelos invasores. Richard Teng, co-CEO da Binance, descreveu a invasão como um "ataque complexo", que não foi realizado por uma única pessoa e envolveu tanto um laptop comprometido quanto um software malicioso projetado para apagar rastros e evidências de sua atividade à medida que avançava, "tornando mais difícil rastrear e investigar" o caso. Segundo Teng, os hackers conseguiram manipular um sistema usado para aprovar transações e mover fundos de uma carteira da Binance conectada à internet e controlada pela empresa, de uma forma que não passou pelos controles normais de autorização. Isso permitiu que os recursos fossem transferidos sem seguir os procedimentos de segurança que normalmente seriam exigidos para aprovar e validar esse tipo de movimentação financeira. Registros da blockchain mostram que a maior parte do roubo ocorreu em cerca de 20 minutos, começando pouco depois das 17h de quinta-feira (horário de Brasília). Quem está por trás do roubo da Binance A corretora ainda não apontou um responsável pelo crime, mas diversas empresas americanas de análise de blockchain mencionaram semelhanças com operações anteriores atribuídas a hackers da Coreia do Norte. A TRM citou um ataque no ano passado à corretora Bybit, quando 1,5 bilhão de dólares foram roubados. O FBI atribuiu a ação ao TraderTraitor, uma unidade hacker de elite da Coreia do Norte. Já a Chainalysis informou que os fundos roubados da Binance estavam sendo misturados aos recursos de outro ataque atribuído à Coreia do Norte contra a Bitget em setembro. A Coreia do Norte, que até agora não se pronunciou sobre o episódio, costuma negar envolvimento em ataques cibernéticos e roubos de criptomoedas. *Com informações da DW Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.