Honda City 2027 é lançado: como é dirigir o compacto, que está de cara nova
3 Nov, 2026
Resumo A Honda lançou a linha 2027 do City no começo de outubro, trazendo como principal novidade o novo design da dianteira, mais afilado e inspirado no cupê Prelude, que acaba de voltar ao mercado brasileiro. Além do novo visual, a quinta geração do compacto, que chegou no início de 2022, continua disponível com carrocerias hatch e sedã, ganhou mais equipamentos de série e estreou a versão RS - disponível exclusivamente na variante hatch, trazendo visual esportivo e que assume o posto de configuração topo de linha, com preço sugerido de R$ 156.400. Os preços começam na versão de entrada LX, vendida por R$ 117.700 independentemente da carroceria, enquanto a parte mecânica não sofreu alterações, mantendo o motor 1.5 flex aspirado com injeção direta de 126 cv e 15,8 kgfm, sempre associado à transmissão CVT com sete marchas virtuais. Antes de ficarmos com o City durante alguns dias para uma avaliação completa, tivemos um primeiro contato ao volante do hatch e do sedã na configuração Touring na semana passada, em test-drive entre a capital paulista e São Roque, no interior do estado. Neste primeiro contato, confirmamos o que já sabíamos: o City se mantém como referência na categoria de compactos devido a fatores como qualidade construtiva, nível de equipamentos, dinâmica bem acertada e motorização eficiente e confiável, oferecendo baixo consumo de combustível - ainda que o City não tenha recebido, dessa vez, opção híbrida, como aconteceu recentemente com o compacto na Tailândia. Design modernizado A reestilização de meia vida promovida especialmente na dianteira foi uma boa estratégia da Honda para atualizar o City, que essencialmente é o mesmo carro lançado há quatro anos. A parte frontal ficou mais minimalista, dando uma nova personalidade ao compacto graças aos faróis mais esguios, full-LED em todas as versões, à grade escurecida em forma de colmeia dividida por uma barra na mesma cor da carroceria e à moldura também pintada na mesma cor do veículo, posicionada entre o capô e o conjunto óptico. É nessa peça que está o novo logotipo da Honda, agora em duas dimensões, com o "H" chapado e cromado sobre fundo preto com bordas também cromadas. O detalhe que aproxima o City do visual de modelos chineses, como o BYD King, é a faixa de LED iluminada que conecta os faróis, exclusiva das versões topo de linha Touring e RS, que também serve como luz de condução diurna. Ficou bem interessante. Fora isso, os para-choques dianteiro e traseiro também foram redesenhados, exibindo linhas mais retas e que ajudam a diferenciar as duas carrocerias - no sedã, trazem grade inferior em formato de trapézio, com a face maior voltada para baixo, enquanto no hatch o trapézio é invertido, com a face maior voltada para cima. Em ambos, há molduras com tomadas de ar nas extremidades do para-choque frontal, enquanto a mesma linguagem visual é adotada no para-choque traseiro. Por sua vez, a versão RS se diferencia ao trazer detalhes escurecidos na parte externa, em itens como rodas (de 16 polegadas como nas demais versões, porém com acabamento exclusivo), capa dos retrovisores, teto, aerofólio traseiro, antena de teto (do tipo tubarão) e na parte inferior do para-choque traseiro, dotado de um aplique exclusivo da configuração "esportivada" - que traz, ainda, ponteira cromada do escapamento. Por dentro, o City RS é o único a trazer costuras vermelhas no volante, nos bancos, no painel das portas, na coifa do câmbio e em revestimento no painel, além de trazer forro do teto preto - nas demais versões, ele é bege. Apenas a configuração LX tem rodas de 15 polegadas, no caso de aço com calotas. Cabine mantém nível de categoria superior O interior do City 2027 traz como principal novidade a nova central multimídia de dez polegadas, exclusiva das versões Touring e RS e que, além do tamanho maior, traz nova interface e comandos multitoques - ao mover dois dedos para cima ou para baixo, por exemplo, você aumenta ou diminui o volume. Por outro lado, não há mais botões físicos na multimidia maior, cuja inclinação, durante o test-drive, a deixa mais suscetível a reflexos na respectiva tela. Nas demais configurações, a central de oito polegadas foi