O ranking dos 10 melhores times brasileiros campeões do mundo

admin
1 Jan, 2026
São seis clubes brasileiros que foram 10 vezes campeões do mundo desde 1960. Não seria tão difícil fazer o top-10 dos que melhor jogaram em uma ou até três partidas valendo o planeta. Mas não tem como não gerar polêmica pelos 50 anos que separam a primeira conquista, em 1962, da última, em 2012. Pode me xingar previamente. Mereço. Até porque se qualquer campeão é respeitável, o mundial é indiscutível. Pode até não ser admirável. Mas como contestar quem ganhou o planeta? Só por bairrismo e clubismo inafiançáveis. Como se faz com o Corinthians de 2000. Já abro o jogo do critério: vai contar muito o que se jogou na decisão. O que aquele time jogava no geral. E também a qualidade do rival, e o desempenho valendo o mundo. Do bi santista, vi na íntegra a derrota em Milão, em 1963. Vi gols e melhores momentos dos demais jogos daquelas campanha. Li muito a opinião dos rivais. Li e ouvi a da imprensa. E tive o privilégio de perguntar (e não foi pouco) a Gilmar, Lima, Zito, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe o que eles fizeram. Do Flamengo, de 1981 em diante, vi todas. Ao vivo. Já revi todas as decisões. E até livro escrevi de 1981. 10) São Paulo-2005. 1x0 LiverpoolMaldade o único tricampeão mundial ser o menos brilhante vencedor entre os brasileiros. Mas a concorrência é altíssima. E o mérito é gigante pelo rival derrotado viver momento excelente na Premier League. Jogava mais do que quando conquistara a Europa, no célebre Milagre de Istambul, contra o Milan. O Tricolor de Paulo Autuori teve uma chance e fez o gol com Mineiro. Os Reds tiveram três lances de gol ajustados e bem anulados, criaram outras 10 oportunidades, e só não venceram por Rogério ter atuação de Ceni contra um Liverpool que não sofria gols havia 10 jogos. 2005 - Rogério Ceni (São Paulo)9) Internacional-2006. 1x0 Barcelona“Arra, urru, me perdoa Gabiru”! gritou o colorado que cornetava o Adriano que fez o gol de uma das maiores surpresas desde sempre, no segundo Mundial unificado pela Fifa. Óbvio que o Barça de Ronaldinho Gaúcho era favorito. Mas Ceará não o deixou andar. Clemer e o sistema defensivo de Abel Braga foram muito bem. E o milagre se produziu ao final. Não foi um amasso como 2005. Mas o Inter parecia ter bem menos chances que o São Paulo em 2005 contra um adversário em grande fase em grande nível. 8) Grêmio-1983. 2x1 Hamburgo (na prorrogação)Paulo César Caju e Mário Sérgio chegaram para dar qualidade e milhagem ao time de Valdir Espinosa. Fizeram o mundo no Japão. Uma das melhores atuações em uma final foi a de Renato. Não apenas pelos gols, mas por toda e entrega e raça. Ele não estava em campo quando o campeão europeu empatou no final do jogo. Dois belos gols parecidos, aproveitando uma bolas longa de Caju no primeiro, e ainda sofreu um pênalti não marcado. Esse VHS Renato Portaluppi pode mostrar para todo o mundo que foi dele e azul. 7) São Paulo-1993. 3x2 MilanCampeão em 1992, o São Paulo de Telê igualou e emulou o Santos de Pelé. Até contra o mesmo rival, o vice europeu Milan. Atuação eficiente de um Tricolor carente de Raí, já no PSG. Foram duas chances criadas e três gols, com o do título “involuntário” de Muller, de calcanhar, na grotesca falha do goleiro Rossi. Zetti foi essencial para suportar a pressão rossonera e conquistar o bi que ajudou o Brasil a se encaminhar logo depois para o tetra, em 1994, contra a Itália. Milan que seria campeão europeu em 1994. O São Paulo recolocou o futebol brasileiro no mundo da bola. 6) Corinthians-2012. 