Novo calendário, fair play e arbitragem: as novidades do futebol brasileiro em 2026
2 Jan, 2026
O ano de 2026 começa com profundas mudanças no futebol brasileiro. A CBF decidiu se mexer e promoveu modificações nas principais competições que organiza, incluindo o Brasileirão e a Copa do Brasil. As alterações no calendário, pedidas havia anos por dirigentes, são as mais importantes.Neste ano, o Brasileirão vai começar pela primeira vez em janeiro. O torneio terá as mesmas 38 rodadas, mas como seu início foi antecipado, será disputado num período maior, durante 11 meses. O campeonato começa no dia 28 de janeiro e termina em 2 dezembro.O atual campeão Flamengo estreará contra o São Paulo, no MorumBis. Já o Palmeiras, que foi o vice em 2025, larga contra o Atlético-MG, na Arena MRV.Taça do Brasileirão, torneio que vai começar mais cedo em 2026O Brasileirão estendido fez com que os Estaduais sejam reduzidos, com um limite de 11 datas. A exceção é o Paulistão, que terá 12 rodadas, algo que a FPF negociou com a CBF porque o plano sempre manter a final disputada em dois jogos. Nesta edição, serão nos dias 4 e 8 de março.O Paulistão também teve seu começo antecipado, para o dia 10 de janeiro. e terá formato inspirado na Champions League: oito rodadas na fase inicial, além de mata-mata em jogos únicos nas quartas de final e semifinal.Na Copa do Brasil, as mais importantes mudanças são a final decidida em uma partida e em campo neutro, marcada para 6 de dezembro, as cinco primeiras fases a serem disputadas em jogo único, o aumento de 92 para 126 clubes e a decisão de dar vaga à Libertadores para o vice-campeão, como antecipou o Estadão em dezembro.Até a edição atual, somente o campeão da Copa do Brasil tinha acesso à principal competição da América do Sul. A CBF deve decidir ainda somente se o vice terá direito a uma vaga direta ou se vai à pré-Libertadores. A Supercopa dá o primeiro troféu da temporada. Corinthians e Flamengo disputam a taça no Mané Garrincha, em Brasília, dia 1o de fevereiro.O novo calendário, diz a CBF, vai proporcionar “crescimento esportivo e técnico às equipes, dar mais robustez e previsibilidade ao calendário, fomentar a performance e o planejamento, tornar as competições mais atrativas para investimentos e torcedores e valorizar os produtos da entidade”.Mudanças no calendário do futebol brasileiro em 2026Estaduais: início em 10/01, com um máximo de 11 datas (12 para o Paulistão); finais em março;Brasileirão: de 28/01 a 02/12, formato mantido;Série B: início em 21 de março e término e 28 de novembroSéries C e D: início em 5 de abril, aumento no número de clubes e novo formato;Copa do Brasil: início em 18 de fevereiro; final em jogo único em 06/12, no encerramento da temporada. 126 em 2026 e 128 a partir de 2027;Copa Sul-Sudeste: 12 clubes, entre março e junho, com até dez datas;Copa do Nordeste: 20 clubes, entre março e junho, com até dez datas;Copa Verde: 24 clubes, com “conferências” da Copa Norte e Centro Oeste, entre março e junho, com até dez datas;Supercopa do Brasil: 1o de fevereiro, partida inaugural do calendário nacional.ArbitragemA CBF deve ter outro chefe de arbitragem em 2026. O plano é demitir o coordenador Rodrigo Martins Cintra, que passou meses sob pressão devido a erros dos árbitros em jogos importantes do Brasileirão.Os cartolas que comandam a CBF avaliam que a arbitragem é um ponto de fragilidade da entidade e por isso precisam agir para marcar diferença com a gestão anterior. Na última temporada, foram muitas as queixas de dirigentes, técnicos e jogadores quanto ao trabalho dos árbitros.Cintra comanda um comitê que conta com outros seis membros: Luiz Flávio de Oliveira, Marcelo Van Gasse, Fabrício Vilarinho, Luis Carlos Câmara Bezerra, Eveliny Almeida e Emerson Filipino Coelho. Nenhum deles está garantido em seus cargos.Chefe da arbitragem da CBF, Rodrigo Cintra deve perder o cargo em 2026Netto Góes, vice-presidente da Federação Amapaense de Futebol (FAF) e presidente do grupo de trabalho que discute mudanças na arbitragem, diz que está no planejamento da CBF pagar bônus a árbitros por acertos no Brasileirão de 2026. “A gente pensa em colocar bônus por êxito dentro das atuações deles. Se dentro do que eles vão atuar na partida, as avaliações feitas por fisioterapeutas, por preparadores, por analistas quanto à performance que o juiz tiver forem positivas, num ranking de desenvolvimento nessa própria matriz de profissionalização, esse árbitro pode vir sim a receber bônus”, afirma o dirigente ao Estadão.O grupo de trabalho criado pela confederação para definir diretrizes de mudanças na arbitragem tem como prioridade implementar a profissionalização da categoria.O modelo de vínculo entre entidades esportivas e árbitros está em debate ampliado, e um projeto de lei sobre o assunto avança no Congresso. Proposto pelo senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), o texto foi aprovado, com substitutivo apresentado pelo senador Romário (PL-RJ), na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. A proposta aguarda apreciação da Câmara dos Deputados.Impedimento semiautomáticoO Brasil será o primeiro País da América do Sul a ter impedimento semiautomático em sua principal liga de futebol. A CBF assinou contrato com a Genius Sports para a implantação da tecnologia, que estará disponível nas partidas do Brasileirão e da Copa do Brasil a partir deste ano.A novidade promete reduzir o tempo de checagem e aumentar a precisão em lances milimétricos que, mesmo com o VAR, ainda geram polêmica a cada rodada.O contrato prevê que a Genius faça a implantação de um sistema robusto de infraestrutura para o sistema operar em todos os 27 estádios dos clubes que disputam o Brasileirão. A empresa tem até o dia 10 de janeiro para emitir o certificado SAOT (em inglês, Semi-Automatic Offside Technology).Cada praça esportiva será equipada com 24 câmeras dedicadas, servidor Genius, conexão mínima de 700 Mbps (ou até 1000 Mbps) e garantia de estabilidade estrutural e ausência de vibração nas câmeras.Fair play financeiroO fair play financeiro no futebol brasileiro, batizado de Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), entra em vigor nesta temporada, de forma gradual, com o objetivo de melhorar a saúde financeira dos clubes, por meio do controle de dívidas e de custos, embora só será aplicado em sua totalidade a partir de 2028, com base no desempenho verificado no ano contábil de 2027. Até lá, haverá uma fase de transição que levará em conta os resultados financeiros de 2026 e 2027, correspondentes às movimentações de 2025 e 2026.O mecanismo da CBF também prevê sanções imediatas para dívidas recentes, item que gerou preocupação entre os clubes. A partir desta quinta-feira, 1o, qualquer dívida contraída pelos clubes passa a ser imediatamente monitorada, com fiscalização distribuída ao longo de três janelas anuais de fiscalização por meio de autodeclaração: 31 de março, 31 de julho e 30 de novembro.O fair play financeiro da CBF é baseado em quatro pilares: Controle de dívidas em atraso: determinar que clubes não possuam pagamentos em atraso com credores relevantes, como outros clubes, funcionários e autoridades.Equilíbrio operacional de clubesControle de custos com elenco: gastos com o elenco principal proporcionais à capacidade financeiraControle de endividamento de curto prazo: clubes mantenham uma estrutura de capital sólida e níveis sustentáveis