Dirigentes do Corinthians pedem tempo de transição em MP das Bets e defendem protagonismo dos clubes

admin
3 Nov, 2026
Dirigentes do Corinthians pedem tempo de transição em MP das Bets e defendem protagonismo dos clubes Nesta terça-feira, o Corinthians participou da audiência pública realizada pelo Supremo Tribunal de Justiça (STF), para discutir a Medida Provisória 1.394 de 2026, a "MP das Bets", que proibiu temporariamente a oferta e publicidade de apostas esportivas no Brasil. Pedro Soares, diretor jurídico, e Vinícius Manfredi, superintendente de marketing, representaram o Corinthians no debate e pediram um tempo de adaptação para a aplicação da medida, além de entenderem que os clubes podem ser aliados ao Governo na promoção de campanhas de conscientização contra o vício em apostas - confira na íntegra abaixo. A audiência pública foi convocada pelo ministro Luiz Fux, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 8027, que contesta a constitucionalidade da medida provisória, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de setembro deste ano, e solicita a suspensão de seus efeitos. Em sua fala, Pedro Soares reconheceu os riscos da ludopatia - doença comportamental que envolve o vício em jogos -, mas pediu que os clubes dispusessem de um período de transição antes da aplicação das medidas de suspensão das apostas, para que suas finanças não sejam prejudicadas, chamando a atenção para os riscos às modalidades que dispõem de menos recursos. "O Corinthians vem expor que tenha que ocorrer a modulação, um período de transição, uma adequação. O que não pode é, de um momento para o outro, isso ser cerceado do clube de futebol. O Corinthians é um clube de inclusão social. No futebol feminino, o Corinthians, em dez anos, foi 22 vezes campeão. Ele é hexacampeão da Libertadores, heptacampeão brasileiro e demais campeonatos. Vice-campeão mundial. Essa verba orçamentária, independente da empresa, vai fazer falta de uma forma que coloca em risco todas as categorias do clube. Foram feitos diversos acordos, inclusive com a União, de pagamentos que agora ficaram comprometidos pela falta de orçamento", disse Soares. Já Vinícius Manfredi destacou a oportunidade que se abriu para que os clubes tomassem às rédeas da discussão e propusessem medidas para combater a ludopatia. O superintendente de marketing do Timão entende que o futebol, quando utilizado como veículo de comunicação, alcança lugares que não são impactados por campanhas tradicionais de conscientização. "O que eu queria colocar de mais relevante é a oportunidade que existe de os clubes serem o grande veículo condutor dessa conscientização e de tudo que a gente precisa construir em relação à proteção das famílias, do mercado e do país. Milhões de brasileiros acompanham diretamente seus clubes, seus atletas e seus conteúdos. Essa relação vai muito além da publicidade, envolve identidade, pertencimento e confiança. Essa força pode ser colocada a serviço do poder público e da sociedade, contribuindo diretamente para os objetivos de proteção que motivam este debate. Os clubes podem ser parceiros estratégicos em campanhas de conscientização sobre os riscos das apostas, prevenção da ludopatia, proteção de menores e orientação sobre perigos de plataformas ilegais, que acho que é o grande inimigo em comum. Podemos levar informação qualificada a públicos que nem sempre são alcançados pelas campanhas institucionais tradicionais", opinou Manfredi. O debate no STF abordou as consequências econômicas da medida para o futebol e outros setores da sociedade. Foram discutidas questões sobre segurança jurídica e validade dos contratos firmados antes da proibição. O encontro contou com representantes de clubes, empresas de apostas, empresários e integrantes dos ministérios da Saúde e da Justiça e Segurança Pública. A audiência seguirá ocorrendo na sala de sessões da 2ª turma do STF até às 17h30 desta terça-feira. O Timão, vale lembrar, tem um contrato suspenso com a Esportes da Sorte, casa de apostas que ocupava o espaço máster do uniforme até a edição da MP assinada pelo presidente Lula, no dia 25 de setembro. Mesmo após o posicionamento da patrocinadora, o Corinthians não considera o contrato encerrado e sustenta que o acordo permanece apenas suspenso. O clube solicitou à empresa que aguarde os desdobramentos da audiência pública em Brasília antes de qualquer definição. Caso a medida provisória seja aprovada pelo Congresso Nacional e convertida em lei, o vínculo será rescindido sem a aplicação de multas para nenhuma das partes. A principal divergência entre Corinthians e Esportes da Sorte diz respeito à possibilidade de encerramento do contrato sem custos rescisórios. A empresa entende que as alterações nas regras das apostas esportivas, que impediram a operação e a divulgação de seus serviços no Brasil, justificam o rompimento do acordo sem penalidades financeiras. O clube alvinegro, por sua vez, discorda dessa interpretação e avalia que o cenário não representa, por si só, uma autorização para rescindir o compromisso nos termos propostos pela patrocinadora. Confira os discursos dos representantes do Corinthians na audiência pública do STF Pedro Soares, diretor jurídico "Nós estamos aqui para defender não só o Sport Club Corinthians Paulista, mas o futebol brasileiro. A ludopatia é um problema crônico familiar do brasileiro. O Sport Club Corinthians Paulista tem consciência disso. É um problema que deve ser debatido e discutido. Eu acho que nada é mais poderoso no Brasil do que o futebol. Ele poderia ser utilizado juntamente com a máquina pública, juntamente com o governo, para educar os usuários, para conseguir medidas conjuntas que façam com que a potência do futebol brasileiro ajude na conscientização e no combate à doença. A gente aprende, no início da Faculdade de Direito, que direito é bom senso, isso acho que é um dos preceitos fundamentais do direito. E a