Ao volante de clássicos da Fiat, o passado volta à pista
5 Nov, 2026
Ao volante de clássicos da Fiat, o passado volta à pista Em ação pelos 50 anos da marca no Brasil, Diário dirige, no Kartódromo de Aldeia da Serra, modelos que marcaram diferentes gerações desde o 147 A história da Fiat no Brasil não se conta apenas pelos números de vendas ou pelos modelos que chegaram às concessionárias ao longo das últimas cinco décadas. Ela também está nas lembranças de quem aprendeu a dirigir em um Fiat 147, viajou a bordo de um Mille, sonhou com um Tipo ou um Coupé nos anos 1990, ou mesmo tem na garagem a última versão do Uno. Para celebrar seus 50 anos de atuação no país, a marca proporcionou aos jornalistas uma viagem no tempo: a oportunidade de assumir o volante de alguns dos carros que ajudaram a construir essa trajetória. O encontro aconteceu no Kartódromo de Aldeia da Serra, no Interior, onde o Diário pôde experimentar diferentes gerações de veículos da fabricante. Mais do que observar as linhas dos modelos ou recordar suas histórias, a proposta era sentir cada um desses carros (eram 14, no total) ao volante. Em poucos metros, ficou evidente como a experiência de dirigir mudou ao longo dos anos, especialmente com a chegada de tecnologias que hoje parecem indispensáveis, mas que nem sempre estiveram presentes. O principal destaque do dia foi o Fiat Mille. Afinal, foi o primeiro carro do jornalista que aqui escreve. O modelo da ação, porém, era a série especial Grazie Mille, que marcou a despedida do compacto. Para quem não se lembra, o modelo nasceu, como Uno, em 1984, e passou a ser chamado de Mille (mil, em italiano) em 1990, quando a marca adotou a nomenclatura associada à motorização de 1 litro. Seu desenho simples, a carroceria compacta e a proposta funcional do Mille remetem a uma época em que o automóvel precisava, acima de tudo, cumprir bem sua missão de transportar pessoas. E, ao volante, o modelo mostra justamente essa essência. Sem uma longa lista de assistentes eletrônicos ou recursos sofisticados, o motorista precisa participar mais ativamente da condução, perceber as reações nas curvas, administrar os comandos e entender os limites do conjunto. Ao volante do Mille A direção, os comandos e as respostas do conjunto mecânico são percebidos de maneira direta. Não há filtros. No Grazie Mille, porém, já tem modernidade, pois o modelo conta com direção hidráulica, ar-condicionado e trio elétrico. Seja como for, nada de sistemas eletrônicos, controles de estabilidade ou assistentes de condução. Isso chegou bem depois de o modelo sair de linha, em 2014, por conta da obrigatoriedade de airbags e freios ABS. Na prática, é uma experiência que pode parecer rudimentar para quem se acostumou aos modelos atuais. Até mesmo pelo básico câmbio manual de cinco marchas, pela carroceria mais "magra", pela linha de cintura baixa e, sobretudo, por apresentar itens impensáveis nos dias de hoje. Tem, por exemplo, cinzeiro e acendedor de cigarros - este último, atualmente, virou tomada 12V. A sensação de estar realmente no controle do veículo é ímpar. Durante o passeio - neste dia, era proibido correr, até para que pudéssemos contemplar o momento - foi curioso guiar um carro que extrai apenas 66 cv do motor 1.0 flex de quatro cilindros e tem torque de 9,2 mkgf. O compacto, mesmo pesando apenas 830 kg leva longos 14,7 segundos da inércia aos 100 km/h. E tem 153 km/h de velocidade máxima - nem precisava limitar eletronicamente. E o porta-malas do Grazie Mille, de 290 litros, abre na chave. Hoje em dia, já existe até comandos hands free. Anos 90 A programação também reservou espaço para dois representantes da Fiat nos anos 1990: Tipo (acima) e Coupé (abaixo). O primeiro chamou a atenção, à época, por sua proposta de hatch médio, com espaço interno e soluções que o colocaram em evidência no mercado brasileiro. Ao dirigir o exemplar, é possível perceber como a categoria oferecia uma experiência diferente daquela dos compactos populares, sem abrir mão de comandos relativamente simples e de uma relação bastante direta com o motorista. Seu painel quadrado e os diversos mostradores saltam aos olhos. Já o Fiat Coupé representa uma vertente mais emocional da história da marca. Com carroceria de desenho esportivo e personalidade própria, o modelo era comparado aos Ferrari, à época, principalmente, pelo capô longo, frente baixa e lanternas e mostradores internos em formato redondo. Por dentro, muitos botões e tudo muito monocromático. Tinha até teto solar. Despertava desejo. Na pista, o comportamento convida o motorista a explorar suas respostas. Desenvolvido sobre a mesma plataforma do Fiat Tipo, o Coupé chegou ao Brasil com motor 2.0 16V aspirado. O turbo, só lá fora. Eram, de acordo com a marca, 137 cv de potência e 18,4 mkgf de torque. Ademais, vinha com freios a disco nas quatro rodas e suspensão ajustada para o solo daqui. Até 1997, foram importadas e vendidas 1.124 unidades no mercado. O mais antigo A viagem no tempo terminou com o Fiat 147, o mais antigo da frota, um exemplar de 1979. Primeiro modelo da marca italiana produzido no Brasil, ele carrega uma importância que vai além da nostalgia: foi um dos carros responsáveis por consolidar a presença da montadora no mercado nacional. Dirigir esse carro é voltar para uma fase em que a experiência ao volante era essencialmente mecânica. Os comandos exigem familiaridade. Desde colocar o cinto de segurança até virar o volante (sem qualquer assistência), tudo denuncia a idade do projeto. Mas é justamente essa simplicidade que torna a experiência tão especial. Ao fim do dia, a principal lembrança não ficou restrita a um modelo em específico, mas à diferença entre dirigir carros de épocas tão distintas. Do 147, fabricado no fim da década de 1970, à modelos mais atuais como o Palio Rally e os médios Bravo e Punto T-Jet, cada veículo revelou um pouco da transformação da indústria e da relação dos brasileiros com o automóvel. Em tempos de telas, sensores e assistências eletrônicas, conduzir esses modelos foi uma oportunidade de redescobrir o prazer de sentir o carro mais diretamente e, claro, de perceber que, mesmo com toda a evolução tecnológica, alguns dos melhores capítulos da história automotiva continuam vivos na nossa memória. Tem vídeo sobre o tema no Instagram do Diário. LEIA MAIS: