"Direita é maior do que o bolsonarismo", diz líder político evangélico

admin
4 Jan, 2026
Fique por dentro das notícias que importam para você! Não, essa minha posição é circunstancial. Ela se deve a esta missão — a esta cruzada que tomei para mim — de conscientizar o mundo cristão, principalmente as igrejas evangélicas, de que não temos que ter uma preferência política ou um político de estimação, como se pudéssemos impedir que outros que pensam diferente e são membros da igreja tenham a mesma liberdade. Eu tenho dito que a igreja não é de direita nem de esquerda. Nosso papel é orar pelas autoridades. Estive com o presidente da República em duas ocasiões institucionais em que tive a oportunidade de orar por ele, mas isso não significa alinhamento ou apoio político. Na verdade, eu sou candidato à minha reeleição, ainda que alguns especulem a possibilidade de eu concorrer ao Senado Federal. Não há nenhuma possibilidade real de uma aproximação política com o atual governo, principalmente durante o período eleitoral, e muito menos com o PT. Nossas diferenças ideológicas, de pensamento e de cosmovisão de mundo são bem opostas. Não vejo nenhuma chance de isso acontecer. Eu acho que existe esse espaço. Se tivermos a candidatura de algum conservador, principalmente evangélico, as chances são reais, pois há 20 anos a igreja elege um senador no Rio de Janeiro. Isso ocorreu duas vezes com Marcelo Crivella e uma vez com Arolde de Oliveira, que, apesar de ter sido deputado federal por oito vezes, era desconhecido da grande massa e foi eleito senador. No entanto, não sei se a relação direta entre esse possível candidato e o governo Lula traria uma resposta positiva dentro da comunidade evangélica — que em sua maioria não apoia o presidente — e entre os conservadores não evangélicos, que também podem ter dificuldades com ele. Eu não tenho dúvida do que sempre digo: a direita é maior do que o bolsonarismo, pois veio antes dele, e o conservadorismo é maior do que a direita. O conservadorismo perpassa partidos em um campo ideológico. Existe conservadorismo na extrema-direita, na direita, na centro-esquerda e na esquerda raiz, como a sindical. Acredito que estou falando com esse público conservador. Os mais radicais, os "bolsominions" que seguem o Bolsonaro cegamente, nunca votaram em mim. O meu eleitorado é, preponderantemente, a comunidade evangélica. Com eles eu converso e eles me conhecem. Portanto, não creio em um prejuízo eleitoral. Primeiro, acredito que não terei apoio do PT nem do governo Lula, pois sou candidato à reeleição e não à majoritária. Respondendo à sua pergunta, há um abismo entre o meu pensamento e o do PT — somos como água e óleo. As pessoas acham que haverá sinergia política porque não estão acostumadas com um político que separa o papel de pastor da missão política. Não haverá alinhamento político, o que há é respeito ao ser humano. Não atacarei o presidente na sua pessoa física nem o adjetivarei negativamente, mas farei uma oposição inteligente e propositiva que pense no Brasil, e não em interesses particulares da direita ou do meu partido. Eu hipotequei o meu apoio ao governador Ronaldo Caiado há quase um ano. Acho que o nome dele contribui muito para o debate político. Caso ele não consiga viabilizar a candidatura, apoiarei algum candidato que esteja no espectro da direita. Confesso que tenho dificuldades caso esse candidato seja o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas, não havendo outra alternativa, posso avaliar esse apoio. Eu prefiro ficar em casa. Se houver um segundo turno entre Flávio e Lula, não pretendo me envolver na eleição sistematicamente. Não apoiarei Lula e tenho minhas dificuldades com o senador Flávio, embora isso possa mudar no futuro. Atualmente, não me vejo vestindo a camisa do Flávio. Acho que a direita tem mais a oferecer, o que passa por uma eventual candidatura do governador Tarcísio (de Freitas, de São Paulo) ou de pessoas que já foram testadas no governo. Formada pela Faculdade Anhanguera de Brasília, tem experiência em assessoria, televisão e rádio. É repórter da editoria de Política, na cobertura do Congresso.