contrapartida que aconteceu com a medida provisória para os clubes de futebol foi zero. Então, eu acho que o Sport Club Corinthians Paulista, nesse momento, vem aqui clamar à Vossa Excelência e a todos os demais para que ponderem isso. Nesse sentido, o Sport Club Corinthians Paulista vem expor que tenha que ocorrer a modulação, um período de transição, uma adequação. O que não pode é, de um momento para o outro, isso ser cerceado do clube de futebol. O Sport Club Corinthians Paulista é um clube de inclusão social. No futebol feminino, o Corinthians, em dez anos, foi 22 vezes campeão. Ele é hexacampeão da Libertadores, heptacampeão brasileiro e demais campeonatos. Vice-campeão mundial. Essa verba orçamentária, independente da empresa, vai fazer falta de uma forma que coloca em risco todas as categorias do clube. Foram feitos diversos acordos, inclusive com a União, de pagamentos que agora ficaram comprometidos pela falta de orçamento. Nós temos, além disso, o principal direito do trabalhador, que é o salário. Não basta você falar, ‘olha, vamos fazer a rescisão deste trabalhador e vamos indenizá-lo’. A indenização do jogador é o contrato todo. Então, nós fizemos um contrato de 60 meses, ele trabalhou um mês, ele vai receber 59 de indenização. É muito desproporcional, é uma questão que a gente coloca aqui, que a melhor coisa que se faça é tentar tratar da solução do problema. Como solucionar esse problema agora? Olhando para o para-brisa, olhando para o problema que vem pela frente, do atachamento que está acontecendo com o futebol brasileiro. Vendo com os países vizinhos, a disparidade vai ficar muito grande, porque eles vão ter um patrocínio muito maior do que o nosso e isso vai acontecendo porque vai tendo essa desproporção entre o futebol brasileiro e os demais. Então, para finalizar, a nossa proposta seria de manutenção das medidas, da sua modulação, e de preservação das instituições, das associações esportivas também, que geram muito. Hoje são bilionárias, mas que com o apoio do governo, que economicamente falando, se todos nós agirmos em conjunto e com inteligência, nós vamos tirar o futebol brasileiro de bilionário para trilionário." Vinícius Manfredi, superintendente de marketing "Minha contribuição como executivo de marketing de um clube vai ser menos legalista, vai trazer um pouco da percepção, da importância dos investimentos comerciais para o desenvolvimento do esporte e todos os benefícios que estão ao redor dele. O Corinthians, assim como diversos outros clubes associativos, é uma associação sem fins lucrativos. É sobre transformar receitas em excelência esportiva, desenvolvimento institucional e benefícios para a sociedade, e até mesmo em corrigir rotas financeiras dos clubes. Investir no esporte masculino e feminino, como foi falado, categorias de base, modalidades olímpicas, infraestrutura e melhoria da experiência do próprio torcedor nas arenas ou nas transmissões que vêm aumentando o nível de qualidade, não só pelos clubes de futebol, mas também pelos detentores dos direitos que também contam com mais investimento. O futebol é um ecossistema econômico e social de enorme relevância e todos sabem disso, não à toa estamos aqui dedicados a essa agenda. Quando o clube investe na qualificação do seu elenco, na infraestrutura ou na experiência do torcedor, o produto inteiro ganha. Não só o clube de futebol, ou uma federação, ou só os patrocinadores, mas o público, que é o objetivo final de todos eles. O que começa como uma receita comercial, se transforma em valor compartilhado por toda a cadeia esportiva. O que eu queria colocar de mais relevante é a oportunidade que existe de os clubes serem o grande veículo condutor dessa orientação, dessa conscientização e de tudo que a gente precisa construir em relação à proteção das famílias, do mercado e do país. Milhões de brasileiros acompanham diretamente seus clubes, seus atletas e seus conteúdos. Essa relação vai muito além da publicidade, envolve identidade, pertencimento e confiança, e é aí que eu acho que tem uma receita do bolo para trabalharmos em conjunto. Acreditamos que essa força pode ser colocada a serviço do poder público e da sociedade, contribuindo diretamente para os objetivos de proteção que motivam este debate. Os clubes podem ser parceiros estratégicos em campanhas de conscientização sobre os riscos das apostas, prevenção da ludopatia, proteção de menores e orientação sobre perigos de plataformas ilegais, que acho que é o grande inimigo em comum. Podemos levar informação qualificada a públicos que nem sempre são alcançados pelas campanhas institucionais tradicionais. Mais do que veículos de comunicação, os clubes podem atuar como agentes de conscientização e transformação social. O Corinthians possui um departamento de responsabilidade social extremamente atuante, salvo engano é o primeiro clube a ter uma cadeira de ESG dentro da estrutura de marketing, potencializando todas as iniciativas do clube. Acredito que essa audiência representa uma oportunidade valiosa de diálogo e construção conjunta. O desenvolvimento sustentável do esporte e a proteção da sociedade são objetivos comuns a todos nós. O futebol brasileiro é muito mais do que uma atividade econômica, é um instrumento de desenvolvimento, entretenimento, inclusão e transformação social. Fortalecer sua capacidade de investimento é também fortalecer sua capacidade de gerar oportunidades, desenvolver talentos, aproximar comunidades e transformar vidas. Para finalizar, queremos contribuir para o futebol brasileiro para que ele não seja somente parte dessa discussão, mas sim a solução. Ainda que a razão esteja no banco da frente e a emoção esteja no banco de trás, a paixão pelos clubes vividas nas arquibancadas e 24 horas nas redes sociais pode ser o grande veículo aliado ao mercado e ao poder público para poder levar toda a orientação, conscientização e proteção que a gente precisa."