36º Cine Ceará estreia com Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux

admin
8 Nov, 2026
Resumo O primeiro curta-metragem de Kleber Mendonça Filho, “Enjaulados” (1997), fez sua estreia nacional no Cine Ceará — Festival Ibero-Americano de Cinema. Décadas depois, o cineasta retorna ao festival como homenageado, ao lado da produtora Emilie Lesclaux. Leia também | Com mais de 45 filmes, 36º Cine Ceará começa neste sábado, 7 A abertura da 36ª edição do Cine Ceará ocorreu neste sábado, 7, no Cineteatro São Luiz. Na programação, que segue até o dia 13, o primeiro dos 45 filmes a ser exibido foi o curta-metragem “Sul de Teerã”, que homenageia o cineasta iraniano Jafar Panahi e marca mais uma parceria do casal homenageado do festival. Para receber os troféus Eusélio Oliveira, Kleber e Emilie compareceram à cerimônia juntos de seus dois filhos e a mãe da produtora. Pela primeira vez no festival e já como homenageada, Emilie Lesclaux, acostumada a atuar nos bastidores, declara ao O POVO: “Para mim, é sempre um pouco difícil, não é o meu lugar de conforto. Mas eu estou muito feliz e emocionada. É uma oportunidade de jogar luz no meu trabalho como produtora”. Durante discurso, após a entrega dos troféus, Kleber Mendonça compartilhou a honraria com os estudantes do Brasil, sendo recebido com fervorosos aplausos, e declarou-se “fruto da universidade pública”. O pernambucano também relacionou o momento da homenagem à “melhor versão possível do nosso País”, aludindo à vitória do presidente Lula nas eleições de 2026. No cerimonial, antes da entrega das estatuetas, Margarita Hernández também falou sobre a “alegria de celebrar a vitória da democracia no Brasil”. Ao O POVO, a coordenadora geral do Cine Ceará destacou a história construída pelo festival de cinema ao longo dos 36 anos. Ela considera o evento uma resposta ao desmonte de investimentos ao cinema que ocorreram no governo de Fernando Collor de Mello e ressalta a permanência e o crescimento do Cine Ceará ao longo dessas décadas, dando ênfase às 134 obras cearenses inscritas este ano para a mostra Olhar do Ceará. Em relação aos homenageados da noite, Margarita Hernández declara: “Desde os longas aos curta-metragens, que já anunciavam um pouco o que era o talento dele, e unido à força de uma produtora como Emilie, eu acho que fizeram uma combinação importantíssima. Uma das duplas de cinema de mais sucesso do país”. Aproximando Recife e Fortaleza a partir do São Luiz, Kleber Mendonça Filho citou o espaço cultural presente em ambas as capitais como as “mais belas salas de cinema do Brasil”, destacando as similaridades entre as cidades. Em entrevista ao O POVO, o pernambucano contou ter assistido ao filme “O Sertão das Memórias” em uma edição do evento na década de 1990. “Eu acho que por sermos nordestinos, a gente já tem um grau de proximidade muito grande, considerando que a indústria brasileira do audiovisual é sudestina”, sustenta. Sobre sua relação com o cinema do Ceará, ele também destaca a produção de Guto Parente e Halder Gomes. “Eu gosto do desprendimento do cinema cearense de falar com seu sotaque, de fazer um cinema como eu acho que faço no Recife e os cineastas pernambucanos também. A gente está falando do nosso jeito, filmando a nossa cidade, o nosso estado e isso é muito importante”, defende o cineasta. Sobre o festival, Emilie Lesclaux diz considerá-lo “fundamental para trazer cinematografias que não são acessíveis no mercado e para trazer formação de público. É um festival muito importante, muito tradicional”. Este ano, o Cine Ceará também homenageia a atriz Isis Valverde, a senadora eleita Luizianne Lins e o crítico de cinema Luiz Carlos Merten. Com três mostras competitivas, o festival exibe 45 títulos do Brasil e de outros países, como Espanha, Equador, Peru e República Dominicana.