Começou com um erro ao tentar abrir Nier Automata e terminou com uma revolução no Linux: a história do fã que foi longe demais e foi contratado pela Valve
4 Jan, 2026
Embora muitas vezes acreditemos que os jogadores de PC sempre jogam no Windows, existe uma comunidade dedicada ao Linux que está constantemente procurando maneiras de acessar seus jogos favoritos. Hoje em dia, graças em grande parte ao Steam Deck e ao tão falado sistema Proton da Valve, os videogames no Linux ganharam popularidade, abrindo as portas para muitos que não queriam depender do ecossistema da Microsoft . Era exatamente isso que Philip Rebohle procurava com Nier Automata . O jogo foi lançado em 2017 e imediatamente se tornou um clássico moderno, com crítica especializada e jogadores elogiando sua jogabilidade vertiginosa e uma narrativa envolvente que favorecia a obsessão por zerar várias vezes para se chegar ao final verdadeiro. Para os jogadores de PC, simplesmente curtir o jogo era o mais difícil. Sua versão para PC estava cheia de bugs e sequer funcionava no Linux. Ansioso para poder jogá-lo e frustrado com essa situação, Rebohle decidiu fazer algo a respeito. O resultado do seu trabalho chegou um ano depois e chamou-se DXVK. O mais “fácil” teria sido projetar uma camada de compatibilidade suficientemente capaz de emular Nier: Automata e esquecer o assunto, mas o desenvolvedor decidiu enfrentar algo mais ambicioso. Seu DXVK era uma ferramenta de uso livre capaz de “traduzir” jogos DirectX para Vulkan. Enquanto o primeiro é uma API exclusiva da Microsoft, o segundo é multiplataforma e compatível com Linux. Rebohle acabou de matar centenas de coelhos com uma cajadada só, porque em seu desejo de tornar compatível a sequência de Nier, ele tornou compatível todo um catálogo de jogos. A ferramenta era tão poderosa que impressionou até mesmo a Valve, que decidiu contratá-lo em tempo integral naquele mesmo ano. O acordo foi benéfico para ambas as partes. A Valve ganhou uma ferramenta poderosa que poderia continuar iterando, e Rebohle viu como o apoio da empresa e de uma nova equipe de colaboradores começou a garantir a compatibilidade de novos jogos. Como consequência todos os demais jogadores saíram ganhando. A Valve já tinha o Proton (a camada de compatibilidade que buscava precisamente “converter” jogos do Windows para o Linux) em desenvolvimento antes de encontrar Rebohle, mas seu projeto foi uma peça fundamental para desenvolver a ampla compatibilidade que existe hoje. Sem ela, provavelmente não estaríamos falando do sucesso do Steam Deck. Em 2025, qualquer usuário do portátil da Valve poderá jogar grande parte de sua biblioteca do Steam sem se preocupar com compatibilidade ou mexer em sistemas operacionais. Inscreva-se no canal do IGN Brasil no Youtube e visite as nossas páginas no Facebook , Twitter , Threads , Bluesky , Instagram e Twitch ! | Siga Gabriel Sales no Twitter , Threads e Bluesky .