Entrada de Arruda e ação de Michelle embaralham corrida ao governo do DF

admin
2 Jan, 2026
Dois atos embaralharam a corrida eleitoral do DF em 2026 e estão forçando lideranças políticas locais a traçar possíveis cenários para os palanques eleitorais. No meio de dezembro o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda se filiou ao PSD com a intenção de concorrer novamente ao cargo em 2026. Semanas antes, a ex-primeiro-dama Michelle Bolsonaro (PL) participou do lançamento da pré-candidatura de Bia Kicis (PL) ao Senado pelo DF. Arruda pretende disputar contra a atual vice-governadora Celina Leão (PP); a fila de postulantes às duas vagas ao Senado tem ao menos quatro nomes da direita: o atual governador Ibaneis Rocha (MDB), além do senador Izalci Lucas, Bia Kicis e a própria Michelle, todos do PL. Lados opostos O ex-governador Arruda é um nome forte no DF. Está inelegível desde 2014, mas uma mudança na Lei da Ficha Limpa em 2025 pode fazer com que ele fique apto a concorrer novamente. Nas suas contas, o prazo de inelegibilidade com a mudança vai terminar em julho de 2026. Se Arruda entrar na corrida, o favoritismo de Celina Leão fica ameaçado: levantamento da Paraná Pesquisas divulgado no fim de outubro mostrou que eles estão tecnicamente empatados (29,8% para ele e 32,2% para ela). Michelle é apontada há meses por aliados como o nome do PL para o Senado no DF. Por isso, causou incômodo em uma ala do partido o apoio público à candidatura de Bia Kicis: há apenas duas vagas e ao menos dois outros políticos para acomodar, Ibaneis e Izalci. O acordo entre os caciques da direita no DF era formar uma coalizão em torno de Celina com dois nomes ao Senado, sendo um o de Michelle. E o grupo concorreria contra o nome da esquerda: Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB) pontuaram bem menos na Paraná Pesquisas, 11,8% e 6,4%, respectivamente. A entrada de Arruda abriu uma nova perspectiva de palanque para competir com a atual vice-governadora e aglutinar os dissidentes. O próprio senador Izalci estava no evento de filiação do ex-governador ao PSD. Uma liderança política do DF diz que a eleição 2026 está se mostrando mais difícil do que parecia há alguns meses e, por isso, vai obrigar aos partidos com força local a escolher qual caminho seguir: o ideológico, apostando em nomes com potencial de voto, mas reduzindo as alianças; ou o pragmático, ampliando coligação, verba e tempo de TV.