1x0 ChelseaPelo que vinha fazendo desde a Libertadores invicta conquistada no meio do ano, eu considerava o Timão de Tite favorito contra o desorganizado Chelsea de Rafa Benítez. Surpreendente campeão europeu derrubando favoritaços como Bayern, em Munique, e Barcelona de Messi e Pep, na semifinal. O gol de guerreiros e de Guerrero, e notável atuação de Cássio, garantiram o bi mundial alvinegro. O último título sul-americano em um esporte cada vez mais europeu. Ou desde que a Lei Bosman, de 1995, favoreceu a formação de seleções multinacionais nos grandes clubes europeus. 5) Corinthians-2000. 0x0 Vasco, 4x3 nos pênaltisO calor de 14 de janeiro, a tensão e a falta de folga fizeram um jogo mais marcado e amarrado para a imensa qualidade dos finalistas. Nos pênaltis, Dida e as más cobranças vascaínas fizeram o Corinthians bicampeão brasileiro em 1998-99 campeão mundial pela primeira vez, e do primeiro torneio organizado pela Fifa. O Vasco foi um pouco melhor e mais incisivo, mas não soube fazer os gols dentro de casa na decisão nacional mais mundial da história. 4) São Paulo-1992. 2x1 BarcelonaVencer o Dream Team de Cruyff era tarefa para outro craque como Telê Santana. De virada, com dois gols de Raí, e partidaçaa da dupla de ataque Cafu e Muller, o Tricolou foi melhor e venceu umas das melhores partidas da história do confronto. O São Paulo foi exemplar ao mudar o patamar da Libertadores, com planejamento, estrutura e ótimo futebol, enfim conquistando o chamado Projeto Tóquio, batizado em 1985 pelo Corinthians (que nem Libertadores disputou), e que mudou o patamar brasileiro antes da Lei Bosman. 3) Flamengo-1981. 3x0O melhor time que vi no Brasil em estádios e estúdios, desde 1972. Andre Rocha e eu escrevemos a respeito, em livro oficial do clube, lançado em 2011. Em 21 dias, campeão da América, do Rio e do outro lado do mundo. Em 45 minutos, Zico comandou, Nunes esmerilhou, e o Flamengo de Carpegiani deu show contra ó Liverpool que sofreu três gols na primeira etapa, e mal viu a bola no tempo final. Base do Brasil na Espanha em 1982, sumo do jogo bonito brasileiro. O Flamengo é o clube hoje mais preparado para voltar a ser campeão mundial. E ainda assim deverá jogar menos que aquela seleção com Leandro, Mozer, Júnior, Andrade, Adílio, Tita, Zico e Nunes. Todos criados na Gávea. 2) Santos-1963. 1x0 MilanPlacar final do terceiro jogo decisivo. Depois da derrota por 4x2 em Milão, e da vitória no mesmo Maracanã pelo mesmo placar. Palco da terceira partida. O feito santista ainda maior pela qualidade rossonera, dos brasileiros Altafini, Amarildo e Dino Sani. E sem Pelé (lesionado) nos jogos no Rio de Janeiro. Mas com Almir Pernambuquinho para o substituir. E Pepe para, na chuvarada da virada na segunda etapa no segundo jogo, marcar com duas bombas de falta na vitória alvinegra. Pepe que quase não joga. Escolha do treinador que acabou demovido pelos fatos e feitos do maior artilheiro humano do Santos. Que fez o que o ET Pelé não pôde no bi. 1) Santos-1962. 5x2 Benfica“Os jogadores do Santos ficaram 45 minutos sem tocar no relvado”. Letras de um jornal português descrevendo a maravilha que foi a impiedosa goleada contra o bicampeão europeu, dos geniais Eusébio e Coluna. O time de Lula teve sua melhor atuação na história. Depois de ganhar no Maracanã por 3x2, passou o carro e a balsa e a banda na valsa na Luz. Onde o Benfica já se organizava para o terceiro jogo. Contava mesmo com a vitória na volta, em Lisboa. E teve que ver Pelé, Coutinho e companhia ilimitada conquistarem mais um título em 1962. Além do bi mundial da Seleção, no Chile. O auge do Santos e do futebol brasileiro, na década de ouro do esporte. Da música. E do mundo que foi duas vezes santista.