Atlético e Barcelona se enfrentam por liderança após guerra nos bastidores

admin
8 Nov, 2026
Resumo O duelo entre Atlético de Madrid e Barcelona, às 17h (horário de Brasília) deste domingo, vale a liderança do Campeonato Espanhol. Os donos da casa têm 28 pontos, contra 30 dos catalães. O Real Madrid, arquirrival de ambos, também tem 30 pontos, com um jogo a mais. Só que a partida no Estádio Metropolitano vale mais do que isso. Ela será o primeiro encontro entre os dois clubes após a maior novela do futebol europeu nesta temporada: a disputa nos bastidores pelo atacante argentino Julián Álvarez. A tentativa do Barcelona de contratar o "Aranha" ganhou força no fim de maio de 2026, quando ele passou a figurar entre os principais alvos do clube para reforçar o ataque, com a iminente saída de Robert Lewandowski. O valor inicial da operação era estimado em cerca de 100 milhões de euros (cerca de R$ 610 milhões). Só que, ciente de que poderia perdê-lo, o Atlético de Madrid havia comunicado ao atacante, ainda em março, que aceitaria sua saída apenas por 150 milhões de euros, desde que uma proposta chegasse antes de 20 de junho. O momento decisivo ocorreu em 22 de junho, durante a Copa do Mundo. Depois da vitória da Argentina sobre a Áustria, Álvarez declarou publicamente que considerava uma transferência a melhor solução e que queria realizar um sonho. Embora não tenha citado o Barcelona, seu desejo de defender o clube catalão estava no centro da disputa. A reação do Atlético foi levar o caso à Fifa, em 30 de junho, com uma denúncia por supostos contatos do Barcelona com o jogador. Em julho, o presidente do clube catalão, Joan Laporta, confirmou que havia apresentado uma oferta, mas a resistência do Atlético transformou a negociação em um confronto público entre as diretorias. A tensão aumentou em agosto: o representante do atacante, Fernando Hidalgo, acusou Miguel Ángel Gil Marín, CEO do Atlético, de mentir. O jogador, por sua parte, pediu aos capitães do clube que tentassem convencer o dirigente a ouvir o Barcelona. O conselho de administração do clube madrilenho, porém, respaldou a decisão de não negociar com os catalães, enquanto Laporta mantinha a proposta inicial, sem aumentar seu valor. O mercado fechou em 1º de setembro sem acordo, e Álvarez permaneceu no Atlético. Diante da situação, o argentino precisou reconstruir a relação com a torcida após receber vaias. Ele foi sistematicamente criticado pela torcida, não teve o respaldo que esperava do treinador Diego Simeone, e o desempenho em campo também não ajudou: o primeiro gol pelo clube na temporada só saiu em 20 de outubro, contra o Stuttgart, pela Champions League. Quatro dias depois, depois de marcar o gol da vitória sobre o Deportivo La Coruña, o argentino pediu desculpas pelas declarações durante o Mundial e reconheceu que, como torcedor, também teria ficado irritado. Foi o gesto público de reconciliação depois de meses de desgaste pela transferência frustrada. Efeitos colaterais Sem Julián Álvarez, o Barcelona precisou usar a criatividade — no mercado e dentro do próprio elenco — para suprir a ausência de Robert Lewandowski. O espanhol Ferran Torres, um dos candidatos a assumir o posto de centroavante titular, também deixou o clube para ir ao PSG. Foi então que Hansi Flick decidiu usar Raphinha em uma posição mais centralizada, aproveitando que a ponta esquerda, posição preferencial do brasileiro, estava bem coberta com as chegadas de Anthony Gordon e Karim Adeyemi. O improviso virou sucesso absoluto: são 19 gols e três assistências em 13 partidas pelo clube, entre La Liga e Champions League. O brasileiro está no topo da artilharia do Espanhol, com 15 gols, dois à frente de Kylian Mbappé. Álvarez soma dois gols em 11 partidas pelo Atlético. Além de seu camisa 11, o clube catalão tem duas opções no elenco para o comando do ataque: Gabriel Jesus, contratado ao Arsenal por 10 milhões de euros (cerca de R$ 61 milhões), e que tem agradado nas chances que teve; e o egípcio Hamza Abdelkarim, de 18 anos, apontado como promessa mundial da posição. Às 17h deste domingo, no Metropolitano, toda a novela de bastidores finalmente será levada a campo. Uma vitória, além de colocar os colchoneros no topo da liga, seria uma espécie de final feliz para a história que movimentou o noticiário na Espanha. Já um triunfo dos catalães significaria que, no fim das contas, a melhor contratação da temporada pode ter sido não contratar Julián Álvarez. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.