Novo equipamento da Polícia Científica do Paraná identifica drogas, medicamentos e bebidas adulteradas
7 Nov, 2026
3–4 minutos A identificação de drogas, medicamentos e produtos falsificados ou adulterados, como vinhos, azeites e bebidas alcoólicas está entre as aplicações de um novo equipamento instalado na Seção de Química Forense da Polícia Científica do Paraná (PCIPR). Com a aquisição do espectrômetro de Ressonância Magnética Nuclear (RMN), a instituição se torna a primeira Polícia Científica estadual do Brasil a utilizar essa tecnologia. Até então, no âmbito da perícia oficial brasileira, o equipamento era usado apenas pela Polícia Federal. O modelo Bruker Fourier 80 utiliza a técnica de Ressonância Magnética Nuclear para fornecer informações sobre a estrutura molecular das substâncias. Os dados auxiliam na identificação e na caracterização de compostos químicos, complementando os resultados obtidos por outros métodos instrumentais utilizados nos laboratórios. Acompanhe nossa página do Jornal do Oeste no Instagram Entre no canal de notícias do Jornal do Oeste no Telegram Mantenha-se atualizado no grupo de WhatsApp do Jornal do Oeste Entre as aplicações estão a análise de drogas de abuso, a identificação de novas substâncias psicoativas e a caracterização de medicamentos. A tecnologia também permite examinar alimentos e bebidas, contribuindo para identificar diferenças de composição que indiquem falsificações ou adulterações em vinhos, azeites e bebidas alcoólicas. De acordo com o diretor-geral da PCIPR, Ciro Pimenta, a aquisição do equipamento representa um avanço para a ciência forense do Paraná. “Amplia o escopo de exames periciais e oferece novas possibilidades para a identificação e a caracterização de substâncias. Fortalecemos a produção de provas técnico-científicas e ampliamos o suporte aos procedimentos criminais, contribuindo para que as autoridades tenham informações qualificadas para a correta elucidação dos casos”, afirma. ANÁLISES – O equipamento poderá otimizar determinados procedimentos laboratoriais e oferecer alternativas para exames específicos. Conforme as características das amostras e os métodos implementados, os resultados também poderão orientar a escolha de análises complementares. De acordo com Gabriela de Moraes Pinto, chefe da Química Forense da PCIPR, o equipamento de RMN contribuirá para identificar substâncias e compreender a estrutura de suas moléculas. “Ele pode ser utilizado na identificação de drogas, medicamentos, solventes e substâncias desconhecidas, além de ajudar na análise de misturas. É uma ferramenta que complementa os equipamentos já existentes no laboratório e amplia nossas possibilidades de investigação, permitindo análises mais completas e resultados mais confiáveis”, explica. A incorporação da tecnologia à rotina laboratorial depende da implementação e da validação das metodologias e da capacitação dos profissionais, observando os requisitos de qualidade, confiabilidade e rastreabilidade das análises periciais. Segundo Caroline Da Ros, coordenadora-geral do NAPI Segurança Pública e Ciências Forenses, diretora do Setor de Ciências Exatas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o aparelho representa um marco para o fortalecimento da ciência forense no Brasil. “Além de ampliar significativamente as possibilidades de aplicação da Ressonância Magnética Nuclear em análises periciais, a iniciativa demonstra o pioneirismo da Polícia Científica do Paraná e sua visão estratégica de futuro, ao investir em tecnologias inovadoras e em um modelo de atuação colaborativa”, afirma. Acompanhe nosso canal de notícias do Jornal do Oeste no YouTube Siga nosso canal do Jornal do Oeste no TikTok Curta nossa página do Jornal do Oeste no Facebook Caroline acrescenta que o potencial de integração do equipamento a uma rede nacional de RMN permite o compartilhamento de competências, a complementaridade das capacidades analíticas e a construção de respostas mais robustas e qualificadas aos desafios da perícia criminal. “É uma conquista que vai muito além da aquisição de um equipamento: é um avanço na consolidação de uma ciência forense moderna, integrada e conectada aos melhores padrões internacionais”, diz. INVESTIMENTO – A aquisição do Bruker Fourier 80 custou aproximadamente R$ 2 milhões, com recursos integralmente repassados pela Loteria do Estado do Paraná (Lotopar).