Lula fala em "guerra contra o retrocesso" ao acompanhar operação do Enem 2026
8 Nov, 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na manhã deste domingo (8), momentos antes do início da aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, na sala de monitoramento do exame, instalada na sede do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em Brasília. O espaço funciona como centro de controle e acompanhamento logístico da aplicação."> Lula estava acompanhado do ministro da Educação, Leonardo Barchini, e de representantes do Ministério da Educação (MEC) e do Inep. “Nós aqui estamos fazendo uma guerra contra o retrocesso, estamos fazendo uma guerra pela educação, uma guerra que significa paz, uma guerra que significa envolver 600 mil soldados ajudando os estudantes para que a gente garanta total lisura, para que as pessoas possam saber que estão participando de um exame 100% cuidado, que não vai haver ninguém que vai ser lesado numa prova como essa”, afirmou o presidente. O primeiro dia de provas terá início às 13h30, com encerramento previsto para as 19h. Os portões serão abertos às 12h e fechados pontualmente às 13h, seguindo o horário de Brasília. Após esse horário, não será permitida a entrada de participantes. Nesta etapa, os candidatos responderão às questões de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (Língua Portuguesa, Literatura, Educação Física, Artes e Inglês ou Espanhol) e questões de Ciências Humanas e suas Tecnologias (História, Geografia, Filosofia e Sociologia). Além disso, terão que fazer uma redação de no máximo 30 linhas. Leia Também Enem: 90 itens, redação e 5h30 de duração; conheça estrutura da prova Enem 2026: Geografia Física ou Geopolítica? Veja o que priorizar na reta final Enem 2026: estudantes da rede estadual terão transporte gratuito e reforço de ônibus no Grande Recife Acesso à educação como instrumento de inclusão social O presidente Lula também ressaltou a importância da formação universitária e defendeu o acesso à educação como instrumento de inclusão social. Segundo ele, o diploma pode ampliar as oportunidades dos estudantes, especialmente na busca por vagas no mercado de trabalho. O presidente ainda aconselhou os participantes a manterem a tranquilidade durante a realização das provas. “É por isso que eu digo sempre que eu tenho obsessão pela educação, sobretudo aquela educação que permite que as pessoas mais pobres tenham chance de participar. Uma educação inclusiva em que a gente não separa as pessoas pelo salário, a gente não separa a pessoa pela cor, a gente não separa a pessoa pela beleza: a gente separa a pessoa pelo fato de ser humano, ser brasileiro e brasileira e ter o direito de estudar”, afirmou. Lula também lembrou que os candidatos que não conseguirem uma vaga no ensino superior neste ano poderão utilizar o desempenho do Enem em processos seletivos posteriores, conforme as regras de cada programa. No caso do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), por exemplo, são aceitas as notas das três edições mais recentes do exame, considerando a melhor pontuação do candidato. “Obviamente que eu prefiro que você estude um pouco mais e obtenha [uma boa nota], mas você pode, com a nota deste ano, tentar outra vez entrar na universidade o ano que vem. É uma coisa maravilhosa”, completou. O ministro Leonardo Barchini também ressaltou o papel do Enem na democratização do acesso ao ensino superior e como a ampliação das oportunidades de ingresso nas universidades federais contribuiu para mudar o perfil dos estudantes, com maior presença de alunos que cursaram a educação básica na rede pública. “Antigamente, nos anos 90, somente um terço dos estudantes das federais vinha de escola pública. Agora, 20 anos depois, dois terços dos estudantes — quase 70% — vêm da escola pública. A universidade é muito mais colorida, muito mais inclusiva. Ela retrata muito o Brasil, por conta dessa oportunidade que vocês estão tendo com esse exame”, afirmou. Operação logística O diretor de Avaliação de Educação Profissional e Tecnológica do Inep, Ricardo Cardozo, explicou que a organização do Enem envolve uma operação logística que começa com mais de um ano de antecedência e mobiliza servidores públicos federais, forças de segurança e empresas públicas. Segundo ele, o planejamento inclui desde a elaboração e revisão das questões, em ambientes de acesso restrito, até a impressão, o transporte e a distribuição dos cadernos aos locais de aplicação. “É uma operação que dura mais de 12 meses, com muitos servidores públicos federais diretamente envolvidos, de várias diretorias. Você começa com a parte da elaboração e revisão de itens, que é feita em ambiente físico seguro, com controle rigoroso de acesso”, explicou. Cardozo também destacou o esquema de segurança adotado para evitar vazamentos. O transporte das provas conta com escolta da Polícia Federal, além de parcerias com as secretarias estaduais de Segurança Pública, a Polícia Rodoviária Federal e os Correios. A distribuição ocorre por vias terrestres, aéreas e fluviais, com apoio das forças de segurança e, em alguns casos, do Ministério da Defesa. “Do momento em que a prova sai da gráfica até chegar ao último local de aplicação, ela está escoltada. Temos convênios com as 26 secretarias de Segurança Pública estaduais, com a Secretaria do Distrito Federal e com a Polícia Rodoviária Federal”, afirmou. De acordo com o diretor, nesta edição, a operação envolve cerca de 25 mil policiais militares e profissionais dos Correios na etapa de entrega dos exames. A distribuição aos 14,9 mil locais de aplicação ocorre em uma janela entre 10h e 12h, para reduzir o tempo de exposição dos malotes.