Tecnologias ancestrais

admin
5 Nov, 2026
Marcela FernandesOs conhecimentos tradicionais de bordadeiras e bordadeiros do grupo Unidos de Santa Fé, que participa da festividade do bumba meu boi, em São Luís, são mais do que arte: são expressões tecnológicas da comunidade. É o que defende Marcela Fernandes, pesquisadora em arte e música e doutoranda em Mídia e Tecnologia na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru, em artigo publicado no livro A arte na contemporaneidade (Ria Editorial, 2024). Para Fernandes, maranhense que cresceu em contato com a cultura do bumba meu boi, o conceito de tecnologia não deve se limitar às inovações industriais e digitais de empresas do Vale do Silício (EUA). Ele abrange também os saberes envolvidos na produção cultural, econômica e histórica das populações. A pesquisadora recorre a dois conceitos do filósofo chinês Yuk Hui: o de cosmotécnica, segundo o qual cada técnica expressa a visão de mundo e os valores da cultura que a produz, e o de tecnodiversidade, a ideia de que não existe um único modelo universal de tecnologia. Assim, avalia Fernandes, o bordado, o canto, a dança e a costura tradicionais da festividade maranhense são tecnologias ancestrais que preservam conhecimentos, movimentam a economia criativa e estruturam o ciclo anual do boi. Os desenhos dos bordados representam colheita, religião, flores e o nome da comunidade. Na foto da pesquisadora, de 2025, um integrante do Unidos de Santa Fé carrega artefato exibido no evento. Sua pesquisa tem fotos bonitas? Seu trabalho poderá ser publicado na revista. Envie para [email protected] Republicar