Caso Master: Delegada da PF que pediu prisão de Vorcaro vai conduzir interrogatórios da acareação
31 Dec, 2025
BRASÍLIA - Autora do pedido de prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro , a delegada da Polícia Federal Janaína Palazzo será a responsável por conduzir a acareação entre o dono do Banco Master, o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, marcada para esta terça-feira, 30. A acareação foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli , relator da investigação após o envio do caso para a Corte. Toffoli havia também pedido ao diretor-geral da PF, Andrei Passos Rodrigues , para designar um delegado para a condução das diligências. Andrei decidiu manter a delegada que conduzia o caso desde o início, a chefe da Delegacia de Inquéritos Especiais da Superintendência da PF em Brasília, Janaína Palazzo. Ela apontou à Justiça Federal a existência de irregularidades na venda de falsas carteiras de crédito consignado do Banco Master para o BRB por R$ 12,2 bilhões. Com base nos indícios colhidos, a delegada pediu à Justiça Federal a prisão preventiva de Vorcaro e outros dirigentes do Master. Ele foi preso em 17 de novembro por ordem da 10.a Vara Federal de Brasília, e solto no dia 29 do mesmo mês após um habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 1.a Região (TRF-1). Dias depois, a investigação foi enviada ao Supremo Tribunal Federal por causa da apreensão de um documento com Vorcaro que citava um deputado federal , como revelou o Estadão . A previsão é que os principais personagens da acareação, Vorcaro e o ex-presidente do BRB, compareçam pessoalmente ao ato. A expectativa de quem vai participar da acareação é que a delegada vai, inicialmente, realizar o interrogatório de cada um dos três envolvidos para, em seguida, confrontá-los sobre pontos divergentes caso seja necessário. Não foi divulgado um formato oficial para o ato e mesmo os participantes não sabem os detalhes do procedimento porque se trata de uma diligência nunca antes realizada -pela lei, uma acareação só costuma ser feita depois que são identificadas divergências na colheita inicial dos depoimentos. Nesse caso, porém, nenhum dos três até agora havia sido ouvido. A Procuradoria-Geral da República (PGR) havia se manifestado contra a realização do ato sob o argumento de que era necessário, primeiro, colher os depoimentos de cada um dos envolvidos nos fatos, o que ainda não ocorreu. Toffoli, porém, rejeitou o recurso e manteve a realização do ato. Em uma de suas decisões, ele escreveu que os depoimentos serão conduzidos pela autoridade policial e que um juiz instrutor do seu gabinete vai organizar e acompanhar os interrogatórios. De acordo com fontes que acompanham o caso, a expectativa é que esse juiz instrutor seja o desembargador Carlos von Adamek, um dos mais próximos de Toffoli. O processo estava paralisado no STF. A PGR pediu que a Polícia Federal finalizasse a análise do celular apreendido de Vorcaro para verificar se havia outros elementos de prova envolvendo autoridades com foro privilegiado, o que justificaria a manutenção do caso no STF ou a devolução para a primeira instância. Antes disso ocorrer, porém, Toffoli decidiu determinar novas diligências e marcou a acareação. O Banco Central também recorreu contra a acareação e pediu esclarecimentos para saber se Aquino vai depor como testemunha ou como investigado. Um dos receios da instituição é que a condução do processo por Toffoli abra brecha para anular a liquidação do Master.