Gregos decifram papiro que narra descida de Jesus ao inferno e ressurreição
7 Nov, 2026
Pesquisadores da Universidade de Atenas, na Grécia, decifraram um fragmento de papiro de 1.600 anos que traz revelações fascinantes sobre a fé das primeiras comunidades cristãs. O que aconteceu Papiro está em Viena. O documento, que estava guardado na Biblioteca Nacional da Áustria, em Viena, contém trechos que parecem descrever a morte de Jesus Cristo, sua descida ao reino dos mortos (tradicionalmente associado ao Hades ou ao inferno) e a sua posterior ressurreição. Tradução foi coordenada pelos acadêmicos Amphilochios Papathomas e Marianna Thoma, que publicaram a descoberta na renomada revista científica Tyche. O manuscrito em grego antigo, catalogado sob o código P.Vindob. G 29289, é surpreendentemente pequeno, medindo apenas 5 por 7,5 centímetros, um tamanho menor do que um cartão de crédito. Ele apresenta escritas em ambos os lados: a parte da frente parece conter orientações de conduta moral para os cristãos, enquanto o verso traz as intrigantes referências teológicas. Mesmo com diversas lacunas deixadas pelo desgaste do tempo, as poucas palavras que resistiram nos fragmentos formam uma sequência que chamou a atenção dos pesquisadores. "... ele morreu... e não (?) [a morte o] tragou, embora antes, injustamente... [apenas/sozinho] aquele que desceu, subiu/ascendeu de novo...". Os cientistas explicam que, pela estrutura gramatical e pelo contexto histórico, é altamente provável que a palavra "Hades" (o submundo na tradição grega) estivesse originalmente presente logo após o verbo "desceu". Segundo os autores do estudo, o sentido central do texto sugere que somente Jesus, e mais ninguém, teve o poder de entrar no reino dos mortos e retornar de lá por meio de sua própria ressurreição. Essa interpretação encontra forte eco em escritos cristãos antigos, como os de Eusébio de Cesareia, e na própria tradição do Credo professado por cristãos até os dias de hoje, que declara que Jesus "desceu à mansão dos mortos" antes de ressuscitar ao terceiro dia. Como o manuscrito foi datado entre os séculos 4 e 5, os pesquisadores acreditam que o papiro não seja uma prova arqueológica da ressurreição ou um novo Evangelho. Em vez disso, a principal teoria é de que o fragmento fizesse parte de um antigo livro cristão egípcio que acabou se perdendo na história —possivelmente um sermão escrito por um padre ou um hino litúrgico usado por comunidades primitivas nas regiões de Faium ou Hermópolis. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.