Servidores assumem autoria de áudios com ameaças a indígenas no MS, diz PF
1 Nov, 2026
Resumo A Polícia Federal informou que dois servidores da Prefeitura de Tacuru, no Mato Grosso do Sul, admitiram ter sido os responsáveis por divulgar áudios com ameaças a indígenas da Aldeia Sassoró. O governo federal tem recebido denúncias de ameaças, racismo e violência contra comunidades indígenas depois das eleições. O que servidores alegaram Eles foram ouvidos pela PF e disseram que gravaram os áudios, mas não pretendiam colocar as ameaças em prática. "Falaram que foi da boca para fora", afirmou a corporação ao UOL. Os nomes dos dois não foram divulgados. Os áudios falavam em envenenar água consumida por indígenas da aldeia, localizada em Tacuru. Após a divulgação das mensagens, a PF abriu investigação sobre o caso. O diretor de Amazônia e Meio Ambiente da PF, Humberto Freire, disse que investigados culparam "bebedeira" por áudios. Ele afirmou à TV Morena que os servidores alegaram não ter como "materializar as ameaças" e minimizaram as mensagens, que chamaram de "besteira" e "palavra mal colocada". Freire disse ainda que investigações não se basearão apenas nas declarações dos servidores. A coleta de provas por parte da PF continua. Após a conclusão do inquérito, o material será encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para análise de eventuais responsabilizações. Ministros vão ao Mato Grosso do Sul Ministros do governo visitaram ontem aldeias ameaçadas. Eloy Terena (Povos Indígenas) e Janine Mello (Direitos Humanos e Cidadania) foram até as comunidades Taquapery, em Coronel Sapucaia (MS), e Sassoró, em Tacuru (MS), para reforçar as ações do governo na região e avaliar, em diálogo direto com as lideranças, a necessidade de medidas adicionais. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César e Lima, esteve em Dourados (MS). Ele realizou uma reunião de trabalho com as forças de segurança pública, abrangendo Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, a Força Nacional de Segurança Pública e órgãos estaduais, incluindo a Secretaria de Segurança Pública, Polícia Civil e Polícia Militar. Denúncias estão sendo encaminhadas aos órgãos competentes para apuração. "Queremos ser absolutamente rigorosos para que nenhuma dessas práticas possa ocorrer sem a responsabilização. E, por outro lado, queremos tranquilizar a todos de que outros episódios não aconteçam mais", declarou o ministro da Justiça. O Ministério da Justiça atua em uma força-tarefa com as polícias estaduais para proteção das comunidades. "A ideia é que a força-tarefa se mantenha pelo tempo que for necessário, em diálogo permanente com o Ministério da Justiça, com a Polícia Federal, com a Defensoria Pública da União e com o Ministério Público", declarou a ministra dos Direitos Humanos. Terena afirmou que não será permitida violência contra indígenas. "Não iremos permitir que nenhuma violência, nenhuma ameaça perpetrada contra comunidades indígenas ou seus integrantes será desconsiderada", declarou o ministro dos Povos Indígenas a jornalistas ontem. Equipes da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) no estado foram enviadas às aldeias de onde vieram as denúncias, para conferir informações e prestar apoio. O Ministério dos Direitos Humanos recebeu 189 denúncias que envolvem violência política, intimidação e discriminação relacionadas às eleições até 30 de outubro em todo o país. São casos de agressões físicas, xenofobia e assédio eleitoral no trabalho. Já entre os indígenas, o Ministério dos Povos Indígenas recebeu 10 denúncias que, segundo o comunicado, já foram encaminhadas aos órgãos responsáveis para investigações. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.