Prefeito de Nova York critica ação de Trump contra Venezuela

admin
4 Jan, 2026
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, do Partido Democrata, classificou como “um ato de guerra” a operação conduzida pelo governo de Donald Trump que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro , e em sua transferência para os Estados Unidos. Em entrevista coletiva concedida no sábado, Mamdani afirmou ter mantido uma conversa telefônica “franca e objetiva” com Trump, na qual expressou discordância em relação ao que chamou de insistência da Casa Branca em promover uma mudança de regime no país sul-americano. Segundo comunicado divulgado pelo prefeito na rede social X, ele foi informado oficialmente sobre a detenção de Maduro por forças norte-americanas, assim como sobre a intenção do governo federal de mantê-lo sob custódia em Nova York. Eleito em novembro e empossado na última quinta-feira (1o), Mamdani destacou que ações militares unilaterais contra um Estado soberano configuram violação das legislações federal e internacional. Para ele, a estratégia adotada por Washington extrapola a política externa e gera impactos diretos na cidade de Nova York, que abriga uma expressiva comunidade venezuelana. “A segurança dessas pessoas e de todos os nova-iorquinos é a minha prioridade”, afirmou o prefeito, acrescentando que seguirá acompanhando os desdobramentos do caso e emitirá orientações sempre que necessário. Processo judicial A denúncia apresentada pelos Estados Unidos contra Nicolás Maduro será analisada pelo Tribunal Distrital Federal do Distrito Sul de Nova York. O caso tem origem em uma ação protocolada em 2020, na qual promotores acusam o líder venezuelano de narcoterrorismo, conspiração para a importação de cocaína e crimes relacionados ao uso de armas automáticas. A investigação foi conduzida pela Administração de Repressão de Drogas (DEA) e aponta Maduro como comandante do chamado Cartel de Los Soles, organização que, segundo os investigadores, envolve integrantes da cúpula militar venezuelana e teria utilizado o tráfico de cocaína como instrumento de enfrentamento aos Estados Unidos. Maduro e sua esposa, Cília Flores, estão sob custódia federal desde ontem em uma prisão localizada no Brooklyn, após serem capturados em Caracas. O presidente venezuelano desembarcou na Base Aérea da Guarda Nacional de Stewart, no norte do estado de Nova York, transportado em um avião militar Boeing 757. A chegada ocorreu sob forte esquema de segurança, com a presença de dezenas de agentes do FBI e da DEA, em meio a temperaturas abaixo de zero. Após procedimentos de identificação em uma unidade federal ligada à DEA, Maduro foi transferido para o Centro de Detenção Metropolitano. Imagens divulgadas pela Presidência dos Estados Unidos mostram o líder venezuelano caminhando por um corredor identificado com a sigla DEA NYD, referente ao distrito de Nova York da agência antidrogas. A expectativa é de que ele seja apresentado a um juiz federal em Manhattan nos próximos dias. Contexto No sábado (3), o governo norte-americano anunciou a realização de uma operação militar de grande porte na Venezuela, que resultou na captura de Maduro e de sua esposa. Na ocasião, Washington afirmou que assumiria temporariamente a administração do país até a conclusão de um processo de transição política. Em resposta, o Supremo Tribunal de Justiça venezuelano declarou a vice-presidente executiva Delcy Rodríguez como presidente interina, com o objetivo de assegurar a continuidade administrativa e a defesa do Estado. Ainda sem data definida para a posse, Rodríguez — que se tornará a primeira mulher a chefiar o Executivo venezuelano — exigiu a libertação imediata de Maduro, a quem chamou de “único presidente legítimo da Venezuela”, além de condenar duramente a ação militar dos Estados Unidos. A ofensiva americana provocou reações divergentes no cenário internacional, com países e lideranças divididos entre críticas à intervenção e manifestações de apoio à queda do governo Maduro.