Alunos que usam IA tiram notas mais baixas: o que dizem pesquisas recentes
1 Nov, 2026
Alunos que usam IA tiram notas mais baixas: o que dizem pesquisas recentes Resumo Uma leva de pesquisas recentes mostra a IA entrando de vez no trabalho, nas empresas, na escola e nas compras, mas sem convencer as pessoas de que isso vai gerar empregos. Os números revelam uma distância entre o que a tecnologia promete para a economia como um todo e o que ela entrega, ou ameaça, na vida de cada um. Axios/CivicScience: americanos esperam crescimento sem empregos *O novo índice mensal de sentimento sobre IA da Axios com a CivicScience ficou em 41,8 numa escala de 0 a 100 em outubro, o que indica uma visão negativa sobre a tecnologia. *O índice reúne seis medidas: efeitos da IA na qualidade de vida, na sociedade, nos empregos e no crescimento econômico, além do apoio ao desenvolvimento da IA e a novos data centers. *Só o crescimento econômico teve saldo positivo, de 10 pontos; na criação de empregos, o saldo foi de -30,4 (o saldo é a diferença entre respostas positivas e negativas). *A pesquisa ouviu mais de 7.300 adultos pela internet entre 1º e 26 de outubro, e o índice passa a ser divulgado na primeira sexta-feira de cada mês a partir de dezembro. IAgora? *Os americanos acreditam que a IA vai fazer a economia crescer, mas não que vai sobrar emprego para eles - é como ver a fábrica do bairro bater recorde de produção enquanto demite. Esse descompasso entre o ganho coletivo e o medo individual ajuda a explicar por que a desconfiança com a IA continua alta mesmo com tanta promessa de prosperidade. McKinsey: empresas trocam a compra de software por agentes de IA *Cerca de uma em cada três empresas deixou de comprar pelo menos um software ou função porque agentes de programação - sistemas de IA que escrevem e testam código sozinhos - permitiram construir a ferramenta dentro de casa, segundo a pesquisa State of AI, da McKinsey, com 1.719 executivos. *A troca é mais comum em tecnologia (41%) e saúde (39%); serviços profissionais e energia aparecem com 38%. *Entre empresas com receita acima de US$ 1 bilhão, a fatia que usa agentes de IA em escala em pelo menos uma área saltou de 27% para 40% em um ano; nas menores, ficou estável em 22%. *Para as empresas de software, que cobram por usuário apostando que comprar é mais fácil do que construir, o sinal é de alerta: é como se o cliente do restaurante descobrisse que consegue preparar o prato em casa em poucos minutos. E a vantagem fica com as grandes, que têm dinheiro e estrutura para trocar a assinatura pelo agente. McKinsey: a confiança na IA cresce mais rápido que o lucro *Só 37% das empresas atribuem algum impacto nos lucros à IA, o mesmo patamar do ano anterior. *Apenas 6% se enquadram no grupo de alto desempenho com IA, segundo os critérios da McKinsey. *A parcela que espera cortes de empregos por causa da IA subiu de 32% para 39% em um ano. *As empresas estão apostando na IA antes de ver o retorno, e o corte de vagas aparece como o jeito mais rápido de fazer a conta fechar. É o mesmo descompasso que os americanos sentem na pesquisa da Axios, só que visto do lado de quem contrata. OCDE/Pisa: alunos que usam IA tiram notas piores *O Pisa, avaliação da OCDE com mais de 760 mil estudantes de 15 anos em 91 países, é o primeiro feito depois que a IA se popularizou; os dados são de 2025. *Levando em conta a condição socioeconômica, alunos que nunca usam IA tiveram, em geral, notas melhores em ciências do que os que usam. *O pior desempenho aparece entre quem usa a IA para resumir textos que deveria ler ou rascunhar redações, e entre quem usa só uma ou duas vezes por ano ou todos os dias. *Alunos que usam IA toda semana como apoio para aprender foram um pouco melhor que os que não usam, e a vantagem cresce quando eles são treinados para avaliar a qualidade das respostas da IA. *A IA funciona como a calculadora: ajuda quem entende a conta e atrapalha quem a usa para pular o raciocínio. O recado para escolas e famílias é que proibir não resolve, e ensinar o aluno a desconfiar da IA e conferir o que ela diz passa a fazer parte do aprendizado. Fed de St. Louis: quase metade dos americanos já usa IA no trabalho *O uso de IA generativa entre trabalhadores americanos chegou a 45% em maio de 2026, contra 33% em agosto de 2024, segundo o Federal Reserve Bank of St. Louis, uma das unidades regionais do banco central dos EUA. *Mais de 80% das profissões analisadas têm pelo menos um quinto dos trabalhadores usando IA, mas só 40% delas passam de metade dos profissionais. *O uso é maior em tarefas como ler documentos, preparar relatórios e analisar dados, mas chega até a trabalhadores de lavanderias e limpeza, em atividades de planejamento e comunicação. *Quem já usa IA há pelo menos seis meses tende a aplicá-la em mais tarefas. *A IA se espalha no trabalho como um idioma novo: quem começa a praticar cedo descobre mais usos e se distancia de quem ainda não testou. Com o tempo, essa diferença tende a pesar mais do que a profissão em si. Nuvemshop/Opinion Box: brasileiro já consulta a IA antes de comprar *46% dos consumidores online brasileiros já usaram ferramentas como ChatGPT e Gemini para ajudar numa compra, segundo pesquisa da Nuvemshop com a Opinion Box divulgada em setembro. *Só 1,3% começam a procurar produtos nessas ferramentas; Google, marketplaces e redes sociais continuam sendo a porta de entrada. *Entre quem usa IA para comprar, 48% comparam produtos, 47% tiram dúvidas técnicas, 36% pedem sugestões e 32% procuram ofertas. *A IA virou aquele amigo que a gente consulta antes de bater o martelo: não é onde a compra começa, mas é onde a decisão é tomada. Para o consumidor, vale lembrar que a recomendação depende das informações que a ferramenta encontrou, e nem sempre elas estão completas ou atualizadas. Visa: varejo brasileiro ainda não fala a língua da IA *Só 15% dos varejistas brasileiros ouvidos têm dados de produtos organizados para que agentes de IA consigam ler, segundo o Global Digital Shopping Index 2026, da Visa Acceptance Solutions. *Apenas 21% conseguem identificar quando uma venda teve origem numa ferramenta de IA. *Enquanto o consumidor já pergunta à IA o que comprar, a maioria das lojas continua com a vitrine apagada para ela: se a ferramenta não encontra preço e especificações confiáveis, a marca simplesmente some da comparação. E, sem saber de onde vem a venda, o lojista nem percebe o que está perdendo. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.