Roaming nas estradas traz ganho tremendo para o país, diz head da Deutsche Telekom
6 Nov, 2026
A recente aprovação de regras de roaming entre as operadoras para ampliar a conectividade celular nas estradas brasileiras pela Anatel foi vista com bons olhos pela Deutsche Telekom. Daniel Sartori Rodrigues, head of delivery & new business na companhia, explicou que a medida traz um ganho tremendo para o Brasil, independentemente de quem é a dona da infraestrutura. A medida do regulador foi chancelada na última quarta-feira, 4, com o objetivo de ampliar às condições de conectividade para municípios com menos de 30 mil habitantes e garantir a principal diretriz da Política Nacional de Conectividade em Rodovias. Lançada pelos ministérios das Comunicações e dos Transportes no final de outubro, a itinerância nacional aberta é ponto-chave para a expansão da conectividade celular nas estradas brasileiras. Na ocasião do lançamento, Frederico Siqueira, ministro das Comunicações, afirmou que a inclusão do compartilhamento de sinal celular era o principal diferencial do projeto em relação ao modelo estabelecido para o leilão do 5G, que previa apenas o cumprimento das obrigações definidas no certame. Na estratégia do MCom, agora regulamentada pela Anatel, um usuário poderá utilizar a rede de outra operadora nos trechos em que não houver cobertura de sua própria prestadora. Para Maximiliano Martinhão, diretor sênior de relações governamentais da Qualcomm, o governo federal tem contribuído para o avanço de iniciativas de incentivo à conectividade nas estradas, como a ampliação da cobertura e o rastreamento de animais. Agora, o próximo passo seria incluir obrigações de cobertura de rede diretamente nas revisões dos contratos de concessão de rodovias, de modo a garantir a continuidade dessa política pública. A proposta foi submetida a consulta pública neste ano. Em palestra no Movecomm 2026, evento organizado por Mobile Time e Teletime em São Paulo nesta quinta-feira, 5, Rodrigues declarou estar ansioso pela implementação do roaming, que trará benefícios diretos aos clientes da empresa, como motoristas de veículos conectados. Contudo, o executivo também afirmou ter curiosidade sobre a dinâmica de mercado que será estabelecida e como as grandes operadoras, que detêm infraestruturas de rede robustas, vão se posicionar. Desafio no roaming Uma fonte familiarizada com o tema explicou à Mobile Time que, embora a medida contribua para ampliar a cobertura nas estradas, a discussão é complexa. Entre os pontos mais delicados está o fato de que uma das três grandes operadoras nacionais investiu pesadamente, ao longo dos anos, na cobertura de rodovias com sua própria rede, buscando obter uma vantagem competitiva para oferecer aos seus clientes. Segundo o especialista, a abertura compulsória do roaming gera dois problemas: A rede da operadora líder foi dimensionada para atender aos próprios clientes, e a entrada de novos usuários pode comprometer sua capacidade; A entrada desses free riders permite que outras operadoras utilizem uma infraestrutura sem terem participado dos investimentos necessários para sua implantação. Na visão do executivo, o segredo para tornar a medida mais equilibrada está na adoção de um mecanismo de troca de infraestrutura (swap). Nesse modelo, as operadoras trocariam capacidade de rede em diferentes regiões, sem a necessidade de desembolsos financeiros, compensando mutuamente os investimentos em expansão. Uma dinâmica semelhante à adotada no compartilhamento de redes de fibra óptica. Operadoras Atualmente, a operadora que mais tem destacado seu trabalho com rodovias é a TIM. No segundo trimestre de 2026, a companhia alcançou 13,7 mil quilômetros de rodovias cobertos com sua rede 4G. A iniciativa está alinhada à estratégia de conectividade para o agronegócio, que chegou a 29 milhões de hectares cobertos no mesmo período. Trata-se, portanto, de uma oferta de conectividade de ponta a ponta, “da porteira ao porto”, como definiu Leonardo Belotti, diretor de vendas B2B da operadora. Com presença em 73% das estradas brasileiras que possuem algum sinal de celular, a estratégia busca promover a digitalização da infraestrutura logística do país, permitindo conectar motoristas e viabilizar novas aplicações no setor produtivo, como câmeras conectadas nas estradas e sistemas de pagamento de pedágio sem cancela (free flow). “A partir do momento que eu digitalizo e entrego uma conectividade, a concessionária de estrada permite simplesmente contratar um serviço, ela tem a operação e a comunicação da sua rede”, disse Belotti. “Então é uma infraestrutura que nós entregamos muito mais ampla e que vai além da comunicação do usuário. Isso nós começamos em parceria muito forte com as concessionárias desde 2019”, recordou. Imagem principal: Daniel Sartori Rodrigues, head of delivery & new business na Deutsche Telekom (crédito: Galeria Marcos Mesquita/ Mobile Time/ Teletime)