mantida e, independentemente do tamanho, há conexão sem fio com celulares via Android Auto e Apple CarPlay. De resto, continuam os bancos com ótimo suporte, de couro sintético a partir da versão EXL, o volante de boa empunhadura, a posição de dirigir agradável e o isolamento acústico acima da média. Câmera de ré e botão de partida são de série desde a configuração LX, de entrada, enquanto o City EX agrega painel digital de 4,2 polegadas, freio de estacionamento eletrônico com auto hold e ar-condicionado automático. A partir do City EXL, além dos bancos de couro, o painel digital passa a ser de sete polegadas, além da inclusão de sensores de estacionamento traseiros. Por sua vez, as versões Touring e RS agregam sensores dianteiros, ar-condicionado de duas zonas e a central de 10'. Quanto à segurança, todas as versões vêm de fábrica com seis airbags e, desde o City EX, há o pacote de assistências à condução Honda Sensing, que traz recursos como alerta de colisão, frenagem automática de emergência, controle de velocidade de cruzeiro adaptativo (que agora também funciona em velocidades baixas, como em congestionamentos), centralização automática na faixa e comutação automática do farol alto. Como anteriormente, nenhuma configuração conta com alerta de ponto cego - substituído sistema Lane Watch, disponível a partir da versão EXL e que aciona a imagem da câmera lateral, no lado do passageiro, ao acionar a seta. Não é a solução ideal, pois, inclusive, cobre a informação exibida na multimídia, como a navegação GPS do Waze, por exemplo - ainda que a câmera possa ser desativada (ou ativada a qualquer momento) ao apertar um botão na extremidade da alavanca direita, a mesma da seta. Por fim, vale destacar um diferencial do City Hatch mantido na linha 2027: o sistema modular de rebatimento de bancos Magic Seat, de série em todas as versões com dois volumes e que permite transportar na cabine objetos de diferentes formatos e tamanhos. Vale destacar também o bom acabamento da cabine, que, mesmo sem plásticos emborrachados, traz revestimentos de boa qualidade, agradáveis ao toque, bem encaixados e sem rebarbas. Também merecem menção a excelente interface do painel digital e os comandos físicos do ar-condicionado por meio de roldanas com cliques responsivos e bem satisfatórios. Condução bem acertada Ao volante, por conta de atributos como boa ergonomia e do isolamento acústico elogiável, o City continua sendo muito agradável de ser conduzido. Essa impressão é reforçada pela suspensão bem calibrada, que nem parece trazer eixo de torção na traseira. Combinada com os pneus de perfil adequado, filtra bem as imperfeições do piso, elevando o conforto a bordo sem comprometer a estabilidade, com direção elétrica bem comunicativa para um compacto sem pretensões esportivas. Quem já dirigiu um Honda sabe do que estou falando. Já o motor 1.5 pode não ter a mesma disposição de propulsores 1.0 turbo, especialmente no que se refere ao torque em baixas, rotações, mas entrega força de sobra, com seus 126 cv e 15,8 kgfm, especialmente na cidade, mas também em ultrapassagens e retomadas na estrada. Associado ao câmbio CVT com sete marchas simuladas, proporciona aceleração linear, embora, ao pisar fundo no acelerador, as rotações elevadas, mesmo que apenas por alguns instantes, incomodem um pouco. É algo característico do tipo de transmissão utilizada no City, mas não desmerece o conjunto. Principalmente se considerarmos o baixo consumo: rodando a cerca de 90 km/h em pista plana e com velocidade constante na Rodovia Castello Branco, onde a maior parte do test-drive foi realizada, o computador de bordo chegou a marcar 21 km/l com gasolina. Em condições reais no dia a dia, espere consumo semelhante ou até maior do que as médias oficiais do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) informadas pela Honda: 12,9 km/l no ciclo urbano e 15,3 m/l no rodoviário, com o combustível derivado do petróleo no tanque. Para concluir, o City se mantém como o melhor compacto, pelo menos considerando os modelos não eletrificados e de marcas tradicionais, ao oferecer uma experiência muito superior ao de outras opções na mesma categoria - o que justifica, também, os preços maiores. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.