Os clichês que confundem torcedores durante o maldito ‘mercado da bola’
2 Jan, 2026
Virada de ano marca o início da janela de transferências. Não tem futebol , mas tem contratações de jogadores e todo um espetáculo que foi criado no entorno disso. Pois bem. Aqui vão alguns clichês dessa época que, pior do que somente clichês, confundem os torcedores e atrapalham o funcionamento do mercado. Primeiro, não existe reforço a “custo zero”. A menos que estejamos falando da Série C para baixo — na qual atletas assinam contratos curtos, para receber um salário-mínimo, muitas vezes sem representação de agentes —, sempre há custo relevante na contratação de jogadores. Em luvas e comissões, principalmente. Fair play financeiro mudaria classificação do Brasileirão e finalistas da Copa do Brasil em 2025 Mercado da bola no Palmeiras: veja os reforços, renovações e quem deixa o clube em 2026 O mito surge do modo como as transferências são comunicadas. O torcedor é levado a crer por nós, da imprensa, que o investimento acontece quando há a compra dos direitos econômicos e federativos. O atleta tem contrato com o clube B, então o clube A paga a multa ou um valor negociado para romper esse contrato. PUBLICIDADE Um jogador “livre”, no entanto, também custa. Quando ele está sem vínculo ou nos últimos seis meses do contrato, o clube A não vai precisar pagar pela rescisão com o clube B, mas desembolsará luvas (pagas ao próprio atleta) e comissões (pagas aos intermediários). E esses valores ficam maiores quando ele está livre. Segundo mito, o jogador que “se paga”. Ronaldo era um ídolo com capacidade de facilitar patrocínios, atrair sócios-torcedores, encher estádios. Neymar também impacta, apesar de decadente. Mas os exemplos acabam aí. Não é porque um jogador é muito bom, que ele gera sozinho grana para arcar com o próprio salário. Publicidade A questão aí é que bons jogadores facilitam na busca por receitas, claro que sim, mas quase nenhum tem força para mover sozinho os ponteiros dos direitos de transmissão, dos patrocínios e dos estádios. Fora a dificuldade de medir, com precisão, quanto o clube conseguiria e quanto esse reforço gerou em adicional. Terceiro problema causado por nós, da imprensa, é com o tempo verbal. Sabe a notícia que diz assim: tal clube “pagou” R$ 50 milhões por tal jogador? Esse valor nunca se quita à vista. O dirigente paga um sinal e parcela o restante em meses, anos, a depender do jogador e do contrato. Portanto, os reforços viram dívidas. Quando se navega pelas páginas de “vai e vém”, que listam quem está chegando e quem está saindo, é importante lembrar desses aspectos. Senão o torcedor pode achar que está tudo muito bem, até descobrir, com a publicação do balanço, que a conta não fechou, que atletas precisam ser vendidos às pressas, e por aí vai.