10 acontecimentos que marcaram o setor automotivo em 2025

admin
1 Jan, 2026
Estamos naquele período de resoluções. Todo mundo já definindo metas e dando atenção para as promessas. "Em 2026 as coisas vão ser diferentes", muitos afirmam. Só que 2025 ainda não acabou. Falta pouco, mas ainda temos alguns quilômetros a percorrer no ano. No entanto, já dá para fechar o caixa no nosso segmento. A não ser que algo absolutamente fora da curva aconteça, o setor automotivo já viveu o que tinha de viver em 2025. E é aí que esta lista, outro dos clichês de fim ano, entra. Jornal do Carro preparou uma retrospectiva com os principais acontecimentos do setor automotivo em 2025. Tem desde o tarifaço de Donald Trump até um novo campeão na Fórmula 1. Lista diversificada, não? Confira, abaixo, alguns dos fatos mais relevantes do setor em 2025: A política comercial voltou ao centro da indústria automotiva global em 2025 com o endurecimento tarifário defendido por Donald Trump durante sua campanha e, posteriormente, formalizado em medidas protecionistas. O foco principal foi a indústria chinesa, especialmente veículos elétricos, baterias e autopeças. As taxas mais elevadas alteraram imediatamente o fluxo global de exportações e pressionaram montadoras com operação internacionalizada. O impacto não se restringiu ao eixo EUA-China. Fabricantes europeus e de outros países da Ásia passaram a reavaliar rotas de exportação e investimentos futuros . Além disso, o custo logístico e tributário tornou inviável manter alguns modelos competitivos fora de seus mercados de origem. Para países como o Brasil, o tarifaço teve efeito indireto relevante. Ao elevar o risco geopolítico e comercial, o protecionismo reacendeu o interesse por bases produtivas alternativas, especialmente em mercados com escala, matriz energética relativamente limpa e capacidade instalada ociosa. No quesito aço e alumínio nosso mercado acabou sendo atingido. "Passamos a ter uma invasão de metais em geral chineses no Brasil e isso causou um efeito negativo em nossa indústria. No mercado em si não houve alterações tão grandes", salienta Milad Kalume Neto, da consultoria K-Lume. A parceria entre Renault e Geely ganhou contornos relevantes no Brasil em 2025. A união entre uma montadora com presença histórica e infraestrutura instalada e um grupo chinês com domínio tecnológico e escala global criou um modelo híbrido de cooperação com forte potencial local. Em 2025, marcas chinesas avançaram para a produção local. BYD e GWM iniciaram, ainda que com atrasos, operações industriais. Outras empresas confirmaram cronogramas concretos, impulsionadas por políticas de incentivo, exigências regulatórias e pela necessidade de reduzir custos logísticos e cambiais. O ano de 2025 marcou a quebra de um ciclo dominante e a consagração de um novo campeão na Fórmula 1. Lando Norris, da McLaren, destronou Max Verstappen, da Red Bull, naquela que foi a melhor temporada da categoria desde 2021. Sob o prisma esportivo e técnico, o campeonato evidenciou o nível de convergência das equipes sob o atual regulamento. As diferenças de desempenho diminuíram, as disputas se tornaram mais próximas e a gestão de pneus, energia elétrica e estratégia ganhou ainda mais peso. Norris e McLaren se destacaram justamente pela capacidade de extrair performance em cenários variados, transformando regularidade em vantagem competitiva ao longo da temporada. A Volkswagen fechou sua fábrica de Dresden , na Alemanha, em um movimento inédito em 88 anos. O anúncio foi um dos sinais mais claros da perda de competitividade industrial europeia. A decisão evidenciou a dificuldade de transição simultânea para eletrificação, digitalização e neutralidade de carbono. A indústria alemã, historicamente eficiente, mostrou limitações diante da velocidade chinesa e da flexibilidade produtiva de outros mercados. O impacto simbólico foi profundo. O país que construiu sua identidade em torno do automóvel viu um de seus maiores ícones recuar. O episódio reforçou a ideia de que a geografia industrial do setor pode mudar. A Planta Automotiva do Ceará (Pace) consolidou-se em 2025 como um dos projetos industriais mais singulares do setor automotivo brasileiro. Instalada na antiga fábrica da Troller, em Horizonte (CE), a iniciativa gerida pela Comexport aposta em um modelo multimarcas similar ao da Nordex, no Uruguai, rompendo com o conceito tradicional de plantas dedicadas a um único fabricante. Operando inicialmente nos regimes SKD e com planos de evolução para CKD, a Pace iniciou suas atividades com a montagem do Chevrolet Spark EUV. A estratégia permitiu acelerar o início das operações, reduzir investimentos iniciais e viabilizar a produção local de veículos eletrificados em um contexto de alta complexidade tecnológica e regulatória. O modelo também oferece flexibilidade para incorporar novas marcas e produtos ao longo do tempo. Além da reativação de uma planta industrial ociosa, a Pace contribui para a geração de empregos e para o fortalecimento da cadeia automotiva no Nordeste. Com incentivos fiscais, investimentos em infraestrutura e foco em eletromobilidade, a Planta Automotiva do Ceará torna-se um exemplo de como novos formatos industriais podem reposicionar o Brasil no mapa da produção automotiva global.